<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645</id><updated>2011-10-22T14:40:36.169-02:00</updated><title type='text'>GUARDALETRAS</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>85</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7406499506641350487</id><published>2011-07-18T13:10:00.001-03:00</published><updated>2011-07-18T13:13:18.656-03:00</updated><title type='text'>Oito copos de água</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ivan Lessa&lt;/strong&gt;, na &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110718_ivanlessa_ra.shtml"&gt;BBC Brasil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós todos, a humanidade, para sobrevivermos, precisamos de oito copos de água (cada um de 8 onças líquidas) por dia. A isso chamam de "a lei dos 8 x 8".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me canso de ver gente, principalmente agora, no verão, carregando sua garrafinha, ou garrafona, de água na mão. Nas ruas, teatros, cinemas, na condução, onde estiverem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há inclusive, pegando uma bela carona na superstição (já chego lá), cinturões especiais de fino material e acabamento, muitos de grife, que vêm com o espaço para encaixar aquele que já foi o "precioso líquido" e hoje substitui, com desvantagem, creio, o cigarrinho ora proibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os médicos recomendam os tais "8 x 8". Aqueles mesmos senhores que não sabem o que é nem como atua no organismo humano a aspirina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, como em toda profissão, há, aqui e ali, lampejos de sensatez. Que é o caso da doutora Margaret McCartney, de Glasgow, na Escócia, que, em artigo publicado há pouco na mais respeitada publicação, talvez mundial, do gênero, o British Medical Journal revelou o que nós, pessoas sóbrias e equilibradas, sempre desconfiamos – mais: sempre soubemos -: qual seja, isso é exagero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dra. McCartney vai mais longe, pois como boa escocesa não tem meias-palavras, só palavras completas. Diz ela, a uma certa altura que esses 8 copos de água por dia constituem "um absurdo que chega ao ridículo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfileirando com o devido rigor sua argumentação, ela afirma o que seus colegas de profissão sempre souberam: não há nenhuma prova científica de que o corpo humano precisa de tanta água por dia. E prossegue dizendo que o corpo humano regula seu próprio consumo de água quando necessita substituir o consumo do fluido em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilustre doutora McCartney é definitiva em seu esboço de tratado. O corpo humano quando precisa mesmo de água tem sede. Esse o mecanismo báscio a ser posto em funcionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo depende da atividade em que o indivíduo está envolvido e quanta água contém o que ele ingere na comida. Isso para não falar de fatores como o calor e as condições médicas da pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que, além de viciados (não há outra palavra) em água, são ainda chegados a uma reciclagem, saibam que 1 tonelada e 500 milhões de quilos de plástico são utilizados pela indústria potável em recipientes plásticos, por sinal de difícil e dispendiosa reciclagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns pois à Volvic e à Evian por contribuir para a ignorância da plebe dita "esclarecida", para não dizer maníaca também, pelo produto inodoro e insípido que faz, para uns poucos, lucros de milhões e aufere para um dinheirinho razoável para seus acionistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heinz Valtin, fisiologista americano, não encontrou em suas pesquisas, motivadas pelo ensaio da dra. McCartney, nenhuma referência aos tais 8 copos de água diários "imprescindíveis" para nossa saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas que, em 1945, a Junta de Nutrição de seu país opinou (eram mais tolerantes então) que o que comemos já possui os fluidos necessários para o nosso funcionamento adequado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que voltamos ao lendário popular. Consta das crendices dos menos dotados de luz que 8 copos de água diários são sensacionais para tratar de infecções do trato urinário e melhorar a tonalidade da pele, além de reduzir as dores de cabeça e auxiliar nos casos de constipação, que, aliás, acrescenta Valtin, os rins cuidam do problema diretinho, sem auxílo de qualquer copo de água de grife ou sem grife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, vamos parar de fazer rolar esse aguaceiro desatinado. E, com a devida moderação, optar pela boa e velha água de bica. Que é grátis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7406499506641350487?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7406499506641350487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7406499506641350487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7406499506641350487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7406499506641350487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2011/07/oito-copos-de-agua.html' title='Oito copos de água'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8098899979798917791</id><published>2011-07-03T14:37:00.000-03:00</published><updated>2011-07-03T14:37:42.188-03:00</updated><title type='text'>A raiva na internet ou desabafo da 'lôraburra'</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Martha Mendonça&lt;/strong&gt;, editora-assistente da revista &lt;a href="http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/07/03/a-raiva-na-internet-ou-desabafo-da-loraburra/"&gt;Época&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos assuntos da semana foi o vídeo de Chico Buarque falando de como as pessoas são raivosas na Internet. O compositor, que está em processo de divulgação de seu novo disco, diz que, até começar a ler o que se falava sobre ele na rede, acreditava que era amado. As pessoas sempre foram aos seus shows, cantavam, aplaudiam, o cumprimentavam nas ruas. Gostam de mim, imaginou. Mas a curiosidade o levou a querer saber o que mais se dizia dele. “Descobri que na verdade sou odiado”. Na internet, era chamado de velho, ultrapassado, bêbado. Sempre com raiva. Muita raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, o roteirista de humor e ator Bruno Mazzeo foi ao Programa do Jô e falou de assunto semelhante. Comentou sobre “a raiva na internet”. No Twitter, ele é xingado, rotulado, achincalhado. Explicou que não consegue deixar de responder a algumas coisas – embora saiba que o melhor mesmo é ignorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos famosas como Chico e Bruno. Mas aqui no Mulher 7×7 também sofremos com a “raiva na internet”. É algo de que qualquer pessoa que tenha site, blog ou conta em rede social e é minimamente lido não escapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não está fácil colocar a cara na internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, escrevi um post no smartphone, com pressa. Depois publiquei – e tinha erros de digitação. Foi um alvoroço. Em vez de comentarem o assunto polêmico do post, os comentários focavam nos meus erros. Como a editora-assistente da revista Época poderia errar assim? Que profissional negligente! Não eram erros de português, mas claramente de digitação. Claro que estamos aqui para buscar a perfeição. O leitor merece todo nosso cuidado. Mas aconteceu. Acontece. Bastaria um comentário educado: olá, o texto está com erros de digitação, dê uma olhadinha, blogueira. É ótimo sentir a cooperação dos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. É preciso agredir. É preciso colocar a “raiva na internet” pra fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora estamos falando de forma. Quando é caso de conteúdo, a coisa sobe a níveis altíssimos. Opiniões não podem ser apenas confrontadas. O dono delas precisa ser pisado, massacrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim aquela pessoa que tem uma opinião diferente da sua tem um espaço importante na rede e você não?? Que assunto ridículo, caro blogueiro, não tem nenhuma tema melhor, não?? E dá-lhe ofensa! Tudo, claro, quase sempre protegido pelo anonimato. Ah, o anonimato! Nada como ser uma voz solta no ar, sem rosto, sem identificação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se puder tecer considerações negativas a respeito da aparência de quem escreve, melhor. Perdi a conta de quantas vezes fui chamada de “lôraburra” nos comentários – no último deles, me chamando de… “preconceituosa”. Digamos que eu tivesse sido mesmo. Mas e o preconceito contra as louras? No mesmo post, outro leitor também disse que eu estava sendo preconceituosa e acrescentou que eu tinha… “cara de síndrome de down”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li um tweet ontem, do humorista Murilo Gun: “Casal de lésbicas veio reclamar de uma piada minha. No show, elas riram de piadas sobre gordos e nordestinos. Mas quando as atinge não tem graça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todo mundo é assim. O gordo ri do anão, o anão ri no negro, o negro ri do gay, o gay ri do nordestino, o nordestino ri da loura, a loura ri do feio, o feio ri do deficiente, o deficiente ri do gordo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E por falar em humorista, humor é algo que muitos não entendem. Tomam tudo ao pé da letra. Toda essa patrulha tem razão de ser, é um sinal de que estamos desenvolvendo o respeito aos direitos humanos. O exagero faz o mundo ficar muito chato – mas acredito que daqui a pouco as coisas vão se equilibrar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que eu disse aqui, talvez misturando alguns canais, em tom de desabafo, exclui totalmente o leitor/comentarista que discorda de alguma coisa que dissemos – com elegância. Esse é o melhor. O que concorda é igualmente bem-vindo, claro (afinal, concordar ainda é possível!). Mas o que contra-argumenta é o motor das discussões educadas e inteligentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, se for o caso, discordem de tudo que eu disse acima – mas sem raiva, por favor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8098899979798917791?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8098899979798917791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8098899979798917791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8098899979798917791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8098899979798917791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2011/07/raiva-na-internet-ou-desabafo-da.html' title='A raiva na internet ou desabafo da &apos;lôraburra&apos;'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-2020312662496049493</id><published>2011-06-28T19:24:00.000-03:00</published><updated>2011-06-28T19:24:41.461-03:00</updated><title type='text'>Não aguento</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Do &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/"&gt;Blog do Xexéo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguento mais pessoas que começam qualquer frase com a expressão "Na verdade..." Nem aquelas que respondem qualquer pergunta dizendo "Com certeza!". Nem mesmo as que, antes de terminar um pensamento, acrescentam um "enfim" ao discurso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aguento aqueles que, diante do caos em qualquer aeroporto, comentam "Imagina como vai ser em 2014". Ou gente que, em qualquer engarrafamento de trânsito, suspira: "Imagina como vai ser em 2014". Ou os moradores do Rio que, diante de um bueiro entupido, preveem: "Imagina como vai ser em 2014". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguento mais atrizes de novela que analisam seus personagens dizendo "Foi um presente do Gilberto" (ou do Maneco, ou do Aguinaldo, ou da Maria Adelaide). Ou aquelas que, tentando definir o parceiro ideal, afirmam que "humor é fundamental". Não aguento as que nunca protagonizam a novela das oito, mas fingem que não se importam porque "é muito melhor fazer a vilã". Ou ainda as que celebram a profissão de atriz porque, assim, podem "viver muitas vidas". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aguento participantes da "Dança dos famosos" que dizem que a disputa provou sua "capacidade de superação". Nem jogadores de futebol que, após a vitória de seu time, valorizam sua "capacidade de superação". Muito menos modelos que após uma ida e volta na passarela do Fashion Rio sentem-se aliviadas por sua "capacidade de superação". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguento mais comentaristas de moda na televisão analisando o "look" dos desfiles. Nem a supervalorização dos seriados da TV americana. E atores do palco agradecendo "aos deuses do teatro". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguento mais prefeitos e governadores justificando atrasos nas obras porque “o edital está em fase de finalização”. Eu não aguento políticos do PT pedindo que a oposição "não politize" o escândalo mais recente do partido. Nem os ministros do Governo chamando a presidente Dilma de "presidenta". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguento mais ninguém dizendo que as redes sociais são "uma poderosa ferramenta de comunicação". Não aguento filmes em 3D. Nem gente que se acha na obrigação de comprar o iPhone 6, quando lê o anúncio do lançamento para breve do iPhone 5. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aguento mais médicos diagnosticando como "virose" tudo que eles não sabem bem o que é. Nem pesquisas científicas amaldiçoando o ovo e seus efeitos no colesterol, anos depois de o ovo ter sido abençoado por pesquisas científicas porque, afinal, o ovo tem bom colesterol, apesar de, anos antes, outras pesquisas já terem amaldiçoado o ovo etc etc etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguento mais a Regina Casé bancando a simpática. Nem a comoção nacional em torno do fim do Exalta Samba. Muito menos algum artista jovem que recebe prêmio, gritando na boca de cena "Valeu, galera!". Eu não aguento mais o Luan Santana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-2020312662496049493?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/2020312662496049493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=2020312662496049493' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2020312662496049493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2020312662496049493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2011/06/nao-aguento.html' title='Não aguento'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8468282634043330899</id><published>2011-05-17T14:30:00.000-03:00</published><updated>2011-05-17T14:30:21.238-03:00</updated><title type='text'>As lavanderias</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Janio de Freitas, na&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/"&gt;Folha.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lavanderias que dão maiores lucros não lavam roupas nem outros tecidos. Lavam dinheiro. E não usam o nome de lavanderia. Chamam-se consultorias. Assim como as lavanderias verdadeiras não são consultorias, nem todas as consultorias são lavanderias. Há razões mesmo para acreditar que a maioria não o seja, à parte o grau de competência de cada uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contraventores, traficantes, contrabandistas e congêneres adotam sistemas próprios de lavagem. Consultorias são preferidas e muito eficazes para quem precisa lavar dinheiro recebido de modo ilícito no exercício de função pública. Aquele dinheiro que não pode aparecer de repente sem maiores riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns, em verdade poucos, desfrutam de circunstâncias que lhes permitem fazer grandes investimentos, sem problemas, em fazendas, imóveis aqui e no exterior, saiam ou não da vida pública. Outros, menos notórios, desaparecem para sua nova vida de bem forrados. Solução que, por acaso ou não, foi muito praticada em certos setores, como o da regulagem de preços então existente, áreas da Fazenda e de obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os que não têm cobertura bastante e não podem sumir têm o recurso de consultorias. As quais, com frequência, até lhes mantêm ou conferem prestígio, proporcionado pelos jornalistas que os procuram para a palpitagem incessante. E, para não perder tempo, utilitária também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As modalidades de lavagem são variadas. Digamos, para exemplificar com uma delas, que alguém em função ministerial receba um alto valor, ou se torne credor dele, por determinada medida (apresentada, é claro, para efeitos governamentais e públicos, sob a conveniente roupagem técnica). Não fará uso imediato dos novos cifrões, por impedimentos óbvios. De volta à vida dos quase comuns, porém, a operação é simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um recibo não depende da existência de um pagamento. É o que lavagem sabe e faz: um pagamento fictício por uma empresa, ou uma entidade, e um recibo dado por prestação de consultoria que não houve. O dinheiro ilícito, vindo lá de trás às escondidas, passa a integrar o patrimônio do corrompido como se fosse pagamento por um serviço recente. Está limpo para todos os efeitos legais. E a empresa ou a entidade tem a vantagem de deslocar, da contabilidade real para o caixa dois de usos não declarados, a quantia que aparentemente saiu como pagamento de um serviço de consultoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma modalidade, há também a entrega de um serviço, o mais comum é uma publicação ou um "estudo técnico", pago pela empresa por um alto valor, seja para repetir o mesmo truque, seja para quitar o crédito ilícito do serviço prestado na função pública. Com a ressalva, apesar de desnecessária, de que nem toda publicação e "estudo técnico" para empresa cumpra esse papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bem da verdade, como diziam no tempo em que tais práticas e suas variantes eram raras, é que seu uso não é exclusividade do âmbito administrativo ou do político. O Conselho Nacional de Justiça tem adotado providências contra casos semelhantes no Judiciário. Antes dele, o ex-juiz Lalau dos Santos Netto deixou outra ilustração, quando pôs sua lavanderia no exterior certo de que o remanescente do SNI ainda lhe daria proteção, e não abandono ingrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem até que também uma atividade muito protegida por si mesma, chamada imprensa ou jornalismo, tem exemplos na matéria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8468282634043330899?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8468282634043330899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8468282634043330899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8468282634043330899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8468282634043330899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2011/05/as-lavanderias.html' title='As lavanderias'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6907364095409008363</id><published>2011-03-18T23:48:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T23:48:59.297-03:00</updated><title type='text'>Sentar em Londres</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ivan Lessa, na&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/03/110318_ivanlessa_ra.shtml"&gt;BBC Brasil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cidade nunca é aquilo que mais se divulga dela. Ou mesmo que mais se guarde na fotografia ou se compre no cartão-postal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei muito bem que dei uma topada (se eu tivesse a locomoção necessária) das bravas num tremendo de um lugar-comum. Mas é sempre bom repetir. A Humanidade tende a se esquecer do essencial. Por isso anda – anda! Já chego lá – por aí a se lembrar. Ao menos quando se chega a uma certa idade. A minha, por exemplo. E botemos idade nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro como se fosse hoje do tempo em que eu andava em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes relembrar frisando algumas andanças minhas de outrora: não, o Rio não é aquele do Cristo Redentor nem do Pão de Açúcar ou das moças bem dotadas nas praias. Mesmo no tempo presente, ele tem mais, muito mais a dar. Pois mais, muito mais ele o é. Quase nunca o óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, um banco em que se sentou num subúrbio distante. (Péssimo exemplo, eu deveria ter mencionado o footing antigão ou a linha-de passe na praia). Um cafezinho fraco que se tomou em pé conversando com um cara de pilequinho do lado. A espera na fila do – quem se lembra? – lotação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada a ver com História ou histórias. Isso são coisas de gente que não sabe parar quieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é, descobri tarde na vida, e numa marra imposta pelas circunstâncias, viver, repito, é parar. Não ofender a vida com movimentos, idas e vindas, quase sempre desnecessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se perfeitamente defender o caso de que o Rio não é mais o que foi, que sua grande década foi essa ou aquela outra. Isso é outro papo. Não desinteressante, mas outro papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguem fotos antigas nos sites devidos. Todo mundo se mexendo. Para cima e para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, também, cidades mais complicadas que outras. Digo isso sem achar que seja vantagem ou que conte ponto. Fico onde conheço (mentira, nunca se conhece nada, ninguém, cidade alguma): Londres. Tenho, de enfiada, 33 anos de Londres. Cá arribei num dia 21 de janeiro, no ano de 1978. Antes disso, eu já passara 4 anos zanzando por aqui. Pela cidade de Londres, pela BBC de Londres. São, pois, ao todo, 37 anos ao todo de Londres. Quase, mas quase mesmo, a minha idade. E eu pra cima e pra baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo pessoal, o que sempre me deixa sem graça e ruborizado, além de me sentir pior do que já venho me sentindo: de uns tempos para cá, graças a 50 anos de 2 maços de cigarro por dia, veio o homem, ou la belle dame sans merci, com a conta na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso dizer que tenha valido a pena. Eu fumava com a maior naturalidade. Um Humphrey Bogart mirim e mais tarde adulto. Não me lembro de um único cigarrinho que eu tenha curtido adoidado. Sei que pegavam bem depois disso ou daquilo outro. Só. Eu era uma paisagem envolta em fumaça e, como os lanterninhas do cinema a que eu ia, não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custo para chegar ao cerne da questão: a conta. Tudo me é bastante difícil. Agora, aqui estou, há um bom tempo, com enfisema, dispnéia, arritmia cardíaca, cansaço constante, o diabo. Ir da sala para a cozinha virou uma travessia dos Alpes. Impossível andar mais de três ou quatro metros sem parar em algum lugar para pegar fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aguento mais gente delicada na rua me perguntando, numa dessas horas, "Are you all right, sir?" Minto. Aguento. Fico sem graça, digo que estou apenas catching my breath mas fico grato por aqui estar e morar e haver tanto canal de televisão, DVD para alugar, livro para ler, computador para assuntar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que ontem fui aquele do bicho-carpinteiro, o que deixava o escritório e fazia um longo percurso de livrarias e casas de discos do centro, sou hoje um homem sentado. Sentado estou, sentado ficarei, é o que tudo me grita no apartamento silente de tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inalantes, diuréticos, oito remédios por dia, médico pago, médico do sistema de saúde, e eu, sentado, ou gastando uma fortuna que não tenho de táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Londres, pois, e seus esplêndidos restaurantes, o incrível teatro que ainda resiste a tudo e tanta coisa mais, tudo isso acabou. Continuo sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Fernando Pessoa ficava na janela, eu fico na poltrona da sala. Cessam aí todas as semelhanças. Ele podia subir e descer as ruas que são o fado puro de Lisboa e eu, tentando me queixar o mínimo possível, mas queixando estou, bem sei, continuarei sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos eletrodomésticos que me sustentam, acrescento, esquecido que sou, do microondas, que, sem ele, eu já teria morrido de inanição. Morto de fome numa poltrona da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois assim é Londres. Uma cidade com poucos bancos nas ruas, à exceção dos parques, mas com muita poltrona e sofá em casa, o que é comprovado pela profusão de comerciais na TV, que até esses passei a ver. Com a maior atenção. Sentado. Minha posição de sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6907364095409008363?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6907364095409008363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6907364095409008363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6907364095409008363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6907364095409008363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2011/03/sentar-em-londres.html' title='Sentar em Londres'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-4824662131177845323</id><published>2011-03-15T16:12:00.002-03:00</published><updated>2011-03-15T16:15:00.033-03:00</updated><title type='text'>Dessintonia fina</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Duda Rangel, no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://desilusoesperdidas.blogspot.com/2011/03/dessintonia-fina.html"&gt;Desilusões Perdidas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o fotógrafo senta no banco da frente do carro o repórter se ajeita na parte de trás o motorista pergunta onde é a pauta o fotógrafo abre a boca de sono o repórter explica o caminho da pauta o motorista começa a correr o fotógrafo sorri o repórter pede cuidado pro motorista o motorista não respeita as leis de trânsito o fotógrafo acende o cigarro o repórter não gosta de cigarro o motorista reclama da fumaça o fotógrafo reclama do trânsito o repórter manda o fotógrafo apagar o cigarro o fotógrafo chama o repórter de viado o motorista começa a fazer fofocas da redação o repórter gosta das fofocas da redação o motorista diz que a maria da fotografia dá pro joão da diagramação o fotógrafo não gosta de saber que a maria da fotografia dá pro joão da diagramação o repórter pergunta se a maria da fotografia não dá pro leal da geral o fotógrafo apaga o cigarro o motorista responde que o leal da geral pega a lia da economia o fotógrafo não gosta das fofocas da redação o motorista liga o rádio o motorista gosta de pagode o fotógrafo gosta de blues o repórter não gosta de pagode nem de blues o fotógrafo desliga o rádio o repórter pede pro motorista ligar o ar-condicionado o fotógrafo não gosta de ar-condicionado o motorista levanta os vidros escuros o fotógrafo não gosta dos vidros escuros o repórter manda o fotógrafo pra merda o fotógrafo abaixa os vidros escuros o motorista desliga o ar-condicionado o fotógrafo gosta de flagrar as cenas da cidade o motorista gosta de flagrar o vaivém das moças o repórter reclama do calor o motorista reclama da falta do pagode o fotógrafo reclama da falta do cigarro o motorista pergunta se a pauta é rápida o repórter diz que a pauta não é rápida o motorista diz que vai aproveitar para visitar uma amiga o repórter diz que o motorista não vai visitar porra nenhuma de amiga o fotógrafo lembra que vai ter almoço na pauta o motorista pede então pro repórter pra ficar no almoço o repórter não gosta que o motorista fique no almoço o fotógrafo diz que uma boca a mais não vai fazer diferença o repórter promete falar com o assessor sobre o almoço do motorista o motorista fica todo satisfeito o motorista gosta de boca-livre o fotógrafo também gosta de boca-livre o repórter gosta de boca-livre mais do que o motorista e o fotógrafo juntos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-4824662131177845323?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/4824662131177845323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=4824662131177845323' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4824662131177845323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4824662131177845323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2011/03/dessintonia-fina.html' title='Dessintonia fina'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8098921769619134221</id><published>2011-01-21T20:19:00.003-02:00</published><updated>2011-01-21T20:24:56.946-02:00</updated><title type='text'>Meu adeus como colunista</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Diogo Mainardi&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é minha última coluna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passei oito anos zombando do lulismo. Se agora eu passasse a zombar do dilmismo, que é uma mera pantomima do lulismo, eu me tornaria uma mera pantomima de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Diogo é um Arlecchino! Diogo é um Pantalone! Diogo é uma Colombina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lulismo queria que eu fosse embora do Brasil. Eu fui. O lulismo queria que eu me desinteressasse do presidente da República. Eu me desinteressei. O lulismo queria que eu renunciasse à minha coluna. Eu renunciei. Eu sou igual a um marido que, para poder se livrar da mulher amarga e rancorosa, cede todos os seus bens e vai morar num flat. Eu fui morar num flat mental. Eu fui morar numa kitchenette existencial. Eu sei que o lulismo está feliz de se separar de mim, mas garanto que eu estou incomparavelmente mais feliz de me separar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubens Barrichello compreendeu a natureza do dilmismo. Quando lhe perguntaram o nome da presidente eleita, ele respondeu sabiamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Como é que se chama a mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de hoje, esse é meu lema. Eu posso falar sobre Bartolomeo Bon. Eu posso falar sobre Anco Marcio. Eu posso falar sobre Cosmè Tura. Quem mais? Eu posso falar sobre Sexto Empirico. Eu posso falar sobre Pavel Chichikov. Eu posso falar sobre Pepe Le Pew. Só a presidente eleita está proibida de entrar em meu flat mental. Sobre ela, minha resposta será sempre a mesma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Como é que se chama a mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de compreender a natureza do dilmismo, Rubens Barrichello compreendeu também a natureza do automobilismo. Ele demonstrou que, se é para guiar devagar, ninguém precisa de uma Ferrari. VEJA é uma Ferrari. Para poder me livrar do dilmismo, estou pronto a ceder minha vaga na escuderia. O que eu quero, neste momento, é pilotar um kart. De agora em diante, escreverei apenas um artigo mensal para VEJA. Renuncio à coluna, portanto, mas continuo aqui, em marcha lenta. Milan Kundera disse que quem anda devagar contempla as “janelas de Deus”. Rubens Barrichello anda devagar e contempla as janelas de Deus. Sou bem mais modesto do que ele. Para mim, basta poder contemplar as janelas da minha kitchenette existencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro ato de um espetáculo grotesco, como aquele encenado pelo lulismo até 2006, pode despertar algum interesse. O segundo ato é inevitavelmente mais sonolento. Mas é o terceiro e último ato, repetindo as mesmas galhofas dos anteriores, que realmente entedia e aporrinha o espectador. Foi para poupar o público desse constrangimento que resolvi sair do palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Onde está o Arlecchino? Onde está o Pantalone? Onde está a Colombina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Um espectador aplaude. Outro atira um tomate. Outro ronca. Luzes.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado na&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/na-revista/meu-adeus-como-colunista/"&gt;Veja Online&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;em 11/12/2010.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8098921769619134221?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8098921769619134221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8098921769619134221' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8098921769619134221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8098921769619134221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2011/01/meu-adeus-como-colunista.html' title='Meu adeus como colunista'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-422080690636048689</id><published>2010-10-17T16:37:00.001-02:00</published><updated>2010-10-17T16:40:04.674-02:00</updated><title type='text'>Vamos errar de novo?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ferreira Gullar, na&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0509201029.htm"&gt;Folha.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz muitos anos já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado "essa gente de Ipanema" de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação - como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar - ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura - o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada - Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-422080690636048689?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/422080690636048689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=422080690636048689' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/422080690636048689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/422080690636048689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/10/vamos-errar-de-novo.html' title='Vamos errar de novo?'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7384134932329083674</id><published>2010-09-02T10:46:00.004-03:00</published><updated>2010-09-02T10:53:44.212-03:00</updated><title type='text'>Desce a última página do Jornal do Brasil</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Joaquim Ferreira dos Santos&lt;/strong&gt;, no &lt;a href="http://oglobo.globo.com/"&gt;Globo Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansa em paz JB que amanhã pela manhã, quando chegar às bancas a edição do dia 31 de agosto de 2010, esgota seu deadline neste vale de resmas de papel, e alguém vai gritar o definitivo "Parem as máquinas" num cantinho malassombrado da Avenida Brasil 500.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penteia o teu último nariz de cera, JB, pede ao Joaquim Campelo para copidescar uma pirâmide invertida que está na página três, diz ao Gabeira para pesquisar a capa que o Alberto Dines fez do AI-5 – e desce a página para o túmulo dos grandes jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leva um abraço com bafo de uísque para o Zózimo Barroso do Amaral, sempre circulando entre as mesas, já sem o smoking da festa de ontem à noite, e pedindo pelo amor de Deus uma notinha. O foca dizia qualquer coisa que tinha acabado de ver na rua, para que o espírito caminhante de Zózimo sossegasse o facho e ele pudesse escrever a matéria. No dia seguinte, a notinha, um quase nada, uma bolha de sabão, estava impressa no jornal com um charme que enfeitiçaria dezenas de colunistas em gerações futuras, todos frustrados em tentar a mesma leveza e humor sofisticado, mas definitivamente sem conseguir o mesmo buquê do Zózimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dúvida do general&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansem em paz o velho atrasador de jornal, o calhau, o bandejão, o Brito’s, o plantão na porta do embaixador sequestrado, e também o ascensorista Vovô, o senhor negro encaixotado o dia inteiro em sua jaula de alumínio da Atlas e que quando passava pelo andar da redação anunciava "Parque de diversões".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus antepassados tinham sido escravos, ele passara a infância capinando na roça, e não entendia que aquela gente de terno, jogando bolinha de papel amassado umas nas outras, pudesse estar trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou de rodar a última edição, JB, não se ouvem mais as Remington, mas a fumaça dos cigarros fumados por todos aqueles anos ainda toma o ambiente. Chegou a última notícia, e ela diz que é hora de tomar a saideira naquele sujinho na Leopoldina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansa em paz pescoção das sextas-feiras, quando a turma do Esporte passava uma lista de contribuições pelas demais editorias e abria um garrafa de White Horse para que ficasse mais suave cavalgar noite adentro no dorso selvagem de títulos de três de 13. Descansem em paz Oldemário Touguinhó, Luarlindo Ernesto, nomes mais fabulosos da História do jornalismo brasileiro, superiores ao de Oderfla Almeida, o Alfredo ao contrário, que também já se foi e nunca teve a felicidade de trabalhar no JB da Condessa, da Cleusa Maria, da Susana Schild, da Norma Couri e de todas aquelas avançadíssimas moças do Caderno B, num tempo em que redação era coisa de macho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansa em paz, Carlinhos de Oliveira, cronista atormentado de três textos semanais, muitos escritos na varanda do Antonio’s, muitos de olho em alguma cocota que passava e, como já era comum no Leblon, antes mesmo de Herbert Vianna anunciar no Paralamas, elas não olhavam para Carlinhos porque, embora gênio, o cronista usava óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansa em paz o dia em que a condessa recebeu a figura augusta do general Costa e Silva. Depois de atravessar com o sujeito pela redação, a condessa disse que no dia seguinte seria publicada uma reportagem sobre a visita. "Tem elogio?", perguntou o general. A dona do jornal desconversou. Disse que era uma reportagem descritiva, como são as boas reportagens. O general dispensou. "Se for assim, não precisa, eu gosto mesmo é de elogio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chamada de primeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansem em paz todas as histórias folclóricas de redação, todos os estagiários que foram encarregados de pegar a calandra e entregar ao editorialista Wilson Figueiredo. Soltem-se todos os balões que o Alberto Ferreira, o chefe da fotografia, autor da foto da bicicleta do Pelé, esticava no chão do laboratório. Chegou a hora triste de pautar um repórter para fazer a ronda dos cemitérios e descobrir que o morto de hoje é o próprio jornal. Escreva-se o funéreo com a elegância que formou várias gerações de grandes jornalistas e ajudou a fundar o espírito de uma cidade. Sem pieguismo, que os neoconcretistas não vão gostar. Pau na máquina. Fecha com a foto da freira caída na frente do ônibus, do Evandro Teixeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansem em paz Wilson Coutinho, a lauda de 30 linhas e 72 toques, e mais ainda Mara Caballero, a diagramação sem fios do Amilcar de Castro, os disfarces de mendigo do Tim Lopes, o elefantinho, o ele da primeira página, os classificados de troca de casais, os velhos homens de imprensa, as estagiárias da pesquisa, a reportagem geral com 53 repórteres e o especial do Caderno B em que Lena Frias mostrou para toda a Zona Sul que do outro lado do túnel havia outra cidade cultural, o Black Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansem em paz a matéria com cópia em papel-carbono, o salário ambiente, o suplemento literário, o diretor que assediou a secretária e provocou uma passeata na Rio Branco, e também o dia em que o editor jogou para o alto o juramento que fez sobre a Bíblia de Gutenberg. Ele não resistiu e colocou na primeira página de uma segunda-feira a foto daquela repórter da Geral que tinha o mais belo bumbum da redação e fora flagrada, de biquíni, em Ipanema, em toda a exibição orgulhosa de seu trunfo, pelo fotógrafo que fazia a inevitável matéria sobre o movimento das praias no domingo. Descansa em paz a lenda de que se ganhava pouco mas era divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora de descer a última página e, como nos artigos de Dom Marcos Barbosa, reunir todos os que se formaram naquela redação para dizer muito obrigado e amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Não esquece de chamar na primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos_admin.asp?cod=605IMQ007"&gt;Observatório da Imprensa&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7384134932329083674?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7384134932329083674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7384134932329083674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7384134932329083674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7384134932329083674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/09/desce-ultima-pagina-do-jornal-do-brasil.html' title='Desce a última página do Jornal do Brasil'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-3904537386910719487</id><published>2010-07-28T14:39:00.003-03:00</published><updated>2010-07-28T14:51:05.494-03:00</updated><title type='text'>O fracasso da política externa de Lula</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Jorge Castañeda&lt;/strong&gt;, na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2607201014.htm"&gt;Folha.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inércia geográfica, econômica e demográfica da América do Sul levou o Brasil a ter um papel de maior liderança do que antes. Isso aconteceria com ou sem o governo Lula. O fato de Lula estar fazendo um governo bom internamente faz com que o peso natural do Brasil se exerça de maneira mais clara na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, tudo o que Lula tentou fazer fora do âmbito interno só resultou em fracassos. Tratou de obter um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, não o obteve. Tratou de priorizar a Rodada Doha e não conseguiu nada. Tratou de ser um ator central para que se lograsse um acordo em Copenhague e não só não o alcançou como o Brasil em parte foi responsável para que isso não acontecesse. Tratou de se apresentar como protagonista num acordo nuclear com o Irã, mas sua mediação foi rechaçada pelo mundo inteiro, exceto pela Turquia e pelo próprio Irã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas creio que mais importante é o fato de que Lula se absteve de mediar ou resolver conflitos que estão mais perto do Brasil. E há tantos. Os de Uruguai e Argentina, de Colômbia e Venezuela, de Peru e Chile, de Colômbia e Nicarágua, de Chile e Bolívia e o de Equador e Peru. Conflitos próximos abundam, e o Brasil não exerceu nenhuma liderança em nenhum desses casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tampouco se apresentou para ajudar em problemas internos de outros países da América Latina. Salvo parcialmente no caso da Bolívia, e isso o fez para defender os interesses da Petrobras. Suas aspirações de potência mundial fracassaram, e ele não mostrou interesse de atuar como legítima potência regional. Lula coleciona fracassos e erros no âmbito externo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-3904537386910719487?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/3904537386910719487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=3904537386910719487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/3904537386910719487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/3904537386910719487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/07/o-fracasso-da-politica-externa-de-lula.html' title='O fracasso da política externa de Lula'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-4564978673829398312</id><published>2010-07-26T14:44:00.002-03:00</published><updated>2010-07-26T14:49:46.425-03:00</updated><title type='text'>Réquiem para um jornal humorístico</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://www2.uol.com.br/millor/millorpasquim/requiem.htm"&gt;Millôr Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, depois de quatro anos de muitas e gargalhantes pelejas, algumas das quais foram acompanhadas alacremente pelo leitor, e outras das quais o leitor nem pode tomar conhecimento, O Pasquim chega ao número 200. Chega, não passa. Este é o último número do nosso jocoso semanário. Não é preciso que nossos amigos se embriaguem de alegria. Nem que nossos inimigos chorem. As coisas, como as pessoas, nascem, crescem e morrem, não é mesmo, Conselheiro? Só que O Pasquim nasceu às gargalhadas. Como todo o mundo viu, cresceu, diminuiu e cresceu de novo, sempre castigando os mores, e hoje morre, rindo às bandeiras despregadas. Pois morre vendendo saúde (100.000 exemplares) .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre atropelado. Uma força de alguns milhões de toneladas, uma teia de milhares de restrições e impedimenta, uma incalculável massa de obrigações e imposições, tornaram irrespirável a nossa já modesta ração de ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos seus quatro anos de hilariante vida, este zombeteiro hebdomadário pode contabilizar a glória de ter modificado fundamentalmente a linguagem dos outros jornais e ter influído muito na expressão falada da juventude e no estilo da comunicação publicitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante quatro anos, este risonho jornal cuja maioria de sorridentes redatores não é ligada a nenhum grupo político, econômico, religioso, nacional ou estrangeiro, que tem como único objetivo o exercício de uma crítica geral e democrática a tudo e a todos (os poderosos e estabelecidos sendo, naturalmente, os mais criticados, pois, não há graça nenhuma em criticar os caídos), foi combatido pela maioria dos grandes órgãos de imprensa brasileira e por todos os detentores de algum poder, inconformados com um veículo que não tinha preço de venda a não ser o da banca e era dirigido por intelectuais inatacáveis porque sem fichas pregressas que os situassem em qualquer esquema de ilegalidade ou qualquer espécie de criminalidade, mesmo fiscal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando a circular com um máximo de 64 e um mínimo de 16 páginas, o ridente PASQUIM conseguiu sobreviver a tudo, até mesmo à prisão de todos seus redatores, provada inútil pelas próprias autoridades num processo que foi a consagração deste grupo de profissionais, pois demonstrou que eles tinham como único e total objetivo de vida o exercício de sua apaixonante profissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coação física não impossibilitou a saída do jornal. Durante dois meses, ele circulou sem a colaboração de qualquer dos seus redatores habituais. Sobreviveu graças à solidariedade de inúmeros colegas. Saiu fraco e sobreviveu mal. Mas sobreviveu com a barriga doendo de tanto rir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, porém, temos que nos render e afirmamos, humildemente, a nossa derrota definita, diante da única coação irresistível, a coação intelectual, hoje absoluta. Uma censura inconstitucional - a Constituição vigente é explícita quanto à liberdade plena de jornais e revistas circularem sem qualquer censura, os responsáveis respondendo, naturalmente, diante da lei, pelos desmandos que cometerem - já vinha sendo exercida de maneira sufocante. Jornais pobres, como este, resistiam debilmente, gastando 20 horas para refazer um trabalho anteriormente feito em 10 e tendo o dobro e, às vezes, o triplo de gastos para a confecção do material de suas folhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidindo com o número 200, atingimos o limite das nossas possibilidades, fronteira natural de nossas ilimitadas impossibilidades. As poucas normas que ainda havia foram substituídas por um desvairo total das canetas pilotis, em que não há nem mesmo aquilo que se poderia exigir como último direito do cidadão - o respeito ao seu trabalho. Nosso trabalho, mesmo os nossos piores adversários reconhecem que o fazemos com conhecimento e seriedade. Trabalho de criação, único, pois artigos e desenhos humorísticos não podem ser substituídos de um momento para o outro como se fossem simples reproduções de discursos ou resenhas de acontecimentos sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o importante é que esta despedida não se alongue nem se transforme numa inútil exposição de motivos. E que, sobretudo, não seja triste. Só fechamos porque nos falta a competência da maleabilidade. Fechamos porque fechamos. O mundo não vai acabar. O Brasil vai continuar. Acontece que há momentos em que certos países não produzem determinados produtos que noutras épocas já produziram em abundância e que voltarão a produzir um dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, parece, não é o momento propício para o plantio de facécias. Esperamos apenas que, daqui a cinqüenta anos, quando os especialistas estiverem saboreando os magníficos produtos satíricos de então, alguém se lembre de nos fazer justiça: "É, 73 não foi um bom ano para humorismo!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-4564978673829398312?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/4564978673829398312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=4564978673829398312' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4564978673829398312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4564978673829398312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/07/requiem-para-um-jornal-humoristico.html' title='Réquiem para um jornal humorístico'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-989448312286987540</id><published>2010-07-23T22:59:00.001-03:00</published><updated>2010-07-23T22:59:37.996-03:00</updated><title type='text'>Admirável Brasil novo</title><content type='html'>Crônica de Nelson Motta (via e-mail)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos vivendo a alvorada de uma nova era no Brasil, com grandes transformações econômicas e sociais, gerando novos significados para velhas expressões. E até novos conceitos filosóficos, como “minto, logo, existo”, como foi comprovado nos depoimentos das CPIs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, os empresários não querem mais ter lucro, eles só trabalham para gerar empregos. Os bancos e grandes empresas só pensam em salvar o planeta, pela sustentabilidade. As organizações não-governamentais são sustentadas pelo governo. Só falta o almoço grátis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modernizamos até mesmo provérbios universais consagrados pela sabedoria popular. As apavorantes galerias de fotos de nossas casas legislativas são o desmentido cabal de que as aparências enganam. Nas Comissões de Ética, ladrão que julga ladrão dá cem anos de perdão, e é mais fácil o Marcelo Camelo passar pelo buraco de uma agulha do que o STF condenar um parlamentar. Aqui se faz e aqui se apaga. No Brasil, o ladrão faz a ocasião, com emendas parlamentares e contribuições de campanha. Porque a liberdade deles começa onde termina a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste país, quem dá (dinheiro público) aos pobres, empresta aos seus, naturalmente eleitores. Contra fatos não há argumentos, só bons advogados e lobistas eficientes. Macacos velhos têm suas cumbucas em paraísos fiscais, dinheiro sujo não se lava em casa. São partidos, partidos, negócios à parte - a parte de cada um no negócio. Afinal, tudo vale a pena se a multa é pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê no noticiário político, mentir e coçar é só começar, conversa mole tanto bate até que cola, e CPI que é ladra não morde. Quem não mama, chora. Aqui, o barato não sai caro, no Senado sai de graça. O segredo é a lama do negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, tristezas não pagam dívidas de campanha, quando um burro fala os outros aplaudem, os cães ladram e a caravana é assaltada, e quando um não quer dois não roubam, chamam mais gente: os meios justificam os afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui se dá a Lula o que é de Deus e a César, talvez, o Senado, porque Lula é a voz do povo e dá a bolsa conforme o eleitor. O príncipe é o sapo. Só espero que quem o voto fere, pelo voto seja ferido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-989448312286987540?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/989448312286987540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=989448312286987540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/989448312286987540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/989448312286987540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/07/admiravel-brasil-novo.html' title='Admirável Brasil novo'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8132262724857510197</id><published>2010-06-04T15:29:00.002-03:00</published><updated>2010-06-04T15:32:04.945-03:00</updated><title type='text'>O Estado de Israel é a origem do ódio</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Breno Altman, no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1140"&gt;Opera Mundi&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li essa manhã um indignado &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiomalbergier/745365-odio-a-israel-ameaca-palestinos.shtml"&gt;artigo&lt;/a&gt; escrito pelo jornalista Sérgio Malbergier, intitulado “Ódio a Israel ameaça palestinos”. O autor aborda o repúdio internacional contra o ataque israelense à frota humanitária que se dirigia a Faixa de Gaza. “Como judeu, descendente de avós que perderam pais e irmãos no Holocausto nazista, é de embrulhar o estômago ver a guerra mundial contra Israel”, afirma o colunista da Folha.com.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos pontos em comum. Também sou judeu. Meus avós, como os dele, igualmente perderam irmãos e parentes na Europa ocupada pelo nazismo. Mas considero inaceitável e indigno que o Holocausto sirva de álibi para que o Estado de Israel comporte-se com o povo palestino com a mesma arrogância e a mesma crueldade que vitimaram os judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde Malbergier consegue ver “guerra mundial contra Israel”? Protestos e moções são comparáveis aos tiros que receberam os passageiros das embarcações pacifistas? A tímida resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas tem alguma equivalência com o terrorismo de Estado que se manifesta nas atitudes do governo israelense?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema talvez não seja de estômago embrulhado, mas de vista embaçada. Quem sabe o dr. Greg House possa diagnosticar a cegueira que acomete meu patrício. Afinal, como deveriam reagir os homens e mulheres de bem a mais esse ataque covarde? Batendo palmas? Aceitando as mentiras de Netanyahu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Malbergier não se contenta em justificar os crimes sionistas com o escudo do Holocausto. Recorre à surrada fórmula do antissemitismo: “Não é possível distinguir o Estado judeu dos judeus. Odiando-se um, odeia-se os outros.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arvora-se o autor a falar em nome de todos os judeus? Não em meu nome. Tampouco no de incontáveis judeus que deram suas vidas pelas boas causas da humanidade e jamais aceitariam ver sua biografia misturada a defesa de um Estado comprometido até a medula com a opressão de outro povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Israel está se convertendo em uma nação pária, que Malbergier procure a responsabilidade por essa situação entre os malfeitos do sionismo, pois foi essa corrente que construiu o Estado de Israel à sua imagem e semelhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Governo após governo, desde 1948, o Estado de Israel viola resoluções internacionais e dedica-se a expandir suas fronteiras muito além da partilha da Palestina aprovada pelas Nações Unidas em 1947.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dos atentados terroristas, realizado em abril de 1948, foi o massacre da aldeia de Deir Yassin, nas proximidades de Jerusalém, quando mais de duzentos palestinos desarmados foram trucidados por forças sionistas paramilitares. Dali por diante essa foi a marca do comportamento de sucessivas administrações israelenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ódio colonizador do Estado sionista, os palestinos responderam com o ódio dos desvalidos. Muitos de seus atos são injustificáveis e condenáveis, pois o terror contra a população civil é crime contra a humanidade. Mas o ovo da serpente, onde tudo começou, está na recusa de Israel em aceitar o direito à independência e à soberania do povo palestino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escalada da violência só irá terminar quando esse direito estiver assegurado. O Estado de Israel atravessou décadas na ilegalidade porque sempre contou com a salvaguarda da Casa Branca para seus atos de pirataria. Apenas se sentará com seriedade na mesa de negociações se essa proteção acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O temor de muitos judeus que defendem o Estado de Israel é que, dessa vez, seu país de reverência tenha ido além da conta. Diante do risco, ainda pequeno, de que a era da impunidade chegue ao fim, apontam seu dedo acusatório e ameaçador contra as vítimas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8132262724857510197?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8132262724857510197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8132262724857510197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8132262724857510197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8132262724857510197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/06/o-estado-de-israel-e-origem-do-odio.html' title='O Estado de Israel é a origem do ódio'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-5953160145677161951</id><published>2010-02-28T15:02:00.001-03:00</published><updated>2010-02-28T15:04:06.702-03:00</updated><title type='text'>As contradições de Lula</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/contradicciones/Lula/elpepiint/20100226elpepiint_5/Tes"&gt;El País&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte do dissidente cubano Orlando Zapata poucas horas antes da chegada de Luiz Inácio Lula da Silva a Havana deixou patentes as contradições da diplomacia brasileira na hora de pressionar, como potência regional que é, a favor da proteção dos direitos humanos ou das liberdades civis. Lula foi capaz de fechar suculentos acordos comerciais com Havana e ao mesmo tempo ignorar o pedido da dissidência para interceder junto aos irmãos Castro - "Lula faz negócios sobre os cadáveres", dizia ontem uma tribuna do jornal "O Estado de S. Paulo". O mesmo ocorre com a Venezuela, onde a influência que Lula exerce sobre Chávez nunca serviu para aliviar a situação da oposição em Caracas. Brasília gritou devido à permissividade da Colômbia para o uso de suas bases aéreas por parte dos EUA, mas nada disse sobre a iminente compra de armas russas pela Venezuela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No recente conflito em Honduras, Brasília teve a primeira oportunidade de demonstrar sua influência fora da América do Sul. Mas a crise saiu do ponto morto depois da intervenção dos EUA. No Haiti, as tropas brasileiras têm o comando da primeira missão da ONU a cargo de forças latino-americanas. Mas depois do terremoto foi a Casa Branca que mobilizou milhares de soldados para organizar a chegada da ajuda humanitária. Por enquanto, os resultados da política externa brasileira se destacam mais pelos empréstimos do banco de desenvolvimento BNDES ou pelos investimentos da Petrobras e da construtora Odebrecht do que pela defesa das liberdades na América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuba é uma grande oportunidade para Brasília demonstrar sua liderança regional à margem das ideologias e para "projetar na atuação internacional do Brasil a confiança no potencial transformador da sociedade democrática", como diz o assessor especial de Assuntos Internacionais da presidência brasileira, Marcel Fortuna Biato, em um artigo publicado em outubro na revista "Política Exterior". "Em um mundo que abandona antigos paradigmas econômicos e quebra mitos ideológicos, reforçar a confiança e dissolver os receios, atrever-se a criar novos vínculos de interesse e vantagem mútuos, sobretudo com países vizinhos, deve ser o eixo da política externa brasileira. Chamamos isso de 'paciência estratégica'", explica Fortuna Biato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma visita de Lula a Havana no início de 2008, o analista político do jornal "Folha de S.Paulo" Kennedy Alencar adiantou que os Castro tinham escolhido o Brasil para ajudá-los a melhorar as relações com Washington e, se fosse o caso, para ajudar o regime na hora de empreender mudanças políticas e econômicas. Em troca, Lula pediu a Raúl uma maior abertura política para demonstrar ao mundo que Havana estava disposta a fazer uma verdadeira transição democrática, e não só reproduzir o modelo chinês - abertura econômica sob um férreo controle político. Mas Lula chegou na quarta-feira a Cuba mais interessado no comércio do que nos direitos civis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ser membro de todos os clubes das potências emergentes - o G20 e os BRIC (junto com Rússia, Índia e China) - e de ter exercido um papel chave para evitar que o sangue chegasse ao rio no confronto entre Venezuela e Colômbia e no conflito civil boliviano, o Brasil tem outra oportunidade de consolidar sua liderança mundial com a crise iraniana. Pode pressionar Teerã para que seja transparente no que se refere ao desenvolvimento do programa nuclear. Até agora Brasília se escudou na "não ingerência" nos assuntos de outro Estado soberano. A cautela pode ser compreensível, mas Lula deveria ter em mente que sobre o ministro da Defesa do governo iraniano, Ahmad Vahidi, pesa uma ordem de captura da Interpol solicitada pela Argentina, o principal parceiro comercial do Brasil no Cone Sul, por sua suposta participação no atentado contra a mutual judia em Buenos Aires em 1994, no qual morreram 85 pessoas. A "paciência estratégica" tem suas contradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2010/02/27/opiniao-as-contradicoes-de-lula.jhtm"&gt;UOL Internacional&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-5953160145677161951?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/5953160145677161951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=5953160145677161951' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5953160145677161951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5953160145677161951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/02/as-contradicoes-de-lula.html' title='As contradições de Lula'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-452179995238105516</id><published>2010-02-21T11:59:00.002-03:00</published><updated>2010-02-21T12:05:53.919-03:00</updated><title type='text'>A misteriosa sacolinha brasileira de Madonna</title><content type='html'>Da coluna de Mônica Bergamo, na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u696805.shtml"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hello... Ir ao camarote da Brahma no Carnaval? Yeah, se vocês doarem US$ 1 milhão para os meus projetos sociais, eu passo duas horas lá. Bye, bye!" Era a cantora Madonna ao celular, na linha com um representante da AmBev, em conversa ouvida por empresários de SP que estavam com ela para negociar apoio à ONG Success for Kids (SFK, sucesso para crianças), na semana passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde novembro de 2009, quando veio ao país, subiu o morro, almoçou e jantou com milionários e bilionários brasileiros e distribuiu sorrisos ao lado de políticos, a popstar já arrecadou cerca de US$ 10 milhões para a entidade. Mesmo amplamente divulgada, a peregrinação suscitou dúvidas. Apagados os holofotes dos encontros, as quantias em dinheiro já foram depositadas? Em que conta? E como serão usadas? Em benefício de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A SFK tem uma diretora no Brasil, Estela de Wulf, que contribui pouco para os esclarecimentos. A Folha tenta entrevistá-la há mais de dois meses, mas Estela diz que está ocupada e que não pode responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta-feira, sua assessoria de imprensa enviou um texto de apresentação da ONG, segundo o qual a entidade trabalha no "desenvolvimento socioemocional, físico e intelectual" de crianças de 8 a 12 anos, que aprendem ali "que suas realidades são resultado de suas próprias escolhas, e não do meio ou das circunstâncias em que vivem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos mais específicos, o trabalho é levar lições da cabala (vertente mística do judaísmo) a garotos pobres. Se há algum tipo de caridade, a ONG não detalha qual é. O texto diz também que a organização está no Brasil desde maio de 2008 e, de lá para cá, adaptou suas aulas "para as necessidades locais", capacitou quatro professores e promoveu 22 cursos-piloto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das doações prometidas, pouca coisa já saiu das cartas de intenções. A EBX, empresa do bilionário Eike Batista, diz que, dos US$ 7 milhões (cerca de R$ 12,8 milhões) anunciados, "US$ 500 mil serão doados em cash (dinheiro vivo)". "Serão", no futuro. E os outros US$ 6,5 milhões? A empresa diz que a SFK receberá o montante "de acordo com o atingimento de metas" de seus programas sociais. E por que Batista foi tão generoso com o pleito de Madonna? "A proposta de trabalho de desenvolvimento da autoestima das pessoas foi considerada apropriada para o apoio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banqueiro Luis Octavio Indio da Costa prometeu US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,8 milhão) em nome de seu banco, o Cruzeiro do Sul. Vai dar a quantia em 24 parcelas de US$ 41,6 mil (cerca de R$ 76 mil), porque "evidentemente, a gente quer ver como esse dinheiro é aplicado". E acertou com Madonna que será um "arrecadador informal" da SFK junto aos amigos endinheirados de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a AmBev informa que depositou US$ 1 milhão em conta da instituição no Brasil no dia 12, quando seu presidente, João Castro Neves, foi fotografado com a estrela ao lado de um cheque gigante. No domingo de Carnaval, ela cumpriu a promessa do telefonema: brilhou na Sapucaí usando camiseta com a marca da cervejaria. O sucesso do investimento de marketing foi claro. E o social? "Pelo que me contaram, a Success for Kids já desenvolve projetos em 15 escolas de SP há dois anos e está há seis meses no Rio. O trabalho dela tem resultado", diz Castro Neves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ONGs Meninos do Morumbi e Lua Nova, de SP, e Energia Olímpica, do Rio, três das seis "parceiras" citadas no texto de divulgação da SFK, a opinião é outra: todas criticam a entidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Há dois anos, a SFK dá um curso que passa valores éticos e morais aqui. Mas nós entramos com toda a logística, o material. Eles oferecem professores e monitores", diz Flávio Pimenta, fundador da Meninos do Morumbi. "Parece que todo rico e famoso tem que fazer o bem por uma questão de marketing. Ajudar as pessoas é um trabalho muito mais profundo e difícil. As pessoas não podem oferecer o resto. A Madonna ajudaria mais com uma escola de música e dança. Como o Pelé faria se criasse uma escolinha de futebol."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto Energia Olímpica, do Morro dos Cabritos, no Rio, cujas crianças se apresentaram para Madonna no hotel Fasano, já recebeu o curso "As Regras do Jogo da Vida", mas diz que nunca foi "ajudado" pela organização. "Quando falam que o nosso projeto é da SFK, é um abalo para a relação com os nossos apoiadores de fato", afirma o coordenador Marcelo Sauaia. Por enquanto, só uma turma foi formada. "A SFK ficou de nos contatar para montar outras, mas até agora nada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madonna também conheceu as alunas atendidas pela ONG Lua Nova, de Araçoiaba da Serra (SP), mas "nunca deu um tostão e nem tem previsão de dar", diz a fundadora Raquel Barros. Para assistir às aulas na capital, uma das turmas teve de viajar com transporte pago por empresários que ajudam a Lua Nova. Raquel diz que pretende discutir com a SFK como se dará esse novo apoio. "Se vai apoiar, quero que fique claro como será. Vivemos de captação de recursos e fica difícil conseguir dinheiro quando dizem que a Madonna já está ajudando", pondera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em SP, Madonna foi recebida pelo governador José Serra (PSDB). Antes do encontro, até o gabinete dele foi vistoriado pela segurança da cantora. O resultado foi uma promessa de parceria: aulas da SFK dentro do programa Escola da Família (de esporte e lazer em colégios estaduais aos finais de semana). A ideia veio do secretário da Educação, Paulo Renato Souza, que explica o que ouviu na reunião: "Disseram que a ONG tem trabalhos em vários países, boa avaliação de auditoria de empresas internacionais. Estão aplicando, aqui em SP, experimentalmente, parece que com bons resultados".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tal parceria, contudo, é menos concreta do que sugerem as fotos do encontro. "Nós precisamos examinar qual é o conteúdo do programa. Se houver algum tipo de proselitismo religioso, aí temos que estudar o assunto com mais cuidado."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-452179995238105516?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/452179995238105516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=452179995238105516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/452179995238105516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/452179995238105516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2010/02/misteriosa-sacolinha-brasileira-de.html' title='A misteriosa sacolinha brasileira de Madonna'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-5326520493155679018</id><published>2009-12-11T17:48:00.004-02:00</published><updated>2009-12-11T19:07:05.911-02:00</updated><title type='text'>'Não existe aquecimento global'</title><content type='html'>Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: "perder meu tempo?" Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O oceano Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Depende de como se mede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Mede-se errado hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Há. Umas seis semanas atrás, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento que não é verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões? Não vai mudar absolutamente nada no clima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que "abana o rabo" para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: Mas o mar não está avançando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: O senhor viu algum avanço com o Protocolo de Kyoto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles (governos) estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/"&gt;UOL Ciência e Saúde&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-5326520493155679018?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/5326520493155679018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=5326520493155679018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5326520493155679018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5326520493155679018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/12/nao-existe-aquecimento-global.html' title='&apos;Não existe aquecimento global&apos;'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-2745589001838446537</id><published>2009-11-27T11:48:00.001-02:00</published><updated>2009-11-27T11:59:07.147-02:00</updated><title type='text'>Imigrante com teto</title><content type='html'>Lucas Mendes, na &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/11/091126_lucasmendes_tp.shtml"&gt;BBC Brasil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imigrante ilegal brasileiro tem dois grandes sonhos: casa própria no Brasil e ser legal nos Estados Unidos. Os jovens vivem na dúvida. Reclamam do trabalho duro, mas mandam dinheiro para o Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais velhos que não falam inglês querem voltar. Não param de reclamar da vida nos Estados Unidos. Muitos voltam, com dinheiro, sem inglês, menos português e passam o resto da vida reclamando do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três babás que cuidaram dos meus filhos, todas já senhoras, caíram fora tão logo juntaram o suficiente para comprar o apartamento. Não paravam, nem param, de se queixar da vida. Ruim aqui que nem aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhavam muito e não gastavam nada. Vidas miseráveis, sempre com medo de que aquele dinheiro vivo acumulado no colchão fosse roubado. Odiavam ter contas em bancos e não confiavam em ninguém. Quem dorme bem em cima de US$ 10 ou 20 mil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se consolavam falando sobre amigas que trabalhavam em regime de semi-escravidão em casas de patrões ricos que confiscavam os passaportes, pagavam US$ 100 por semana e achavam que as empregadas deveriam estar agradecidas porque moravam em Nova York, tinham TVs, usavam cosméticos de madames e faziam poupança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 90 surgiram vários escândalos e um deles, envolvendo um casal de milionários indianos, virou manchete. A empregada vivia presa no porão. Quando reclamava, apanhava. Um dia conseguiu escapar, o casal foi parar na prisão e vários outros casos de abusos foram expostos. Desde então, tem sido raros os escândalos, mas as máfias chinesas estão a todo vapor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A China, cada vez mais rica, é também uma das grandes exportadoras de imigrantes ilegais. Chineses pagam até US$ 70 mil para entrar nos Estados Unidos, tornam-se escravos até que a dívida seja paga. Na Chinatown, em Manhattan, muitos têm apenas uma cama onde podem passar oito horas porque é dividida, sem mudar lençóis, com outros dois miseráveis nas 16 horas seguintes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recessão afetou os brasileiros e a área de construção foi a mais derrubada. Não há números de quantos voltaram, mas uma medida confiável é a quantidade de dólares remetidos para o Brasil. O número começou a crescer no ano 2000, chegou a US$ 7 bilhões em 2008, mas no último ano caiu quase 5%. Não é um número brutal. Tragédia maior é dos mexicanos, que mandavam US$ 23 bilhões por ano. O New York Times agora publica matérias com mães mexicanas que mandam dinheiro para os filhos nos Estados Unidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que mandam dinheiro para sustentar família ou fazer poupança, o pior foi a desvalorização do dólar. Quando Marcélio chegou aqui em 2005, o dólar estava a três por um. Hoje está por volta de 1,70. Ele trabalha em construção de casas em Nova Jérsei e diz que hoje trabalha 70% menos do que há três anos. Começou a sentir a bolha imobiliária em 2006. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No inverno, trabalha dois dias por semana, só dá para pagar o essencial, mas Marcélio este mês é pioneiro num programa criado pela Caixa Econômica Federal, que viu uma oportunidade de ajudar e ganhar às custas do imigrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, criou o Crédito Imobiliário para Emigrantes. O esquema é simples e bem bolado. O imigrante abre uma conta de poupança na Caixa - pessoalmente ou por procuração - e se compromete a fazer remessas de um valor fixo por 12 meses. Se faltar um mês, precisa recomeçar da estaca zero. Quando completa um ano, escolhe a casa e a Caixa financia 60% em 180 meses por 11,90% ao ano. Quem quiser, pode fazer remessas menores ou maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelio é de Poços de Caldas e escolheu uma casa de R$ 120 mil. Seu pagamento mensal, dependendo do câmbio, está por volta de US$ 700 por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poupança é calculada em reais e o pagamento dele fica na faixa de US$ 1.200 por mês. A casa tem 180 metros quadrados num bairro bom da cidade. Com o esquema da Caixa, ele diz que planeja voltar daqui a três anos. Se tivesse de fazer sua própria poupança, calcula que teria de malhar pelo menos mais oito anos ralando na construção em Nova Jérsei. Soube do plano pelos jornais locais. Vai voltar para construir em Poços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construção é trabalho gratificante pelos dólares. Na década de 80, fiz uma reportagem sobre um brasileiro que ficou rico com pouco mais de 40 anos. Vivia num casão. Tinha cara de 70. Trabalhava em construção de estradas, casas e piscinas. Não gastava nada, nem permitia que as duas filhas fossem à escola porque iam descobrir droga e sexo. Eram primitivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Caixa não resolve este tipo de problema. Nem o da legalização dos papéis - green card e cidadania - mas realiza o sonho da casa própria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-2745589001838446537?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/2745589001838446537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=2745589001838446537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2745589001838446537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2745589001838446537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/11/imigrante-com-teto.html' title='Imigrante com teto'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8153123876615332677</id><published>2009-11-02T12:47:00.003-02:00</published><updated>2009-11-02T12:55:29.699-02:00</updated><title type='text'>Almas gêmeas cinematográficas</title><content type='html'>Mark Harris no &lt;a href="http://www.nytimes.com/2009/11/01/movies/01harr.html?_r=1&amp;scp=1&amp;sq=Penelope%20Cruz%20and%20Almodovar&amp;st=cse"&gt;New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada numa suíte de hotel no East Side no começo de outubro, de frente para o diretor e escritor Pedro Almodóvar, Penélope Cruz pegou uma revista grande com papel brilhante e olhou com admiração para a foto de Uma Thurman na capa. "Ficou bom", diz ela, mostrando-a para Almodóvar, com os olhos buscando sua aprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se inclina para olhar, observando com entusiasmo a pose de Thurman e seus cabelos loiros curtos. "Sim, sim", diz ele para Cruz, acelerando do inglês para o espanhol enquanto sua mente começava a percorrer trechos de celulóide. "As atrizes, quando chegam perto dos 40, cortam seus cabelos. Isso sempre as faz parecer mais jovens. Lembra-se de Sharon Stone? Como ela cortou o cabelo quando tinha uns 40, 42? Ficou bom!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento, ele parecia fascinado pela capa, à medida que a imagem de Thruman entrava em sua mente, para ser colada e indexada entre milhares de outros retratos mentais de atrizes. "É verdade", disse ele, rindo. "Sou verdadeiramente fascinado por atrizes, por tudo o que elas fazem, até pelo camarim, que é o sanctum sanctorum de qualquer atriz. E sou especialmente fascinado por atrizes que interpretam atrizes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é exatamente o que Cruz faz em "Abraços Partidos", a quarta colaboração entre ela e Almodóvar - e, segundo ela, a mais difícil. No filme, que fechou o Festival de Cinema de Nova York neste outono e estréia nos cinemas em 20 de novembro, ela interpreta Lena, amante de um homem rico, que tem a chance de realizar, por um breve momento, seu sonho há muito acalentado de se tornar uma estrela de cinema ao se envolver romanticamente com um diretor (Lluis Homar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lena, uma figura angustiante sem uma identidade formada e muito ansiosa para se tornar outra pessoa (no começo do filme, ela é vestida e penteada como Audrey Hepburn), é "talvez o personagem mais triste que eu já escrevi", diz Almodóvar. "Ela tem um passado do qual não gosta nada, e quando descobre que pode representar outra pessoa, é como se ganhasse uma nova vida. Ela é dura - um anjo caído. E este é o maior desafio que eu já dei a Penélope até agora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filmes de Almodóvar com Penélope Cruz frequentemente encontravam um ponto de doçura em que os cenários ornamentados do melodrama eventualmente caíam por terra para revelar emoções e motivos mais profundos e complexos. Eles também ofereceram a Cruz algumas das oportunidades mais enriquecedoras. No thriller de 1997 "Carne Trêmula", ela domina os primeiros dez minutos interpretando uma prostituta pobre na Madri dos anos 70 que dá a luz num ônibus urbano. Dois anos depois, quando ele recrutava atores para o filme "Tudo Sobre Minha Mãe", que ganharia o Oscar por melhor filme em língua estrangeira, Almodóvar a chamou novamente, desta vez para interpretar uma freira. Embora tivesse um caso com um travesti e contraísse o vírus da Aids, ela continuava sendo a presença mais doce e pura do filme. "Fiquei surpresa quando ele me disse qual era o papel", lembra-se. "Mas pensei, 'Só Pedro pode tornar isso real, porque ele não julga nenhum desses personagens'."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no drama "Volver" de 2006, Cruz ganhou sua primeira nomeação para o Oscar por interpretar uma viúva determinada que era um amálgama das mulheres da infância de Almodóvar em La Mancha, mesmo com uma pitada de Sophia Loren para colocá-la em meio a narrativa da história do cinema que é tecida ao longo de todo o seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alguém me perguntou: 'Ela é sua musa?'", disse Almodóvar, cujas colaborações de longa duração com atrizes, começando com Carmen Maura durante os anos 80, foram notoriamente frutíferas e às vezes tão voláteis quanto. "Bem, sim. Ela é uma musa para mim no sentido de que uma musa é alguém que o torna melhor do que você é. Acho que sou um diretor melhor com ela, porque ela acredita que eu sou melhor do que eu sou, e essa fé cega me dá muita força."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, não", responde Cruz, balançando a cabeça e sorrindo calmamente. "Eu sei exatamente o quanto você é bom."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A química que Almodóvar, 60, e Cruz, 35, compartilham pareceria quase romântica se ele não fosse um dos diretores mais assumidamente gays do mundo e ela não estivesse ligada ao ator Javier Bardem segundo os tablóides. (Questionada se o casamento está nos planos, ela disse, com um sorriso agradável e olhos frios como aço: "Você escreve para o The New York Times, não é? Acho que você não deveria fazer esse tipo de pergunta.") A relação fácil e afetuosa entre eles se desenvolveu durante metade de vida de Cruz - ela tinha 17 anos quando encontrou o diretor pela primeira vez, que a rejeitou para o papel de uma mulher de 35 anos em sua comédia "Kika" de 1993, mas disse que a chamaria dentro de alguns anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seus três primeiros filmes, ela mergulhou nas ondas emocionais de cada novo papel - "Nos filmes de Pedro, ou eu estava morrendo ou tendo filhos", disse - e a afinidade entre os dois cresceu. Quando ela ganhou o prêmio por melhor atriz coadjuvante pelo filme "Vicky Cristina Barcelona" de Woody Allen no ano passado, ela agradeceu efusivamente a Almodóvar. E embora pretenda experimentar a direção um dia - "Talvez daqui a dez anos", sugeriu; "Acho que mais cedo", ele respondeu -, ela disse que só faria isso com a bênção de Almodóvar. "Você leva jeito!", disse ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se "Abraços Partidos" não desgastou a ligação entre os dois, ainda assim foi exigente. "Este foi o filme em que eu mais chorei entre as tomadas", disse Cruz. "A energia desse personagem e sua forma de se expressar é muito diferente da minha. Sou muito mais como a personagem que interpretei em 'Volver'. Ela era sólida, forte, como as mulheres com as quais eu cresci. Mas para esse personagem, Pedro queria sempre o que quer que fosse que eu estava sentindo logo antes ou logo depois do choro - foi nesses momentos que eu a encontrei."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almodóvar teve prazer mesmo nos dias mais difíceis de filmagem. "Todas as dificuldades que as atrizes têm no momento em que estão atuando de fato me interessam", disse ele. "Nesse momento, o diretor é como o marido, o amante, o amigo, a mãe, o pai, o psiquiatra. Mas também há um ponto em que o diretor tem de ser terrivelmente cruel, porque as atrizes às vezes têm de enfrentar seus próprios demônios. E então, o diretor tem de ser o carrasco. Carrasco - é essa a palavra certa?" Ele olha para Cruz à espera de confirmação e ela sorri. "Não sei por que estou dizendo essas coisas em frente de Penélope! Porque esse não é o nosso caso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É verdade!" diz ela. "Minhas lágrimas foram por causa das frustrações dessa mulher que eu estava interpretando, não por causa dele."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quase todos os trabalhos de Almodóvar são, num nível subtextual, filmes sobre filmes, "Abraços Partidos" leva isso mais adiante ao tomar o mundo do cinema explicitamente como tema. O personagem de Cruz oferece coração e pathos, mas o motor da narrativa reside na história de um diretor lutando contra o pesar, a depressão e a fraqueza física para terminar um filme que estava incompleto há 15 anos - uma comédia que se esforça para emergir de uma tragédia. "No começo eu não estava consciente, mas no final percebi que esta é a minha carta de amor para o cinema", disse Almodóvar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para uma carta de amor, é notavelmente triste. De fato, os vislumbres que temos do filme dentro do filme, uma brincadeira barulhenta e de cores brilhantes chamada "Chicas y Maletas" ("Garotas e Malas") que pretende evocar o sucesso internacional do diretor em 1888 com "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", só serve como lembrete alarmante de quanto os seus filmes se tornaram mais melancólicos. "Este é certamente o filme mais austero que eu já fiz", disse. "E talvez desaponte pessoas que esperam de mim um tipo mais extravagante de direção. Acho que é verdade, meus filmes são mais tristes agora, e ainda assim uma coisa que esse filme diz é que a vida não é perfeita, mas o cinema pode a tornar um pouco menos imperfeita."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a The New York Times Magazine entrevistou Almodóvar há dez anos, o repórter observou que "de fato ele se esforça para parecer mais novo do que sua idade verdadeira: às vezes ele se veste como adolescente" e tinge seu cabelo de castanho. Hoje, o cabelo de Almodóvar está grisalho (embora tenha uma quantidade impressionante) e suas roupas são mais discretas. Sim, ele tem algumas rugas, mas tédio, fraqueza e resignação ainda não parecem ter encontrado um lugar para se instalar em seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem a qualidade tristonha do seu último trabalho está refletida em seu comportamento exuberante. Ele insiste que há otimismo mesmo em "Abraços Partidos", e enquanto fazia o filme, gostou tanto de revisitar "Mulheres à Beira" que fez algumas cenas extras para "Chicas y Maletas" ("algo bem sujo e ultrajante, como os filmes que eu fazia no começo dos anos 80", disse ele) para acrescentar ao DVD. Ele também está atuando como consultor de uma versão para o palco de "Mulheres à Beira", que será dirigida por Bartlett Sher (vencedor do Tony em 2008 por "South Pacific") e escrita por David Yazbek ("The Full Monty" na Broadway) e Jeffery Lane. Uma adaptação não musical para o palco de "Tudo Sobre Minha Mãe", na qual Diana Rigg estrelou em Londres, também pode ir para Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eventualmente, Almodóvar começará a trabalhar num novo roteiro; ele normalmente escreve oito ou dez esboços e começa a escolher as atrizes por volta do terceiro. Ele vem dirigindo filmes a cada dois ou três anos e até agora está cumprindo a promessa que seu alter ego cinematográfico fez em "Abraços Partidos": nada de sequências, refilmagens ou filmes biográficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última categoria é tentadora, especialmente quando Almodóvar fala em detalhes sobre a vida do filho transsexual de Ernest Hemingway, Gregory (que depois se tornou Glória). Touradas! Mudança de gênero! Imagine o figurino! Ele não é, no mínimo, intrigante? "Nada de filmes biográficos!", disse ele firmemente. "Nada de biografias, sequências, filmes de herói, filmes de anti-herói, e definitivamente nenhum filme de super-herói. Todo o resto eu posso fazer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Internacional&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8153123876615332677?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8153123876615332677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8153123876615332677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8153123876615332677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8153123876615332677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/11/penelope-e-almodovar-almas-gemeas.html' title='Almas gêmeas cinematográficas'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6259819650115598310</id><published>2009-10-31T11:51:00.002-02:00</published><updated>2009-10-31T11:54:28.705-02:00</updated><title type='text'>Bastardos gloriosos</title><content type='html'>João Pereira Coutinho, na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1310200915.htm"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio de casa para assistir a "Bastardos Inglórios", o último filme de Quentin Tarantino. Trinta minutos depois, a dúvida metafísica: sair ou não sair, eis a questão. Decido ficar. Decido bem. A minha saúde pode não aguentar tanta risada. Mas, ó deuses, se eu morrer agora, morrerei feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E morrerei feliz pelas exatas razões que perturbaram a crítica "séria" e "moralista", sobretudo na Europa. Quentin Tarantino parodiou a Segunda Guerra Mundial e transformou os judeus nos verdadeiros carrascos do processo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu reino não é deste mundo. Envio apenas um conselho aos filistinos: quem quer saber história, estuda e lê história. Salas de cinema são salas de cinema. Repitam comigo. E repitam também: "Bastardos Inglórios" é, primeiro que tudo, um filme sobre o cinema. Ou, precisando, um filme sobre o poder literalmente salvífico e redentor que o cinema tem sobre a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa por ter esse poder na própria transfiguração da verdade. Vocês, caros leitores, estão habituados a filmes sobre o Holocausto onde os judeus são meros carneiros nas matanças nazistas? Filmes de um sentimentalismo vulgar que apenas diminui o sofrimento real e inimaginável, e por isso mesmo infilmável, dos judeus na Segunda Guerra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bastardos Inglórios" começa por subverter o clichê: os judeus, agora, não são apenas vítimas; também são vingadores, matando nazistas com uma violência paródica e catártica. Liderados por um "redneck" da América profunda (Brad Pitt, primoroso), eles aterram na França ocupada para matar alemães como se matam ratazanas. À paulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente às pauladas, encontramos também uma sobrevivente judia e francesa, Shosanna (Mélanie Laurent, primorosa), que também ajuda os "Bastardos". Depois de ver a própria família massacrada pelas "ratazanas", ela resolve tratar do assunto montando a sua vingança. Pelas chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil aceitar essa inversão essencial de papéis. Desconfio, aliás, que é exatamente por isso que a política defensiva de Israel, hoje, continua a provocar tanta fúria na consciência piedosa do mundo. Como é possível que os judeus, nossos eternos cachorrinhos de estimação, sejam também lobos contra os seus inimigos? Gostamos das vítimas enquanto elas são vítimas. Tarantino explode essa covardia suave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas "Bastardos Inglórios" não se limita a usar o cinema para conceder uma retribuição fantasiosa às vítimas da história. Em "Bastardos Inglórios", é também no cinema, espaço físico de destinos alternativos, que se constrói um desfecho histórico alternativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabemos o que teria sucedido à Alemanha se Hitler tivesse sido eliminado em 1939, ou em 1943, ou em 1944: três datas, três tentativas sérias. Provavelmente, o Reich teria desabado mais cedo. Mas sabemos que, em "Bastardos Inglórios", Hitler e seus gângsteres são eliminados na sala de cinema. Como se a sala de cinema fosse também um tribunal último, capaz de repor um simulacro de Justiça num mundo tão radicalmente injusto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe humor em Tarantino. Existe violência. Existe, palavra essencial, extravagância. Mas o amor ao cinema, como arte e possibilidade, é provavelmente maior do que a soma das três partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse humor, disse violência, disse extravagância exatamente por essa ordem. Reitero. Esse trio explica a minha estima literária por Tarantino, um diretor que, antes de pensar com imagens, pensa com palavras. Haverá algum diretor vivo que escreva diálogos como Tarantino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, Woody Allen seria um nome válido. Mas Woody Allen é um mestre do "punch line", essa procura desesperada da piada inesperada. Tarantino é um mestre das preliminares. Ele sabe que a piada está no adiamento da piada. Por isso os diálogos de Tarantino nos parecem tão luminosos, no sentido espiritual do termo: eles são a última exibição de racionalidade antes da carnificina irracional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Cães de Aluguel", os bandidos discutem o significado real do tema "Like a Virgin", de Madonna, momentos antes do assalto bancário que corre barbaramente mal. Em "Pulp Fiction", meditamos com Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta) sobre o significado sexual de uma massagem nos pés, momentos antes de massacrarem um grupo de pagadores relapsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Bastardos Inglórios", esse prazer sádico de esticar a corda é cultivado da primeira à última sequência. Como se os diálogos fossem meras antecâmaras de uma violência que se promete e anuncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quando ela chega, nunca a expressão "comic relief" foi tão apropriada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6259819650115598310?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6259819650115598310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6259819650115598310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6259819650115598310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6259819650115598310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/10/bastardos-gloriosos.html' title='Bastardos gloriosos'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-3501507215021952277</id><published>2009-10-20T01:27:00.006-02:00</published><updated>2009-10-31T12:02:00.148-02:00</updated><title type='text'>O rei do Rio</title><content type='html'>Trajetória do homem mais rico do Brasil, que agora sonha em controlar a Vale, combina superstição e obstinação em negócios ao redor do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mineiro Eike Fuhrken Batista, 52, há tempos não se lembra dos seus sonhos. No último que a memória guardou, ele voava. "Sozinho?", pergunta o interlocutor. "Sozinho! O Super-Homem não voa?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não esqueceu os sonhos que o embalavam aos 16 anos. Na escola na Alemanha, onde morava com a família, descobria nos livros a saga de Francisco Pizarro, o espanhol que saqueou o ouro dos incas na América do Sul do século 16.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aquilo me fascinava, a história de salas cheias de barras de ouro", conta. "Eu me transferia para o ambiente e parecia que segurava aquele negócio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando uma cartomante carioca sugeriu-lhe no crepúsculo do século 20 que acorresse a Cusco, a capital do Império Inca, Eike (pronuncia-se "Aique") voou até o Peru. Em obediência às instruções, deitou-se de barriga para cima em um campo de futebol e mirou o céu por cinco minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ela disse que iria reordenar o cosmos, a linha da vida seria reajustada." E funcionou? "Acho que sim, está tudo bem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em Cusco, um guia apresentou-o a uma índia bruxa. Ela pediu que Eike comprasse um saquinho de folhas de coca. A feiticeira soprou-as e pontificou sobre o pai do visitante, saúde e outros assuntos. "Foi interessante", recorda Eike, no restaurante chinês Mr. Lam, estabelecimento no Jardim Botânico, zona sul do Rio, que ele fundou e no qual investiu R$ 8 milhões. Abaixo da edificação, mandou cravar uma barra de cobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A providência destina-se a espantar más energias, aplicando o feng shui, conhecimento chinês segundo o qual a disposição de objetos influi no cotidiano das pessoas. No seu escritório, em frente à praia do Flamengo, ele se senta voltado para a porta. "Você apara as energias (ruins) de quem vem de fora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desses desencontros, não guarda rancor de ninguém, assegura. A astrologia contribui para entendê-lo, ensina Eike, nascido em 3 de novembro: "Escorpião é muito amigo, leal com quem é leal com ele".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O lado vingativo, típico do escorpião, consegui dominar com a idade. Depois dos 30, quem rege mais você é o signo ascendente." O dele é capricórnio. Porém permaneceram, afirma, dons escorpianos de "tenacidade e perseverança".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lapida a sorte com o número 63, rebento do acaso. Em uma competição de lanchas, buscou o 3 e o 33, já ocupados. Sobrou o 63, com o qual definiria até os centavos nos lances de sua empresa OGX em leilões de blocos para exploração de petróleo. Consagrou-se campeão mundial em categoria da motonáutica. Alcançou no mar a velocidade de 270 km/h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ritmo, tornou-se o brasileiro mais rico e o número 61 do planeta, conforme ranking da revista "Forbes" divulgado em março. Seu patrimônio atingia US$ 7,5 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tanto dinheiro que, se ele se sentasse na gangorra diante do capo das comunicações italiano, Silvio Berlusconi, cada um pesando quanto vale, a balança penderia para Eike - o primeiro-ministro e sua família detinham US$ 6,5 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cifrões de Eike dariam para bancar sozinho o Bolsa Família neste ano. Dos 60 mais abastados que ele, só 11 são mais jovens. Bill Gates, 53, lidera a corrida com US$ 40 bi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contabilidade da "Forbes" se fundamentou em empresas de capital aberto. Na Bovespa, Eike controla quatro delas, sob as asas da holding EBX - como todas suas companhias, o nome se encerra com um xis, emblema destinado a augurar a multiplicação de riqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O logotipo é um sol, símbolo inca. A mesma imagem, moldada em ouro, Eike ostentava no pescoço no primeiro dos dois encontros com a Folha, em entrevista de 4 horas e 20 minutos no seu restaurante. Lá ele contou a história do primeiro milhão de dólares, amealhado com compra e venda de ouro do Pará; do primeiro bilhão, após oito minas de ouro no Brasil e no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projetou: com suas ações fortalecidas e somando bens ausentes da Bolsa, a fortuna já ultrapassa os US$ 20 bilhões, rumo a coroá-lo o capitalista mais fornido do mundo - a considerar o valor de anteontem do seu quinhão nas companhias de capital aberto (de 54% a 76% de cada uma), Eike detém o equivalente a US$ 24 bilhões em ações na Bovespa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na conversa, ele indagou ao repórter: "O que te surpreendeu nesta entrevista? Você me conhecia lendo coisas. O que não bate ou bate?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insistiu: "Deixa eu entrevistar você: o que as pessoas falam de mim por aí? O que eu sou?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos quatro dias seguintes, adquiriu a concessão da Marina da Glória, cartão-postal da cidade; a candidatura do Rio à Olimpíada de 2016 triunfou, após campanha cujo principal patrocinador individual foi Eike, com R$ 23 milhões; e sua companhia mais promissora descobriu indícios de petróleo na bacia de Santos. Só nessa operação, em sete horas de pregão da Bovespa, o controlador da OGX enriqueceu - em papéis - cerca de US$ 1,5 bilhão, soma superior às vendas da Renner ou da Goodyear no Brasil em 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliezer Batista da Silva presidiu a Companhia Vale do Rio Doce no governo Jânio Quadros, de 1961; foi ministro de Minas e Energia em 1962 e 1963, na administração João Goulart; no golpe de 1964, afastaram-no do comando da Vale; retomou a chefia da mineradora a partir de 1979, no mandato do general João Baptista Figueiredo; em 1992, Fernando Collor nomeou-o para a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Aos 85 anos, permanece um azougue intelectual à altura da legenda de estrategista da logística e do desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliezer foi um pai ausente. Inquirido sobre a asma de Eike, o segundo dos sete filhos que teve com a alemã Jutta, minimiza: "Não era muito forte". "Eu sofria de asma, de cair da cama e não respirar", contradiz Eike, ignorando o relato paterno. Ele se curou da doença graças a quem mais o influenciou, a mãe. Na Europa, Jutta obrigava-o a nadar mesmo em dias gélidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando eles eram menores, eu vivia viajando, não tinha quase contato", lamenta Eliezer (a sílaba tônica é a última). Só para o Japão, contabilizou 178 missões pela Vale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eike herdou da mãe toda a disciplina germânica, a persistência", diz Eliezer. "Ela pegava uma criança de três anos, botava para esquiar, jogava colina abaixo. Que mãe brasileira faz uma coisa daquela? Mas se cria gente dura. Modifica o caráter da pessoa." "Minha mulher foi criada na Juventude Nazista", confidencia o viúvo de Jutta, morta em 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio, aonde chegou depois de nascer em Governador Valadares (MG) e morar por pouco tempo em Vitória (ES), Eike estudou em colégio germânico. Na mudança para a Europa aos 12 anos, o alemão predominou como idioma doméstico, inclusive de Eliezer. Quando os pais retornaram para o Brasil, o graduando de engenharia Eike prosseguiu entre a cidade alemã Aachen e a capital belga, Bruxelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mesada curta - ele se define como classe média alta na juventude -, oferecia seguros residenciais de porta em porta. Desenvolveu um talento de vendedor, o de ouvir: além de alardear as virtudes dos seus produtos, assentia que senhoras segredassem alegrias e tristezas. Bombou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1979, de volta ao Brasil, embrenhou-se na Amazônia em compra e venda de ouro. Montou mina no meio da selva. Diz que recebeu um tiro pelas costas dado por um garimpeiro de quem cobrava dívida. Socorreram-no no hospital, e a herança foi uma cicatriz pequena. Tornou-se executivo e depois controlador da mineradora canadense TVX Gold. Foram duas décadas no ouro, concentrado no exterior. Eike afirma que, ao sair do Canadá em 2000, seu primeiro US$ 1 bilhão tilintou. Ele se despediu do ouro e redescobriu o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, disseminou-se no mercado um rumor que a Folha ouviu de concorrentes de Eike abrigados no anonimato: na década de 1980 e na expansão do grupo X, o pai o teria favorecido. Antes, com informações sigilosas sobre o mapa mineral. Hoje, como integrante dos conselhos das empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inexiste comprovação da primeira suspeita. Em relação à influência atual de Eliezer, quanto mais se aproxima do coração do negócio, evidencia-se que Eike dá as cartas.&lt;br /&gt;Executivos revelam que, na origem, Eliezer opôs-se à formação da petrolífera OGX e da recém-lançada OSX, que terá estaleiro em Santa Catarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eike se julga injustiçado: "Esse negócio que falam que meu pai me mostrou o mapa da mina. Que o meu pai é aquela pessoa brilhante, um oráculo do saber, e eu sou... É difícil". Nada que o impeça de pensar que Eliezer "fez coisas extraordinárias pelo Brasil" e de elegê-lo como ídolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai, homem de Estado, diz que o filho é vocacionado para a empresa e sempre quis superá-lo. E se sente feliz em saber que Eike conseguiu. Na privatização da Vale, em 1997, Eike ambicionou um naco. O pai demoveu-o, registra o filho, alegando que pegaria mal por ser parente de quem é. Agora, o acionista majoritário da mineradora MMX sonha controlar a Vale, a gigante de mais de R$ 200 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conselheiro de Eike sustenta que o projeto empresarial é deter o timão da Vale. Participação partilhada não faria sentido, pois não promoveria a sinergia com seus negócios de mineração, logística (portos), energia e petróleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medindo as palavras, Eike concede: "Se Steve Jobs falecer, eu vendo as minhas ações da Apple. Há empresas, negócios em que são poucos os criadores da riqueza". Traduzindo: uma fatia da Vale, mesmo que menos de 10%, só faria sentido se ele pudesse fermentar o bolo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, explicita: "Só interessa se for em posição de poder direcionar a criação de riqueza. Você tem que poder decidir como será tocada a companhia". Frustrou-se a primeira ofensiva, que a Folha revelou, pela parte do Bradesco. E aumentou o atrito com o presidente da Vale, Roger Agnelli, indicado pelo banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao evocar sua incursão pelo ouro no Amapá nos anos 1980, Eike disse que o Bradesco financiou parte da operação. "O curioso é que o banqueiro que ajudou a gente a abrir o capital... adivinha quem era?". Seria, na verdade, executivo: Agnelli. Rindo animadamente, Eike concluiu, em inglês: "Jesus Christ!". Vale e Agnelli não quiseram comentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na EBX, desconfiou-se de que o informante sobre as tratativas com o Bradesco a respeito da Vale tenha sido o banqueiro André Esteves. Eike mostrou ao repórter um torpedo que acabara de receber do dono do BTG Pactual. O banqueiro escreveu: há "inveja dos outros"; "missões impossíveis são certos companheiros de viagem"; "o convívio com pessoas como você alimentam minha vontade de fazer"; "te admiro muito, cara".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurado, Esteves não se pronunciou acerca da mensagem. "Brigar para quê?", pondera Eike. "André é um cara com cabeça diferenciada, fora da curva. Talvez tenha que medir a ambição um pouquinho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra hipótese de ingresso na Vale é assumir a participação de fundos de pensão de estatais. Irritado com demissões na mineradora, o presidente Lula dera sinal verde a Eike para abordar o Bradesco. Foi no governo Lula, notadamente de 2006 a 2008, quando se lançou na Bolsa, que Eike prolificou seus reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2006, doou como pessoa física R$ 4,38 milhões para candidatos apoiadores do governo, incluindo R$ 1 milhão para o próprio Lula e a mesma quantia para Roseana Sarney. O PSDB levou R$ 1 milhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eike jura que sufragou Lula em 2002 e 2006. "Votei numa posição de achar que a gente tinha que exorcizar a esquerda. Estava na hora de chamar a esquerda e ver no que dava", conta. No choque com o governo Evo Morales, que em 2006 barrou a construção de uma siderúrgica na Bolívia, Eike contratou - ele diz - como consultor o ex-ministro José Dirceu. Em Nova York, no mês passado, descobriu nova semelhança com Lula, além do que considera ser uma identidade marcante sua, o nacionalismo: ambos são de escorpião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investiu R$ 1 milhão como pessoa física, sem recurso a renúncia fiscal, no filme "Lula, o Filho do Brasil". Hábil como o pai, que conviveu com governantes diversos, elogia Dilma Rousseff, José Serra e Aécio Neves. Aplaude a política do Planalto para o pré-sal. Ressalta que quase todos os seus investimentos se restringem ao país - no entanto vendeu a maior parte da mineradora MMX em 2008 para a Anglo American. Marqueteia: "Com a autopista que Fernando Henrique e Lula deixaram para a gente correr, deixa meu Porsche andar. Faremos bonito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estacionado na sala de casa, ele tem uma McLaren esportiva, motor Mercedes que acelera a 334 km/h e com a qual passeia à noite. Mora no Jardim Botânico, na mesma rua da ex-mulher, Luma de Oliveira, e dos filhos adolescentes deles, Thor e Olin. Dedica aos dois atenção e carinho intensos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecido por décadas como "o filho de Eliezer Batista", virou "o marido da Luma" ao casar com a modelo em 91. Unido na igreja à socialite Patrícia Leal, abandonou-a dias antes da festa de casamento para ficar com Luma, que conhecera havia pouco. O Vaticano anulou o matrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Sapucaí, Luma desfilou de coleira com o nome de Eike. Para evitar que ela voltasse a posar nua, o marido dispôs-se a cobrir o cachê da "Playboy". Diante da negativa, passou a abastecê-la com chocolates, a fim de engordá-la, diminuir a autoestima e mudar a decisão. Novas fotos só foram feitas após a separação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se divorciar, em 2004, transformou-se na persona Eike Batista, o magnata. "Isso foi consciente. Percebi que, com os meus filhos, eu tinha que ter uma identidade. Que negócio é esse? O Thor dizer que o pai é o ex-marido da Luma de Oliveira? Aí tocou a vaidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eike se dá bem com a ex e namora a advogada Flávia Sampaio, 23 anos mais jovem. Gostaria de ser pai novamente. Faz tratamento a laser contra manchas no rosto, submeteu-se a plástica para retirar gordura sob os olhos e se prepara para o quarto implante capilar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, Eliezer Batista disse à Folha que a união de seu filho com Luma fora um erro. Em voto de confiança no amor, o pai de Eike voltou a se casar discretamente semanas atrás, em cartório do Rio. O filho só tomou conhecimento dias depois. Recebeu a novidade com bom humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEMA NOS NEGÓCIOS&lt;br /&gt;Ir aonde ninguém vai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICA DE GESTÃO&lt;br /&gt;Esse negócio de que o olho do dono engorda o boi. É isso aí&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUALIDADE DE EMPRESÁRIO&lt;br /&gt;Enxergar algo que o cara que está me vendendo não enxergou. Ele não sabe transformar aquilo no que eu vou transformar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA PROSPERAR&lt;br /&gt;Não se case cedo; vá para áreas de fronteiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAIS RICO DO MUNDO&lt;br /&gt;Vai ser consequência do que eu já montei&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-3501507215021952277?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/3501507215021952277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=3501507215021952277' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/3501507215021952277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/3501507215021952277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/10/o-rei-do-rio.html' title='O rei do Rio'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6703547102377478765</id><published>2009-10-05T00:50:00.005-03:00</published><updated>2009-10-11T23:06:34.623-03:00</updated><title type='text'>O caso Polanski</title><content type='html'>Ronald Sokol*, no &lt;a href="http://global.nytimes.com/?iht"&gt;International Herald Tribune&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perseguição de Roman Polanski por um crime sexual cometido na Califórnia há 31 anos causou grande comoção tanto entre seus simpatizantes quanto entre aqueles que sentem que ele é um fugitivo da justiça que merece ser enviado de volta para a Califórnia e preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fatos não estão em questão. Polanski foi condenado em 1978 por um tribunal de Los Angeles pelo crime de fazer sexo com uma menor. Apesar de a vítima tê-lo perdoado e dito que ela não quer que ele vá para a prisão, apenas a visão dela não é suficiente para terminar com o inquérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um crime é uma ofensa não somente contra uma vítima, mas também contra o Estado. É uma violação da ordem social e um distúrbio à harmonia social que o Estado se esforça para atingir. Depois de sua sentença, Polanski deixou o país em vez de enfrentar a prisão. Ele está foragido da Justiça há 31 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da certeza da culpa e da gravidade do crime, a perseguição tardia por parte do promotor é ao mesmo tempo legal e moralmente problemática. Um advogado da promotoria em Los Angeles está tentando extraditá-lo da Suíça baseado num tratado entre a Suíça e os Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tratado de extradição é simplesmente um acordo escrito entre dois países segundo o qual cada um concorda em entregar ao outro pessoas procuradas por crimes específicos. Isso vale para a maior parte dos crimes. É uma prática comum que um país não extradite seus próprios cidadãos. Por esse motivo a França não concordaria em extraditar Polanski, se fosse requisitada a fazê-lo, porque ele é um cidadão francês, mas como ele não tem cidadania suíça, e foi preso em Zurique, essa exceção não se aplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos, um promotor público tem total liberdade para processar alguém ou deixar de fazê-lo. Nem o tribunal, a vítima ou qualquer outra pessoa pode forçar uma acusação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade é que mais crimes são cometidos do que é possível processá-los. O promotor precisa exercitar seu julgamento para saber como usar melhor o seu tempo, o tempo de sua equipe, avaliar a importância da ofensa, o perigo apresentado à comunidade, a suficiência de provas, a probabilidade de uma condenação, os gastos envolvidos e outras considerações. Esses são fatores sobre os quais o promotor de Los Angeles deveria ter pensado quando preparou os documentos de extradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém duas grandes falhas colocam dúvidas sobre a legitimidade do pedido de extradição de Polanski. A primeira diz respeito aos próprios objetivos da lei criminal. Estes normalmente são descritos como vingança, prevenção, punição e reabilitação. A vingança é amplamente reconhecida como algo ilegítimo. No caso de Polanski, nenhum objetivo legítimo parece aplicável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele não cometeu nenhum outro crime, pelo menos que nós saibamos, nas três décadas em que viveu na França e na Suíça, o objetivo de prevenir que ele não cometa mais nenhum crime não tem efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem os de punição e reabilitação parecem aplicáveis. A punição, assim como a reabilitação, deve ser salutar, não vingativa. O propósito de ambos é permitir ao prisioneiro retornar à sociedade e funcionar num contexto social sem cometer mais crimes. Como Polanski tem vivido em Paris durante três décadas como um cidadão aparentemente seguidor das leis, esses objetivos não se aplicam. O que parece restar é a vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda falha é igualmente problemática. O pedido de extradição parece ser o primeiro feito desde 1978, quando Polanski se tornou um fugitivo. Apesar de o escritório da promotoria do distrito de Los Angeles dizer que buscou informações e monitorou suas viagens ao longo dos anos, não pediu sua extradição nenhuma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Polanski tivesse se mantido incógnito e seu paradeiro fosse desconhecido, poderia haver um pouco de sentido para explicar o atraso de três décadas, mas ele é um dos diretores de cinema mais famosos do mundo. Ele não tem se escondido. Embora possa ter sido impossível extraditá-lo da França, ele poderia facilmente ter sido extraditado da Suíça há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando há um atraso de décadas por parte das autoridades da promotoria para prender e extraditar alguém e isso não pode ser explicado pronta e coerentemente, as ações do promotor parecem arbitrárias. A arbitrariedade é enfatizada pelo fato de que a vítima do crime não está motivando a perseguição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tribunal Europeu de Direitos Humanos observou no caso Markovic versus Itália que "evitar o poder arbitrário" é o princípio fundamental por trás da maior parte da Convenção Europeia para os Direitos Humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo princípio está implícito na Cláusula de Processo Justo da 5ª e da 14ª emendas da Constituição dos EUA. A ação governamental não deve ser arbitrária. Se for arbitrária, levanta uma forte suspeita de que o devido processo legal não foi respeitado. A decisão do promotor de Los Angeles de extraditar Polanski 30 anos depois do evento, sem uma explicação coerente para o atraso, deve ter parecido algo totalmente arbitrário para Polanski, assim como para observadores neutros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que há um valor social em desencorajar os criminosos de fugir da jurisdição. Há um valor também em ver que a Justiça é feita e em mostrar que ninguém está acima da lei. Mas esses valores podem erodir com o tempo se as circunstâncias que deram origem à necessidade de Justiça desapareceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguns, a aplicação atrasada da lei parecerá arbitrária, um ritual de forma e não de substância. Quando o Estado ameaça a prisão, isso precisa ser visto como um ato justo. Se não, zomba da própria lei através de seu ato arbitrário de tentar cumpri-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Ronald Sokol é advogado em Aix-en-Provence, França. Ele foi professor da Escola de Direito da Universidade de Virgínia e é autor de "Justice after Darwin".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/internacional/"&gt;UOL Internacional&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6703547102377478765?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6703547102377478765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6703547102377478765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6703547102377478765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6703547102377478765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/10/o-caso-polanski.html' title='O caso Polanski'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8080117163943156887</id><published>2009-06-15T11:10:00.002-03:00</published><updated>2009-06-15T11:14:41.091-03:00</updated><title type='text'>Idosos conectados 'para seguir em frente'</title><content type='html'>Stephanie Clifford, no &lt;a href="http://nytimes.com/"&gt;The New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como muitas pessoas mais velhas, Paula Rice, moradora do estado de Kentucky, ficou cada vez mais isolada nos últimos anos. Seus quatro filhos crescidos moram em outros lugares, seus dois casamentos acabaram em divórcio e seus amigos estão espalhados. Na maioria dos dias, ela não vê ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Rice, 73 anos, está longe de ser solitária. Confinada em casa depois de sofrer um ataque cardíaco, há dois anos, ela começou a visitar redes sociais virtuais, como o Eons.com, uma comunidade online para baby boomers que estão envelhecendo, e o PoliceLink.com (ela é ex-despachante policial). Agora, Rice passa até 14 horas por dia em conversas online.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu estava morrendo de tédio", ela disse. "O Eons me deu uma razão para continuar vivendo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é novidade que cada vez mais pessoas da geração de Rice estão entrando em redes virtuais, como o Eons, o Facebook e o MySpace. De acordo com a comScore, empresa de medição de mídia, o número de internautas idosos que visitaram redes sociais cresceu quase duas vezes mais rápido que o índice de uso da Internet neste grupo, no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisadores que focam no envelhecimento estão estudando o fenômeno, a fim de verificar se as redes sociais podem oferecer alguns dos benefícios de um grupo de amigos, ao mesmo tempo em que é mais fácil de arranjar e manter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um dos maiores desafios, ou perdas, que enfrentamos como adultos mais velhos, honestamente, não envolve nossa saúde, mas como nossa rede social está nos deteriorando. Isso acontece pois nossos amigos adoecem, nossos cônjuges morrem, os amigos morrem, ou nos mudamos", disse Joseph F. Coughlin, diretor do AgeLab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O novo futuro da terceira idade envolve permanecer na sociedade, no ambiente de trabalho e estar bem conectado", acrescentou. "A tecnologia vai ser uma parte muito importante nisso, pois a nova realidade é, cada vez mais, uma realidade virtual. Ela oferece uma forma de fazer novas conexões, novos amigos e novos propósitos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de um terço das pessoas com 75 anos de idade ou mais moram sozinhas, segundo um estudo da AARP, publicado em 2009. Em resposta ao crescente número de americanos idosos, o Instituto Nacional para o Envelhecimento está concedendo pelo menos US$ 10 milhões em financiamentos para pesquisadores que examinem a neurociência social e seus efeitos sobre o envelhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Redes online podem representar para os mais velhos "um lugar onde eles se sintam fortes, pois podem realizar essas conexões e conversar com as pessoas, sem ter que usar um amigo ou membro da família para mais uma coisa", disse Antonina Bambina, socióloga da University of Southern Indiana e autora do livro "Online Social Support" (Cambria, 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os familiares dos idosos, as redes sociais podem trazer um pouco de alívio. Chris McWade, morador de Franklin, Massachusetts, o mais novo de uma grande família, recentemente ajudou na mudança de seus pais, avós e tio para casas de repouso. Ele contou ter passado dois ou três anos "voando por todo o país, segurando a mão de muitas pessoas" e vendo o isolamento e a depressão que chegam com a idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso lhe despertou a ideia para a MyWay Village, uma rede social baseada em Quincy, Massachusetts. McWade ajudou a fundá-la, em 2006, e hoje a vende para casas de repouso. O projeto acaba de finalizar os programas-piloto em várias casas de Illinois e Massachusetts. McWade contar ter firmado acordos para a expansão para várias outras casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois anos e meio, Howe Allen, corretor imobiliário em Boston, ajudou na mudança de seus pais para o River Bay Club, uma casa de repouso, também em Quincy, que usa o MyWay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe morreu logo depois. No entanto, seu pai, Carl, pôde começar a fazer amigos e compartilhar histórias no MyWay. Ele nunca havia usado um computador, mas aprendeu rápido; o software inclui aulas de informática. Depois de sua morte, em dezembro, o serviço de memórias da casa de repouso incluiu fotografias que ele tinha postado no MyWay, trechos de memórias publicadas por ele, e depoimentos de amigos feitos através do site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Foi um dia emocionante, jamais esquecerei", disse Howe Allen. "É mais que um simples computador. Isso o afetou de forma que estão além da era eletrônica. Isso permitiu que ele crescesse numa idade em que, supõe-se, as pessoas param de crescer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa segunda-feira recente, Neil Sullivan, gerente regional do MyWay, estava diante de um grupo de cerca de vinte residentes do River Bay Club, na biblioteca do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou preparado com slides e discursos, mas o grupo só queria falar da vida deles. Quando Sullivan mostrou a fotografia de um Chevrolet 1950, um morador disse: "Eu tinha um Chevy 57", e outro respondeu: "O meu era um 49". Um homem que usava um suéter verde-amarelado, até então quieto, acrescentou: "O melhor carro que já tive foi um Dodge Business Coupe".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sarah Hoit, co-fundadora e diretora executiva do MyWay, disse que, para os mais velhos, aprender a se conectar não era um objetivo por si só. "Eles querem um veículo para encontrar novas pessoas e compartilhar a vida", disse. "Eles querem ser estimulados".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora das sessões semanais, os moradores de River Bay usam o site para postar histórias como "Minha Vida Como Enfermeira" ou "Trabalhei no Howard Johnson, em Quincy". Sunny Walker, 89 anos, que se recusava a usar máquina de escrever elétrica quando era secretária de uma escola (de tanto que odiava tecnologia), agora brinca e envia mensagens para os amigos através do site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estou lhe dizendo, é a melhor coisa para os mais velhos", disse ela. "Isso desafia nossas mentes, é isso. Desafiou a minha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pesquisas sugerem que a solidão pode piorar a demência. Dr. Nicholas A. Christakis, médico interno e cientista social de Harvard, considera pesquisar se as conexões sociais online podem ajudar a retardar a demência, da mesma forma que as tradicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Redes sociais online realizam uma propensão antiga que todos nós temos de nos conectar com outros", disse ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propensão pode ser antiga, mas a forma de fazê-lo, não. Mollie Bourne, dona de um campo de golfe e moradora de Puerto Vallarta, México, durante metade do ano, entra no Facebook algumas vezes por semana. Ela gosta de ver os posts e fotos de seus netos, mesmo aquelas tiradas em bares e festas, aquelas que as pessoas não esperam que a avó veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por Deus, todos nós agíamos assim na faculdade", disse ela. "É isso que acontece quando você tem 76 anos. Já estive por aí. Já vi de tudo. É preciso muita coisa para me chocar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Internacional&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8080117163943156887?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8080117163943156887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8080117163943156887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8080117163943156887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8080117163943156887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/06/idosos-conectados-para-seguir-em-frente.html' title='Idosos conectados &apos;para seguir em frente&apos;'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-148024693279161743</id><published>2009-06-15T11:04:00.001-03:00</published><updated>2009-06-15T11:08:13.648-03:00</updated><title type='text'>Porque o Google não é o Twitter</title><content type='html'>Por Randall Stross*, no &lt;a href="http://nytimes.com/"&gt;The New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os blogs de tecnologia têm se perguntado se o Google não passa de um gigante desajeitado na era do Twitter, incapaz de lidar com o fluxo de tweets publicados há apenas poucos segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Google funciona mais rápido do que muitos críticos imaginam. Mas, mesmo que não funcionasse, a questão mais importante é se de fato queremos que o mecanismo de busca do Google engula todo o volume de informações que sai do Twitter assim que elas surgem, sem filtrar, analisar e hierarquizar por autoria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A busca em tempo real resulta em spam em tempo real", escreve Danny Sullivan, editor-chefe do site Search Engine Land.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um que se inscreva para acompanhar um usuário específico do Twitter recebe as mensagens instantaneamente, assim que são enviadas (quando o sistema funciona). Filtrar não está em questão nesses casos: os 1,77 milhão de seguidores de Britney Spears provavelmente desejam receber cada linha de informação transmitida por sua conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se alguém quiser procurar tweets sobre um assunto específico no Twitter - por exemplo, sobre Britney Spears, mas incluindo os tweets de qualquer pessoa que a mencione - os dados do Twitter enchem todo um oceano no qual é difícil encontrar um peixe específico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A página de busca do Twitter diz: "Veja o que está acontecendo - nesse exato momento". Mas a base de dados do Twitter não foi originalmente planejada para ser pesquisada como foi o Google. De fato, no ano passado, o Twitter comprou outra "start-up" [empresa de tecnologia em desenvolvimento], a Summize, para prover essa função de busca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, o desempenho de busca do Twitter é muito lento em comparação ao fluxo de tweets. Sullivan observa que o serviço de busca do Twitter não oferece resultados em tempo real de forma consistente: normalmente passam-se 20 minutos ou mais para que um determinado tweet apareça nos resultados da busca. No Google, são necessários apenas centésimos de segundo para verificar a base de dados quando uma determinada frase de busca é submetida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para se preparar para isso, a companhia re-examina a internet com uma frequência não divulgada para atualizar sua base de dados. Alguns sites, como os de novas organizações, são checados com bastante frequência. Outros esperam sua vez numa agenda rotativa de visitas do crawler [motor de busca] do Google, que armazena cópias das páginas de internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peter Norvig, diretor de pesquisas do Google, diz que Larry Page, um dos cofundadores do Google, pressiona sistematicamente os engenheiros da companhia para indexar as páginas mais ativas da internet com mais rapidez. Quando a frequência aumentou para uma indexação de hora em hora, Page insistiu para que o intervalo fosse descrito como "3.600 segundos", enfatizando que seria reduzido ainda mais, o que de fato aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Google checa novas entradas constantemente, mas não indexa os tweets com tanta facilidade. Numa entrevista coletiva em Londres no mês passado, pediram para que Page dissesse se o Google tinha algum plano para fazer buscas no Twitter em tempo real. Page respondeu que faz tempo que ele pressiona suas equipes de busca para indexar a cada segundo. "Eles meio que riem de mim e dizem: 'Tudo bem se for alguns minutos'", disse ele. "E respondo: 'Não, não, tem que ser a cada segundo.'"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, surgiram várias start-ups de busca que diferenciam suas ofertas dos antigos mecanismos de busca, enfatizando o fato de serem especializadas na internet em tempo real. Por exemplo, a OneRiot, de Boulder, Colorado, cobre o Twitter entre outros sites de mídia social, mas tem meios intrigantes de reduzir o spam do Twitter: ele não indexa os textos dos tweets - pega apenas os links, assumindo que as pessoas estão mais interessadas nos vídeos, notícias e posts de blogs que são compartilhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A OneRiot vai atrás do link, verifica se não há spam, comparando o conteúdo da página com o conteúdo do tweet, e depois usa seus próprios algoritmos para determinar se o link deve ir para sua lista sempre mutante de itens "quentes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estritamente falando, não se trata de processamento em tempo real. Mas checar os links antes de acrescentá-los ao índice parece ser um tempo bem gasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobias Peggs, gerente-geral da OneRiot, diz que sua companhia pode processar, checar e indexar um link em 37 segundos. Quando perguntado por que ele se preocupa em medir os segundos, uma vez que leva mais de 20 minutos ou mais só para receber os tweets buscáveis do Twitter, ele explicou que o atraso do mecanismo de busca do Twitter não afeta o serviço de busca de sua companhia, que recebe o fluxo de dados ao mesmo tempo que o mecanismo de busca do Twitter.&lt;br /&gt;Como a empresa de investimentos de risco Spark Capital investiu tanto na OneRiot quanto no Twitter, a OneRiot tem "acesso aos dados do Twitter que outras empresas não têm", diz Peggs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Google percorre o site do Twitter - com uma frequência não revelada - para coletar os mesmos links incluídos nos tweets que a OneRiot indexa, e isso pode aparecer nos resultados de busca do Google. Se o Google negociasse o mesmo acesso direto ao fluxo de tweets que a OneRiot tem, ele provavelmente poderia ser tão rápido quanto o OneRiot e ter as mesmas listas, como "os [tweets] mais compartilhados do dia" ou "melhores vídeos do dia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca quase em tempo real do Google fornece resultados de melhor qualidade do que as próprias buscas em tempo real. Quanto à necessidade de indexar "cada segundo" da internet, Page reconhece que é útil gastar um pouco mais de tempo para analisar a informação coletada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se você de fato quer informação atualizada a cada segundo, ela não será tão boa quanto se você estiver disposto a esperar alguns minutos", diz ele. "Não tenho certeza se todo mundo precisa ficar vendo essa coisa a cada segundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Randall Stross mora no Vale do Silício, é escritor e professor de administração na Universidade Estadual de San Jose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Internacional&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-148024693279161743?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/148024693279161743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=148024693279161743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/148024693279161743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/148024693279161743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/06/porque-o-google-nao-e-o-twitter.html' title='Porque o Google não é o Twitter'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6094716747677726695</id><published>2009-05-07T12:57:00.002-03:00</published><updated>2009-05-07T13:03:18.294-03:00</updated><title type='text'>Os corajosos nem sempre são premiados</title><content type='html'>Rob Hughes, no &lt;a href="http://global.nytimes.com/?iht"&gt;International Herald Tribune&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lutador britânico é nocauteado em Las Vegas e o Estado de Nevada não permitirá que pratique boxe ali de novo, a menos que possa persuadir os especialistas de que seu cérebro não corre risco de dano permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jogador de futebol britânico tromba com outro à beira do gol. Ele cai com um ferimento na costela e cospe sangue. Os exames no hospital mostram que nada está quebrado, mas o pulmão está machucado. Ele volta em uma semana, determinado a jogar a segunda partida da semifinal da Liga dos Campeões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um atacante brasileiro retorna após sua quarta lesão no joelho que ameaçava colocar um fim à sua carreira. O público zomba de seu excesso de peso, mas ele responde com gols que levam sua equipe a um triunfo não conseguido por outra equipe há 37 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gestão da dor é, e sempre será, uma parte dos esportes de contato. Mas enquanto o boxeador Ricky Hatton troca uma possível lesão cerebral por uma bolsa de US$ 8 milhões, os jogadores de futebol não são pagos para colocar sua saúde sob tamanho teste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Rio Ferdinand, um zagueiro do Manchester United, e Ronaldo, atualmente atacante do Corinthians, podem estar fazendo exatamente isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferdinand passou a noite de quarta-feira sob observação no hospital após liderar sua equipe na vitória de 1 a 0 sobre o Arsenal, no primeiro jogo da semifinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronaldo é lembrado por seus retornos após cirurgias no joelho tanto quanto pelo seu apetite insaciável por marcar gols.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lutador sabe os riscos, mas às vezes precisa ser contido por aqueles que administram sua profissão perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogador sabe, lá no fundo, que toda partida pode ser sua última. Mas às vezes o futebol também precisa de homens mais sábios que protejam os jogadores de si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Havia preocupação na última quarta-feira quando Ferdinand teve que deixar o campo", disse Alex Ferguson, o treinador do Manchester, na segunda-feira após a volta de Ferdinand aos treinos normais. "Quando ele cospe sangue, você se preocupa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas, felizmente, não foi tão sério. Ele perdeu o jogo de sábado, mas antes de uma semifinal tão importante quanto a de terça-feira, você quer todos em forma e é o que temos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferguson é o treinador mais experiente no topo do futebol internacional, mas até mesmo ele fica impotente no momento em que um jogador cai. Quando Ferdinand caiu após colidir com Nicklas Bendtner do Arsenal, o médico do clube teve que tomar uma rápida decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu jogador sofreu mais do que uma falta. Ele não conseguia se levantar, ele cuspia sangue, mas como jogadores costumam fazer, Ferdinand implorou para que lhe permitissem terminar a partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 76 mil torcedores ficaram tão calados que era possível ouvir o apelo do capitão para jogar. E foi possível ler a resposta em seus lábios quando o treinador lhe disse que sua participação no jogo tinha terminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sorte, o bom senso de Ferguson poupou Ferdinand de qualquer sequela duradoura de um acidente esportivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qualquer um que já praticou esportes ou que passou por cirurgia em juntas que suportam o peso devem temer por Ronaldo. Ele é um homem abençoado com um talento incrível e aparentemente amaldiçoado por tendões incapazes de suportar o peso dele, sua velocidade de virar e chutar de posições que parecem desafiar a gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sofreu uma cirurgia no joelho em 1999 e outra em seu retorno em 2000. Poucos acreditaram que ele conseguiria voltar de 36 meses de recuperação para a Copa do Mundo de 2002. Mas o "Fenômeno" marcou gols decisivos para a conquista pelo Brasil do torneio no Japão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor pela qual ele passou, as dúvidas de tantas pessoas próximas dele, foram eliminadas pelo desejo dele. Ele não sabe outra coisa na vida. Seu papel é ser o principal atacante em qualquer campo que jogar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gols e lesões são seus companheiros constantes. Não importa onde no mundo ele jogue. Ele marcou em sua infância no Brasil, na adolescência na Holanda, no seu auge na Espanha para o Barcelona e o Real Madrid, e durante seu breve e doloroso relacionamento com ambos os clubes de Milão, a Inter e o Milan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos eles, Ronaldo foi um vencedor. Em todos eles, seus joelhos cederam. O Milan desistiu dele quando, em fevereiro de 2008, aos 31 anos, ele rompeu novamente o tendão do joelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve violência, pancada, apenas a ruptura do tendão quando o homem girou com a bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Meu coração me diz para jogar de novo", disse Ronaldo em seu leito no hospital em Paris, para onde foi levado para uma nova cirurgia. "Mas meu corpo me envia sinais de fadiga e sofrimento. Se estiver bem, eu jogarei de novo. Se o fim for outro, será difícil e triste. Eu sei exatamente que pontes tenho que atravessar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma delas foi a impaciência de seu último empregador. Silvio Berlusconi, o dono do Milan, fez promessas tranquilizadoras que desapareceram com as semanas, meses e finalmente o ano de inatividade forçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Ronaldo voltou para se recuperar no Rio de Janeiro, muitos presumiram que ele tinha voltado para casa para se aposentar. Mesmo quando ele retomou os treinamentos, no Flamengo e não no Corinthians, os críticos zombaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fenômeno Gordo, eles diziam, nunca voltaria a ser o velho Ronaldo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não. Talvez a idade tenha diminuído seu ritmo elétrico, sua flexibilidade para agir de acordo com sua imaginação e se mover, virar e atacar como poucos, já sejam coisas do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Corinthians achou que não. Seus diretores, preparando o clube para a comemoração do seu centenário em 2010, fizeram a Ronaldo uma oferta que o Flamengo não podia igualar. Era um contrato experimental de um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado um mês do acordo, Ronaldo já tinha marcado oito vezes. Ele parece pesado e estático em comparação ao que era. Mas assistindo aos seus gols pela rede Globo, um Ronaldo velho e lento ainda é duas vezes mais jogador do que qualquer outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pé esquerdo, pé direito, cabeça, ele simplesmente ataca enquanto todos ao seu redor hesitam. Na semana passada, quando marcou o primeiro dos dois gols do Corinthians contra o Santos, ele parecia correr maior risco durante as comemorações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um gol, ele pulou as placas publicitárias, seus companheiros pularam atrás dele e o jogaram contra o alambrado que separa os jogadores dos torcedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fenômeno estava de volta e, apesar de um ferimento na costela que poderia muito bem ter ocorrido durante as comemorações, ele jogou no domingo no empate do Corinthians com o Santos por 1 x 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado concluiu a missão de conquistar o Campeonato Paulista. Além disso, após 37 anos sem acontecer na competição, o Corinthians conquista o título de forma invicta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o velho clube tem sonhos maiores: competir na Copa Libertadores com o não tão velho Ronaldo como sua máquina de gols.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A artrite pode esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Internacional&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6094716747677726695?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6094716747677726695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6094716747677726695' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6094716747677726695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6094716747677726695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/05/os-corajosos-nem-sempre-sao-premiados.html' title='Os corajosos nem sempre são premiados'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-1165339579953655150</id><published>2009-04-26T23:15:00.003-03:00</published><updated>2009-04-26T23:23:35.234-03:00</updated><title type='text'>Sobre a efemeridade das mídias</title><content type='html'>Umberto Eco, no &lt;a href="http://nytimes.com/"&gt;The New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No encerramento da Escola para Livreiros Umberto e Elisabetta Mauri, em Veneza, falamos, entre outras coisas, sobre a efemeridade dos suportes da informação. Foram suportes da informação escrita a estela egípcia, a tábua de argila, o papiro, o pergaminho e, evidentemente, o livro impresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este último, até agora, demonstrou que sobrevive bem por 500 anos, mas só quando se trata de livros feitos de papel de trapos. A partir de meados do século 19 passou-se ao papel de polpa de madeira, e parece que este tem uma vida máxima de 70 anos (com efeito, basta consultar jornais ou livros dos anos 1940 para ver como muitos deles se desfazem ao ser folheados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, há muito tempo se realizam congressos e se estudam meios diferentes para salvar todos os livros que abarrotam nossas bibliotecas: um dos que têm maior êxito (mas quase impossível de realizar para todos os livros existentes) é escanear todas as páginas e copiá-las para um suporte eletrônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aqui surge outro problema: todos os suportes para a transmissão e conservação de informações, da foto ao filme cinematográfico, do disco à memória USB que usamos no computador, são mais perecíveis que o livro. Isso fica muito claro com alguns deles: nas velhas fitas cassete, pouco tempo depois a fita se enrolava toda, tentávamos desemaranhá-la enfiando um lápis no carretel, geralmente com resultado nulo; as fitas de vídeo perdem as cores e a definição com facilidade, e se as usarmos para estudar, rebobinando-as e avançando com frequência, danificam-se ainda mais cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos tempo suficiente para ver quanto podia durar um disco de vinil sem ficar riscado demais, mas não para verificar quanto dura um CD-ROM, que, saudado como a invenção que substituiria o livro, saiu rapidamente do mercado porque podíamos acessar online os mesmos conteúdos por um custo muito menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabemos quanto vai durar um filme em DVD, sabemos somente que às vezes começa a nos dar problemas quando o vemos muito. E igualmente não tivemos tempo material para experimentar quanto poderiam durar os discos flexíveis de computador: antes de podermos descobrir foram substituídos pelos CDs, e estes pelos discos regraváveis, e estes pelos "pen drives".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desaparecimento dos diversos suportes também desapareceram os computadores capazes de lê-los (creio que ninguém mais tem em casa um computador com leitor de disco flexível), e se alguém não copiou no suporte sucessivo tudo o que tinha no anterior (e assim por diante, supostamente durante toda a vida, a cada dois ou três anos), o perdeu irremediavelmente (a menos que conserve no sótão uma dúzia de computadores obsoletos, um para cada suporte desaparecido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, sabemos que todos os suportes mecânicos, elétricos e eletrônicos são rapidamente perecíveis, ou não sabemos quanto duram e provavelmente nunca chegaremos a saber. Enfim, basta um pico de tensão, um raio no jardim ou qualquer outro acontecimento muito mais banal para desmagnetizar uma memória. Se houvesse um apagão bastante longo não poderíamos usar nenhuma memória eletrônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo tendo gravado em meu computador todo o "Quixote", não o poderia ler à luz de uma vela, em uma rede, em um barco, na banheira, enquanto um livro me permite fazê-lo nas piores condições. E se o computador ou o e-book caírem do quinto andar estarei matematicamente seguro de que perdi tudo, enquanto se cair um livro no máximo se desencadernará completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os suportes modernos parecem criados mais para a difusão da informação do que para sua conservação. O livro, por sua vez, foi o principal instrumento da difusão (pense no papel que desempenhou a Bíblia impressa na Reforma protestante), mas ao mesmo tempo também da conservação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que dentro de alguns séculos a única forma de ter notícias sobre o passado, quando todos os suportes eletrônicos tiverem sido desmagnetizados, continue sendo um belo incunábulo. E, dentre os livros modernos, os únicos sobreviventes serão os feitos de papel de alta qualidade, ou os feitos de papel livre de ácidos, que muitas editoras hoje oferecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou um conservador reacionário. Em um disco rígido portátil de 250 gigabytes gravei as maiores obras-primas da literatura universal e da história da filosofia: é muito mais cômodo encontrar no disco rígido em poucos segundos uma frase de Dante ou da "Summa Theologica" do que levantar-se e ir buscar um volume pesado em estantes muito altas. Mas estou feliz porque esses livros continuam em minha biblioteca, uma garantia da memória para quando os instrumentos eletrônicos entrarem em pane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/"&gt;UOL Notícias&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umberto Eco é professor de semiótica, crítico literário e romancista. Entre seus principais livros estão "O Nome da Rosa" e o "Pêndulo de Foucault".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-1165339579953655150?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/1165339579953655150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=1165339579953655150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/1165339579953655150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/1165339579953655150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/04/sobre-efemeridade-das-midias.html' title='Sobre a efemeridade das mídias'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-2860436811353547520</id><published>2009-04-16T01:48:00.007-03:00</published><updated>2009-04-16T02:24:03.126-03:00</updated><title type='text'>O diário do blog</title><content type='html'>Yoani Sánchez, no &lt;a href="http://desdecuba.com/generaciony_pt/"&gt;Geração Y&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a editora Rizzoli apresenta na Itália uma compilação de meus posts sob o título "Cuba Livre". Espero poder anunciar - rapidamente - uma edição em minha própria lingua. Adianto-lhes o texto inicial do livro sobre os primórdios de Geração Y que, justamente por estes dias, comemora seus dois anos e com este de hoje chega aos 300 posts publicados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É abril e não há muito o que fazer, só olhar da varanda e confirmar que tudo segue como em março ou em fevereiro. A Praça da Revolução - um pirulito mutilado que assustaria qualquer menino - domina os blocos de concreto de meu bairro. Em frente a mim, dezoito andares de concreto armado portam o cartaz do Ministério da Agricultura. Seu tamanho é inversamente proporcional a produtividade da terra, assim é que me dedico a olhar com meu telescópio os escritórios vazios e suas janelas estragadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver nesta zona "ministerial" me permite interrogar os altos edifícios de que saem as diretivas e resoluções para todo o país. Mania de focalizar a lente e pensar "eles me observam, então tambem lhes observo". Dessas inspeções com meu telescópio azul observei bem pouco, na verdade, porém, uma impressão de inércia transpassa a lente e penetra através do concreto armado do meu edifício modelo yugoslavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho os que vão com sua bolsa vazia para o mercado e muitas vezes regressam com ela do mesmo modo. Eu tambem tenho uma bolsa plástica, ainda que a minha vá dobrada sempre no bolso, para não denotar que fui engulida pelo mecanismo de fila, a busca de comida, a fofoca de se o frango veio ou não para o mercado racionado… Enfim, tenho a mesma obsessão para conseguir algum produto, porém trato de não a fazer notar demasiadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meus delírios de contar os urubus que sobrevoam o pirulito mutilado e enquanto me pergunto como encherei a bolsa, logro a ideia mais perigosa que tive em trinta e dois anos. O ímpeto parece influído pela úmida loucura de abril, fruto evidente da malsã comichão primaveril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acerco-me do teclado de meu velho laptop, que um balsero necessitado de um motor de Chevrolet me vendeu faz meio ano e começo a escrever. A viagem deste aprendiz de Magalhães frustou-se, porém o computador já me pertencia, assim não houve retorno. Começo com algo que está a meio caminho entre o grito e a pergunta, não sei ainda que este será meu primeiro post, unidade primogênita de um blog. A cena é simples, uma mulher frágil e sem sonhos deixou de olhar para começar a contar o que não vê refletido na aborrecida televisão e nos ridículos jornais nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de iniciar minhas desencantadas vinhetas da realidade, a voz da apatia me adverte que minha escrita não mudará nada. O sussurro do medo traz a tona meu filho de doze anos e o prejuizo que a catarse materna poderá acarretar no seu futuro. Ouço a voz da minha mãe que grita "Filhota para que te meteste nisso?" e antecipo as acusações de infiltrada da CIA ou da Segurança do Estado que tambem choverão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vigia atrás das minhas sobrancelhas poucas vezes se equivoca, porém o louco com que divide o espaço não me deixa ouví-lo. Assim é que começo a concluir o primeiro post e, com ele, a bolsinha, o alto ministério improdutivo e a balsa que flutua no Golfo, passam a um primeiro plano.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Meses depois deste primeiro texto, estarei frente às quase trezentas mil opiniões deixadas pelos leitores, inspecionando os duzentos posts e as milhares de histórias, para tratar de comprimi-los nas páginas de um livro. Chordelos de Laclos riria-se de mim, enquanto trato de encontrar a evolução de um comentarista a partir de suas próprias intervenções, reportar as iras de alguns e mostrar o caminho ziguezagueante que eu mesmo segui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novelas epistolares já deram tudo de si, porém a rede, seus hipertextos, zonas quentes e interatividade, apenas tocaram a literatura. Tão dificil é abarcar todo esse mundo virtual na linearidade do papel que, definitivamente, desisto de tentá-lo. Só lograrei que no diário do blog - que algum dia publicarei - todos tenham sua vez de dizer algo: Geração Y, a blogueira e os leitores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-2860436811353547520?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/2860436811353547520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=2860436811353547520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2860436811353547520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2860436811353547520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/04/o-diario-do-blog.html' title='O diário do blog'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-628664254754106286</id><published>2009-03-26T19:34:00.005-03:00</published><updated>2009-03-27T00:12:15.703-03:00</updated><title type='text'>Ronaldo, o eterno retorno</title><content type='html'>Jean-Pierre Langellier, no &lt;a href="http://www.lemonde.fr/archives/article/2009/03/25/ronaldo-l-eternel-retour-par-jean-pierre-langellier_1172429_0.html"&gt;Le Monde&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um acontecimento considerável para o futebol brasileiro, talvez mesmo para todo um povo: Ronaldo ressuscitou. De volta ao país no ano passado, machucado e gordo, o "Fenômeno" encontrou um clube, o lendário Corinthians de São Paulo, e, sobretudo, muito rapidamente, balançou as redes. Foram dois gols em três partidas - o texto foi concluído antes da partida de ontem (25), do Corinthians contra a Ponte Preta -, resultando em um empate e uma vitória no campeonato local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ex-centroavante prodígio mudou de visual. A cabeça raspada desapareceu sob os cabelos pretos e cacheados. A sombra de um bigode e um início de barbicha ornam o rosto um pouco inchado. O maior atacante de sua geração, com a idade (32 anos), também mudou o seu jogo. Foram-se os dribles incríveis, as longas corridas solitárias, as acelerações, tudo sobre músculos e magia, que lhe renderam duas Bolas de Ouro (1997, 2002) e três títulos de melhor jogador do ano (1996, 1997, 2002). Hoje ele joga de forma mais coletiva, menos espetacular, mas continua a buscar gols, por instinto. Esse dom inato fez dele o mais eficiente artilheiro da Copa do Mundo. Quinze gols. Um recorde que será difícil de bater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronaldo iniciou sua ressurreição, com coragem e obstinação, alguns meses antes de seu retorno oficial para os gramados. Na sala de musculação, sob o olhar de seu fisioterapeuta, e nas caixas de areia do Parque São Jorge, o campo de treinamento de seu clube. Esses exercícios intensos têm por objetivo queimar suas calorias. Aquele que acabaram chamando, sem ternura excessiva, de "o Gordo", de tanto que sua silhueta inflou, deve obrigatoriamente ainda perder três quilos para voltar a ter agilidade. Tudo isso enquanto administrava suas articulações, notoriamente frágeis. Pois, ao longo da sua carreira, Ronaldo muitas vezes deixou os estádios em uma maca. Pode-se dizer que seus joelhos são seu calcanhar de Aquiles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O direito sofreu lesões duas vezes (1999, 2000) e o esquerdo, uma, em fevereiro de 2008. Após cada rompimento de seus tendões da rótula, o jogador passou pelas mãos do professor Saillant, no hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. Sua última contusão foi jogando no AC Milan, onde ele estava em fim de contrato. Desde então, ele não jogou em partidas oficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao Rio de Janeiro, sua cidade-natal, Ronaldo vira notícia, dois meses mais tarde. Ele foi surpreendido em um motel na companhia de três prostitutas travestis, sendo que um, figura conhecida pela polícia, sob seu falso nome (Andreia Albertine), pegou seus documentos e tentou lhe extorquir US$ 30 mil. O jogador disse que estava sofrendo "alguns problemas psicológicos" e logo foi perdoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, Ronaldo incendeia o Brasil, a começar pelas arquibancadas do velho estádio municipal, em estilo art déco, do Pacaembu, baluarte dos corinthianos, o clube dos 25 milhões de torcedores - perdendo somente para o Flamengo, no Rio. Ele usa a camisa branca de listras pretas, cores de times tradicionais, que antes dele, vestiu toda uma linhagem de campeões: Garrincha, Gilmar, Rivelino, Sócrates e Rivaldo. Ele assinou um contrato de um ano, com possibilidade de renovação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dias de venda de ingresso, uma fila humana interminável se estende diante dos guichês do estádio. Seis mil pessoas assistiram à sua primeira sessão de treinamento. Entre os espectadores que comemoraram os gols de Ronaldo com o longo grito ritual de "Goooool", a imensa maioria nunca o havia visto marcar, a não ser pela televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma razão simples: profissional aos 15 anos, o jovem Ronaldo Luis Nazário de Lima tinha somente 17 quando partiu em 1994 para o PSV Eindhoven, após uma temporada brilhante no Cruzeiro Esporte Clube - 58 gols em 60 partidas, e depois de ter jogado somente quatro vezes em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Ronaldo envelhecendo suscita, então, junto dos torcedores locais, uma curiosidade que reforça o entusiasmo de vê-lo marcar gols. Como cada estrela que nasce logo se apressa em ir à Europa, por salários mais suntuosos, o Brasil, em busca de ídolos, está mais do que feliz de admirar uma delas em casa, ainda que em declínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renascimento sustentável ou canto do cisne? Ronaldo quer acreditar em seu futuro. Ele sonha em vestir novamente a camisa nacional verde e amarela, e participar, em 2010, na África do Sul, de sua quinta Copa do Mundo, depois de já ter ganho duas, sendo a primeira no banco de reservas, em 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma perspectiva que o técnico Dunga não descarta, acrescentando, com prudência: "Isso dependerá dele". De sua forma física, mas também de sua conduta fora dos estádios. Festeiro assumido, Ronaldo frequenta um pouco demais os clubes noturnos para o gosto de seu treinador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto espera, Ronaldo, apesar de seu gordo salário, é um excelente negócio para seu clube e seus patrocinadores. As partidas têm ingressos esgotados e as vendas de produtos derivados crescem. A Nike oferece na Internet 22 modelos da célebre camisa número 9, que podem ser pagos em sete parcelas mensais sem juros. A volta à forma do jogador também é boa para o moral dos brasileiros. Velho fã do Corinthians, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, há alguns dias, a uma multidão de operários: "Contra a crise, Ronaldão!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/internacional/"&gt;UOL Internacional&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-628664254754106286?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/628664254754106286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=628664254754106286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/628664254754106286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/628664254754106286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/03/ronaldo-o-eterno-retorno.html' title='Ronaldo, o eterno retorno'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-5320904765077782127</id><published>2009-03-06T10:40:00.001-03:00</published><updated>2009-03-06T10:48:06.478-03:00</updated><title type='text'>Modelo econômico antiquado ajuda o Brasil</title><content type='html'>Da &lt;a href="http://bbc.co.uk/portuguese/"&gt;BBC Brasil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns aspectos ditos antiquados da economia do Brasil estão agora ajudando a conter os estragos provocados pela atual crise mundial, diz a revista &lt;a href="http://www.economist.com/world/americas/displaystory.cfm?story_id=13243343"&gt;The Economist&lt;/a&gt; em sua edição desta semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em reportagem intitulada "Colhendo os frutos da indolência", a publicação lembra que até pouco tempo atrás a influência "dominadora" do Estado sobre o setor financeiro vinha "atrasando" a economia brasileira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Mas nas novas circunstâncias, essas políticas lamentáveis repentinamente parecem distantes e deram à crise global uma cor diferente no Brasil", diz o texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Outros países estão tentando descobrir como administrar bancos e crédito direto. Isso é algo que o Brasil fazia mesmo quando já estava fora de moda", afirma a revista. "Mas é um sinal dos tempos o fato de recentemente, em uma pesquisa sobre o Brasil, o (banco de investimentos) Goldman Sachs ter citado o envolvimento do Estado nos bancos como algo positivo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "Economist" lembra, no entanto, que apesar de o Brasil ter sido poupado dos piores efeitos da crise global, a economia do país está se enfraquecendo. A revista cita o aumento de demissões na economia formal e a queda da produção industrial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Brasil deve demorar a sair da crise, assim como demorou para entrar nela", decreta a reportagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o texto ressalta que, se comparada com o que outras nações estão vivendo hoje, a economia brasileira atual ainda está em forma. "Dada a antiga tendência do Brasil de sofrer um ataque cardíaco cada vez que outras economias internacionais ficavam estressadas, a notícia é impressionante."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a revista, dois dos principais motivos para o Brasil ter melhorado nesse aspecto foi a dívida do setor público, que foi levada para abaixo da linha de 40% do PIB, e a reserva de US$ 200 bilhões para defender o real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas o mais importante é que a crise não está fazendo a inflação subir - o ponto-fraco congênito do país", diz o texto. "Isso permitiu que o Banco Central cortasse juros para tornar a dívida pública mais barata. Esta é a primeira vez que o Brasil consegue manter uma política monetária anticíclica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista entrevistou economistas brasileiros que preveem que os gastos públicos devem subir neste ano, por causa da proximidade das eleições presidenciais - o que deve reduzir o superávit primário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em outras épocas isso assustaria o mercado, mas agora eles devem ter menos pânico, já que as finanças governamentais estão mostrando o mesmo grau de deterioração - ou pior."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-5320904765077782127?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/5320904765077782127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=5320904765077782127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5320904765077782127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5320904765077782127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/03/modelo-economico-antiquado-ajuda-o.html' title='Modelo econômico antiquado ajuda o Brasil'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7509982485191812786</id><published>2009-03-02T10:46:00.001-03:00</published><updated>2009-03-02T10:46:40.469-03:00</updated><title type='text'>David vence Golias</title><content type='html'>Eliakim Araújo, no &lt;a href="http://www.diretodaredacao.com/"&gt;Direto da Redação&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site &lt;a href="http://www.espacovital.com.br/"&gt;Espaço Vital&lt;/a&gt;, um dos melhores em assuntos jurídicos, publicou esta semana a decisão do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás confirmando sentença do juiz de primeira instância que condenou o Bradesco a indenizar o funcionário Marlon Ornelas Ferreira, em 40 mil reais, por ridicularizá-lo em atividades chamadas de "jogos de motivação". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "joguinho" funcionava assim. Quando o funcionário não atingia determinada meta na venda de produtos do banco, como foi o caso de Marlon, ele enfrentava em público toda sorte de humilhações. Era obrigado a usar na frente de todo mundo um chapéu de burro, tinha que trabalhar nas festas de fim de semana como garçom, além de dançar na boca da garrafa e ganhar rabinho de asno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humilhado e envergonhado no ambiente de trabalho, Marlon procurou a Justiça em busca de uma reparação moral pelos danos sofridos. O juiz acolheu seu pedido e condenou o Bradesco ao pagamento da indenização. O banco recorreu ao TRT e depois ao TST e perdeu nos dois tribunais. O voto do relator no TST, ministro Walmir Oliveira da Costa, confirmou que "o ato ilícito ficou provado e, portanto, o banco tem obrigação de indenizar o empregado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a derrota do gigante Golias para o pequenino Davi. O caso de Marlon versus Bradesco deve ser espalhado aos quatro ventos, para que todos saibam que, apesar dos últimos e revoltantes acontecimentos em nosso tribunal supremo, ainda há juizes dignos que merecem o respeito da população brasileira. Todos os magistrados envolvidos no processo foram corretos em suas decisões e não se atemorizaram diante de uma empresa poderosa como o Bradesco, que deve ter um corpo jurídico milionário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propóstito, em 2008, o Bradesco ganhou menos que em 2007, mesmo assim contabilizou a “modesta” quantia de 7,62 bilhões de lucro líquido. Lucro proveniente da agiotagem que impera hoje no sistema bancário brasileiro. O banco, cruel e covarde, se aproveita da vulnerabilidade de milhões de clientes em difícil situação financeira e cobra juros escorchantes que a vítima, o tomador, aceita por não ter outra alternativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso acontece principalmente com os milhões de aposentados da previdência social. Com a pequena pensão que recebem quando se aposentam e a consequente redução do padrão de vida, os pensionistas ficam nas mãos dos gerentes de banco. Conseguem empréstimos com facilidade, nem precisam dar garantias, porque a mensalidade é descontada diretamente da pensão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma prática desumana que os bancos brasileiros, inclusive os oficiais, adotam impunemente. Além da agiotagem, sufocam o tomador com mais de um empréstimo, pouco se lixando se ele terá dinheiro para comprar a comida e os remédios de que necessita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É público e notório que em nenhum lugar do mundo um empréstimo custa tão caro como no Brasil. Recente estudo do FMI, em 107 países, mostrou que os juros cobrados pelos bancos brasileiros são os mais altos de todos. É hora do governo brasileiro intervir duramente nesse mercado. Primeiro, baixando vigorosamente os juros e, segundo, fiscalizando as atividades bancárias para impedir que a ganância dos banqueiros sufoque o cidadão que um dia precise recorrer a um empréstimo bancário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7509982485191812786?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7509982485191812786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7509982485191812786' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7509982485191812786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7509982485191812786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/03/david-vence-golias.html' title='David vence Golias'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-1874412704152808617</id><published>2009-02-20T14:19:00.003-03:00</published><updated>2009-02-20T14:23:43.702-03:00</updated><title type='text'>Os erros da imprensa no caso Paula O.</title><content type='html'>Eduardo Simantob*, na revista &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/"&gt;Época&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, a história tinha tudo para ser um grande escândalo que transbordaria os modestos limites geográficos da Suíça: um brutal ataque xenófobo cometido por três skinheads contra uma indefesa brasileira grávida de gêmeos, com detalhes gráficos saborosos – corpo retalhado de cortes com a inscrição SVP, sigla alemã para Partido do Povo Suíço – e um aborto como consequência. Só que era tudo mentira, e o caso real, se deixado nas mãos das autoridades locais, provavelmente mereceria não mais que uma matéria de fait-divers assim que os fatos tivessem sido devidamente apurados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. O caso Paula Oliveira (ou Paula O., como preferiu chamar a imprensa local, cuidadosa em manter a privacidade da suposta vítima, procedimento desconhecido da imprensa brasileira) assumiu dimensões de ópera bufa, ou quase uma comédia, não fossem as consequências da farsa tão trágicas para Paula e sua família. Que também têm sua parcela de culpa na armação desse circo midiático o qual, se não chegou a provocar um incidente diplomático de fato, em muito contribuiu para atiçar os sentimentos xenófobos da população, encorajando os mais exaltados a expressar livremente pela internet, blogs e comunidades virtuais, seus sentimentos mais obtusos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois de acionar a polícia e dar queixa do incidente supostamente ocorrido na estação de trem do subúrbio zuriquenho de Stettbach, Paula Oliveira comunicou a família. O pai, Paulo Oliveira, pediu ao namorado da filha que fotografasse as marcas pelo corpo, e, na qualidade de bem-relacionado assessor parlamentar, não hesitou em enviá-las aos seus contatos privilegiados na mídia e no governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A mídia não é pai (Deus é Pai), mas um corpo profissional dotado de regras de procedimento básicos, como por exemplo, critérios de apuração. Ou assim deveria ser&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se entender a atitude de Paulo Oliveira. Afinal, antes de mais nada, ele é pai, e é perfeitamente cabível que acreditasse piamente na versão da filha. A mídia, no entanto, não é pai (Deus é Pai), mas supostamente – advérbio mais frequente na história toda, também riscado dos manuais de redação nacionais – um corpo profissional dotado de regras de procedimento básicos, como por exemplo, critérios de apuração. Ou assim deveria ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando por cima de todas as regras éticas e de conduta que qualquer estudante de jornalismo supostamente aprende em seu primeiro ano de faculdade, a imprensa brasileira em poucas horas criou todo um circo de histeria e sensacionalismo. O cuidado da polícia zuriquenha, buscando resguardar a privacidade da vítima e o sigilo das investigações, foi considerado no Brasil como evidência de incompetência e, mais grave, de racismo da própria instituição. Afinal, os policiais ousaram até questionar a versão da pobre Paula. Quanta falta de sensibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro ponto da história de Paula que saltou aos olhos de qualquer pessoa informada acerca da cena de extrema-direita na Suíça foi a sigla do partido SVP arranhada na pele da brasileira. É importante esclarecer: nem todo racista é nazista (o Brasil mesmo não tem nenhum movimento neo-nazista que mereça a alcunha, e quem tem coragem de dizer que não existe racismo no país?), e os neo-nazistas aqui pouco se identificam com o Partido do Povo Suíço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O SVP é sim um partido de direita, estupidamente conservador, nacionalista, de base originalmente rural, e que atraiu, nos últimos 15 anos, parte da elite econômica e a classe média temerosa das transformações radicais provocadas pela globalização. Nesse período, deixou de ser um partido de expressão marginal para se tornar a maior agremiação política do país. O partido ganhou ainda notoriedade internacional com suas campanhas recheadas de símbolos xenófobos e racistas, provocando ojeriza até mesmo entre os conservadores dos países da Comunidade Europeia – da qual, é bom lembrar, a Suíça não faz parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os neo-nazis podem até votar para o SVP ou se identificar com partes de sua plataforma, mas o caráter burguês do partido causa repulsa aos radicais. Eles jamais ostentam bandeiras do SVP ou saem às ruas em sua defesa. Seus laços políticos são muito mais fortes com o "movimento", ou seja, a chamada "internacional fascista" que agrega grupelhos dos EUA à Rússia, mesmo que, paradoxalmente, também se baseiem em fortes tintas nacionalistas. Até mesmo suásticas parecem ser um símbolo ultrapassado para a cena neo-nazi, que desenvolveu um design mais moderninho para padrões antigos (inclusive uma grife própria de roupas, além de terem adotado a marca inglesa Lonsdale de roupas esportivas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O médico legista Walter Baer, que examinou os cortes em Paula, foi categórico: trata-se de um caso "clássico" de cortes auto-infligidos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ataques e agressões de cunho xenófobo de fato existem – números oficias dão conta de 355 denúncias entre 1995 e 2006 –, e observam um sensível aumento nos últimos anos. Mas o caso de Paula foge dos padrões normais. As vítimas em geral são homens, e a grande maioria árabes/muçulmanos, africanos, europeus do leste e ex-iugoslavos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que a mistura de SVP com skinheads na versão de Paula serviu de saída apenas como sinal da própria ignorância da brasileira acerca das coisas locais. E levantou mais de um sobrolho entre os investigadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico legista Walter Baer, que examinou os cortes em Paula, foi categórico: trata-se de um caso "clássico" (lehrbuchmässig, em alemão, que significa literalmente "saído do manual") de cortes auto-infligidos: todos ao alcance das mãos da vítima, relativamente superficiais e poupando partes mais sensíveis do corpo e da genitália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As críticas à perícia de Baer proferidas na mídia brasileira agravam ainda mais os sinais de amadorismo jornalístico. Depois de todo o circo que armaram, os jornalistas criticaram o fato de Baer conceder uma coletiva de imprensa antes do fim das investigações – e note-se que, conforme deu a entender a secretária cantonal de polícia, Esther Maurer, na mesma ocasião, a coletiva foi organizada para baixar um pouco o histrionismo midiático que o caso estava sofrendo, e dar uma resposta oficial às acusações de que a Suíça é um país racista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter Baer, aliás, é um dos mais respeitados legistas do país e, ao contrário do passado recente do Brasil (alguém se lembra do caso PC Farias?), não se tem notícia de manipulação política ou de qualquer outro tipo por parte do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Zurique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gravidez que não existiu levantou mais um par de sobrolhos. Detalhes de como a polícia conduziu o interrogatório com Paula, o exame ginecológico que desmentiu a existência dos supostos gêmeos, a arma do crime, possíveis motivações aventadas pela polícia e, por fim, a confissão final da brasileira, saíram publicados na revista Weltwoche da quarta-feira (18). A publicação coincidiu com saída de Paula do Hospital Universitário de Zurique e com a abertura de um processo contra ela pelo Ministério Público local por crimes de falso testemunho e por induzir a autoridade judiciária ao erro. A ex-vítima e agora ré deverá acompanhar o processo em território suíço e seu passaporte encontra-se apreendido pelas autoridades de modo a impedir sua saída do país, para desgosto da opinião pública local (e do SVP), que clamam pela deportação da brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criou-se até mesmo uma comunidade no site Facebook chamada "Deportação para Paula Oliveira" (Ausschaffung für Paula Oliveira), reacendendo o cansativo debate sobre o comportamento de estrangeiros no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O caso de Paula é agora de um problema de caráter pessoal, sem qualquer interesse público, e a imprensa faria bem em deixar a história morrer por aí &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o circo midiático continuava a toda. Segundo o diplomata Acir Madeira, despachado de Brasília especialmente para tratar do caso com a imprensa, o assédio incansável dos jornalistas até na porta de casa já fez o pai de Paula arrepender-se profundamente de sua atitude no início do caso. E pior, com um processo agora nas costas, tudo que a família precisa é manter a boca fechada e se preparar para a defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o que parecia uma grande história horrorosa provou-se em poucos dias ser uma grande farsa constrangedora, e tudo agora se resume a um processo penal no qual provavelmente Paula deverá apenas pagar uma multa – sem contar a possível necessidade de encarar uma longa terapia para administrar distúrbios psicológicos, que o advogado da brasileira estuda incorporar à defesa. Porém, trata-se agora de um problema de caráter pessoal, sem qualquer interesse público, e a imprensa faria bem em deixar a história morrer por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Suíça, porém, mesmo que não tenha havido qualquer comoção pública, o caso tem sido usado para ajustes de contas internos. Uma das ironias é que a farsa de Paula serviu para colocar o SVP na condição de vítima num momento em que o partido acumula mais de um ano de derrotas seguidas em praticamente todos os plebiscitos nacionais e cantonais, seu grande líder, o populista Christoph Blocher, foi chutado do Conselho Federal (o Executivo nacional, no fim de 2007) por "falta de espírito coletivo", lideranças internas de peso pularam fora e fundaram um partido dissidente, e sua popularidade caiu mais de 5%, do pico de 29% em 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a revista Weltwoche, a única a ter acesso aos autos da polícia no caso, e o mais influente órgão de imprensa a defender o SVP, ainda aproveitou de seu furo para achincalhar a rede estatal Swissinfo, que funciona como uma espécie de BBC local, bancada por dinheiro público e considerada pela direita como um "ninho" de jornalistas à esquerda. Segundo a Weltwoche, o comportamento da Swissinfo na cobertura do caso, especialmente por amplificar as notícias da mídia brasileira, foi um exemplo crasso de amadorismo jornalístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amadora" e "irresponsável" é também a impressão deixada pela imprensa do Brasil. Os expatriados brasileiros na Suíça podiam passar sem essa, em nome da reputação da comunidade. Como consolo, pode-se ao menos saber que os serviços consulares do Brasil funcionam, e, no caso, comportaram-se perfeitamente – ou seja, simplesmente fizeram o seu trabalho de assistência como deveria ser feito. Desta vez não foi nem o Estado, nem a polícia que pisaram na bola, mas uma advogada e um bando de jornalistas, numa triste inversão dos papéis usuais no jogo democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*Jornalista brasileiro residente em Zurique.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-1874412704152808617?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/1874412704152808617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=1874412704152808617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/1874412704152808617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/1874412704152808617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/02/os-erros-da-imprensa-no-caso-paula-o.html' title='Os erros da imprensa no caso Paula O.'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-5568272755039809414</id><published>2009-02-16T12:24:00.004-03:00</published><updated>2009-02-16T12:37:34.167-03:00</updated><title type='text'>O PMDB é corrupto</title><content type='html'>Da &lt;a href="http://veja.abril.com.br/"&gt;Veja Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação. Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem. Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como o senhor avalia sua atuação no Senado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB... &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para que o PMDB quer cargos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que o senhor continua no PMDB?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A oposição está acuada pela popularidade de Lula?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que há essa banalização dos escândalos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível mudar essa situação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor parece estar completamente desiludido com a política.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-5568272755039809414?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/5568272755039809414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=5568272755039809414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5568272755039809414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5568272755039809414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/02/o-pmdb-e-corrupto.html' title='O PMDB é corrupto'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8348150075438307506</id><published>2009-02-14T10:58:00.002-02:00</published><updated>2009-02-14T13:55:40.972-02:00</updated><title type='text'>A 'barriga' da Globo quase compromete o Brasil</title><content type='html'>Rui Martins*, no &lt;a href="http://www.diretodaredacao.com/"&gt;Direto da Redação&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça brasileira tinha seus problemas e provavelmente se autoflagelou. É triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais triste é o quadro da nossa imprensa irresponsável que mobilizou o país, levou o ministro das relações exteriores Celso Amorim a criticar um país amigo e Lula a quase criar um caso diplomático. É hora de denunciar a nossa grande imprensa sem deontologia, sem investigação, que afirma e desafirma sem qualquer cuidado e sem checar as notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agressão racista contra Paula Oliveira não foi um noticiario iniciado em Zurique, local da suposta agressão. Estourou no Brasil, detonada por um pai – e isso é muito compreensível – preocupado com sua filha distante. E a maior rede de televisão do Brasil, a Globo, vista por mais de uma centena de milhões de brasileiros, não teve dúvidas em transformar o caso na grande manchete do dia, fazendo com que outros milhões de brasileiros, no Exterior, já acuados pela Diretiva do Retorno, se solidarizassem e imaginassem passeatas e manifestações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a maior barriga da história do nosso jornalismo, que revela o descalabro a que chegamos em termos de informação ou desinformação. Equivale ao conto do vigário do Madoff, ou das subprimes do mercado imobiliário americano. Só que o Madoff está preso, mesmo sendo prisão domiciliar e vivemos uma crise econômica, em consequência dos desmandos dos bancos americanos. Mas o que vai acontecer com a televisão Globo e todos quantos foram atrás? Nada, vai ficar por isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um órgão de imprensa de tanta penetração pode se permitir divulgar com estardalhaço um noticiário de muitos minutos, reproduzido online, repicado por jornais, rádios e copiado por outras televisões sem primeiro checar no local? Que jornalismo é esse que se faz sem qualquer investigação, sem se ouvir as partes envolvidas? Sem deslocar antes um reporter para Zurique e entrevistar também o policial responsável pela ocorrência? Sem ouvir a própria envolvida, fiando-se apenas no relato de um pai desesperado? Sem pedir a opinião de um especialista em ferimentos e escoriações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem vai pagar o dano moral causado a essa jovem, que sem querer se tornou primeira página nos jornais? Quem vai desfazer o ridículo a que se submeteu o nosso ministro Celso Amorim, que, baseado num noticiário de foca em jornalismo, sem ouvir acusação e acusado, ofendeu um país amigo exigindo que prestasse contas em Brasília por um noticiário tipo cheque sem fundo? Quem assume o fato de quase levar nosso presidente a ficar vermelho de vergonha por se basear em noticiário sem crédito, com o mesmo valor de uma ação do banco Lehmann?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais – o dano sofrido pela Suíça, em termos de imagem, justamente quando seu povo tinha justamente votado em favor dos imigrantes , quem vai reparar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa barriga da Globo, secundada pela grande imprensa, é prova do que se vem dizendo há algum tempo – não há credibilidade nessa mídia. Publica-se, transmite-se qualquer coisa, e quanto mais sensacionalista melhor. Não há responsabilidde no caso de erros, de noticiário mentiroso, vale tudo, o papel aceita tudo, a televisão transmite qualquer coisa, desde que dê Ibope – e existe melhor coisa que nacionalismo ofendido? É o que os franceses chamam de "presse de boulevard", mentirosa, tendenciosa, com a opinião ao sabor das publicidades. Sem jornalismo investigadivo, sem confirmar as fontes, sem ouvir as opiniões divergentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão pedir a cabeça do redador-chefe? Não, assim que se recuperarem da barriga, da irresponsabilidade cometida, da vergonha diante dos colegas, vão jogar tudo em cima da pobre jovem, que deve ter seus problemas e que a nós não compete saber, isso é vida privada, não é Big Brother.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa mesma imprensa marrom, que induz nossos dirigentes ao erro, que também publica qualquer coisa contra o que chamam de “assassino desalmado” Cesare Battisti. A irresponsabilidade da imprensa é o pior inimigo da liberdade de imprensa, porque pode provocar reações legislativas limitando os descalabros cometidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever num jornal, falar numa rádio ou numa televisão e mesmo manter um blog constitui uma responsbilidade social. Não se pode valer dessa posição para se difundir boatos, nem inverdades, nem ouvir-dizer, é preciso ir checar, levantar o fato, mencionar ou desfazer as dúvidas e suspeitas existentes. É também preciso se garantir o direito de ser mencionada a versão da parte acusada para evitar a notícia tendenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barriga da Globo vai ficar na história do nosso jornalismo, será sempre lembrada nos cursos de comunicação, tornou-se antológica, e nela estão entalhadas, por autoflagelação, as palavras que a norteiam – sensacionalismo, irresponsabilidade e abuso do seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem, sim, problemas contra nossos emigrantes em diveros países, principalmente depois da criação da Diretiva do Retorno pelo italiano Silvio Berlusconi. Diariamente brasileiros são presos e mandados de volta, na Espanha, mas isso não mobiliza a nossa imprensa, não dá Ibope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* O autor vive na Suíça e colabora com os jornais portugueses Público e Expresso.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8348150075438307506?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8348150075438307506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8348150075438307506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8348150075438307506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8348150075438307506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/02/barriga-da-globo-quase-compromete-o.html' title='A &apos;barriga&apos; da Globo quase compromete o Brasil'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6894874338804412083</id><published>2009-02-01T14:12:00.002-02:00</published><updated>2009-02-01T14:20:50.123-02:00</updated><title type='text'>'Solução de dois Estados só depende de Israel'</title><content type='html'>Reza Aslan, na &lt;a href="http://www.digitalnpq.org/articles/"&gt;NPQ&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter debate as perspectivas para uma solução de dois Estados para a crise palestino-israelense, bem como a política externa americana diante do Irã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segundo os argumentos do seu novo livro, "Podemos chegar à paz na Terra Santa: Um plano que vai funcionar", a imensa maioria dos israelenses e palestinos já aceita os parâmetros de uma solução de dois Estados. Então por que a solução de dois Estados ainda parece tão longe de se tornar realidade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Até o momento isso se deveu ao fato de os israelenses não estarem dispostos a dar um passo fundamental, que é a retirada da Cisjordânia. Isso é central para a solução do conflito, e Israel não apenas continuou a aumentar o número de assentamentos no território como também construiu uma muralha na área palestina da Cisjordânia. Se os israelenses aceitarem a solução, terão de se retirar da Cisjordânia e eles ainda não demonstraram disposição em fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parece que durante cerca de 40 anos o status quo beneficiou Israel. Mas agora parece que ocorreu uma virada, em termos demográficos. Não falta muito tempo para que haja mais árabes do que judeus entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão. Esta não é a verdadeira ameaça à existência de Israel?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exato. Logo haverá uma maioria árabe naquele território de um único Estado, o que significa que Israel terá apenas três opções completamente inaceitáveis. Uma delas é o que se pode chamar de limpeza étnica, coisa que ninguém deseja, e isto significa obrigar os palestinos a deixar o território. A segunda opção seria ter um país dentro do qual houvesse duas classes de cidadãos: uma delas seria composta pelos judeus, que teriam direito ao voto; a outra seria formada pelos árabes sem direito ao voto. E isso seria equivalente ao apartheid sul-africano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira e última opção é deixar que os árabes detenham a maioria dos votos, e com alguma divisão entre os judeus, e os árabes votando em bloco, eles controlariam todo o governo e não haveria mais um Estado judaico. Estas são as opções, excluída a solução de dois Estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parece que a opinião pública e a mídia americanas estão mais dispostas a criticar Israel após a guerra em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As pesquisas mostram que isso é verdade. Acho que veremos grandes mudanças, e a demonstração mais concreta é a eleição de Barack Obama. Desde sua primeira semana na presidência, ficou claro que a paz no Oriente Médio será uma de suas prioridades. E o enviado especial escolhido por ele, George Mitchell, é muito mais qualificado do que muitos de seus predecessores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos israelenses está disposta a abrir mão da Cisjordânia em troca da paz, e os palestinos desejam a mesma coisa. A poderosa voz do presidente dos EUA terá um imenso impacto sobre a opinião pública, não somente no seu país, mas também nos territórios palestinos e em Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual seria a principal lição que o presidente deveria aprender a partir da sua experiência nas tentativas de encerrar o conflito no Oriente Médio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os EUA precisam desempenhar um papel forte desde os primeiros momentos de seu governo, sendo enfáticos nos esforços para conduzir as negociações até a sua conclusão. É necessário agir logo, demonstrar comprometimento profundo e ser persistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este processo começa com o reconhecimento do papel desempenhado pelo Hamas nas negociações?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda é cedo para isto. O Hamas se comprometeu a aceitar qualquer acordo negociado com Israel, desde que seja submetido ao povo palestino em um plebiscito, ou se for eleito um governo de unidade e os representantes do governo aprovarem o acordo. Este é um importante passo a ser dado quando chegar o momento nas negociações com o Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090201/not_imp316387,0.php/"&gt;Estadão&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6894874338804412083?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6894874338804412083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6894874338804412083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6894874338804412083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6894874338804412083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/02/solucao-de-dois-estados-so-depende-de.html' title='&apos;Solução de dois Estados só depende de Israel&apos;'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8728138045977646724</id><published>2009-01-17T11:32:00.001-02:00</published><updated>2009-01-17T11:34:59.363-02:00</updated><title type='text'>Bush: perdoar e esquecer?</title><content type='html'>Paul Krugman, no &lt;a href="http://nytimes.com/"&gt;The New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo passado, foi perguntado ao presidente eleito Barack Obama se ele pediria uma investigação dos possíveis crimes cometidos pelo governo Bush. "Eu não acredito que ninguém esteja acima da lei", ele respondeu, mas "precisamos olhar para a frente em vez de olhar para trás".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto muito, mas se não fizermos uma sindicância sobre o que aconteceu durante os anos Bush - e quase todo mundo entendeu os comentários de Obama como significando que não faremos - isso significa que aqueles que detêm o poder realmente estão acima da lei porque não enfrentarão qualquer conseqüência caso abusem de seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos deixar claro sobre o que estamos falando aqui. Não se trata apenas de tortura e grampos ilegais, cujos perpetradores alegam, por mais implausível que seja, que eram patriotas agindo no interesse da segurança da nação. O fato é que os abusos do governo Bush se estendem da política ambiental aos direitos de voto. E a maioria dos abusos envolveu o uso do poder do governo para recompensar políticos amigos e punir políticos inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de contratação no Judiciário era semelhante ao processo de contratação durante a ocupação do Iraque - uma ocupação cujo sucesso supostamente era essencial para a segurança nacional - no qual os candidatos eram julgados segundo sua posição política, sua lealdade pessoal ao presidente Bush e, segundo alguns relatos, sobre sua posição na questão do aborto, em vez de sua capacidade de realizar seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando sobre o Iraque, não vamos esquecer que o país fracassou na reconstrução: o governo Bush entregou bilhões de dólares em contratos sem licitação para empresas com conexões políticas, empresas que não cumpriram o contrato. E por que deveriam se preocupar em fazer seu trabalho? Qualquer funcionário do governo que tentasse auditar, digamos, a Halliburton, rapidamente via sua carreira descarrilar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito, muito mais. Segundo minha contagem, pelo menos seis importantes agências do governo passaram por grandes escândalos nos últimos oito anos - na maioria dos casos, escândalos que nunca foram apropriadamente investigados. E há o maior escândalo de todos: alguma pessoa seriamente duvida que o governo Bush enganou deliberadamente a nação para invadir o Iraque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que, então, não devemos ter uma investigação oficial dos abusos durante os anos Bush?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma resposta que você ouvirá é que buscar a verdade causaria divisão, que exacerbaria o partidarismo. Mas se o partidarismo é tão terrível, não deveria haver alguma pena para a politização pelo governo Bush de cada aspecto do governo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, nos dizem que não devemos nos concentrar nos abusos do passado, porque não os repetiremos. Mas nenhuma figura importante do governo Bush, ou entre os aliados políticos do governo, expressou remorso por infringir a lei. Quem garante que eles ou seus herdeiros políticos não farão o mesmo de novo, caso tenham a chance?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, nós já vimos esse filme. Durante os anos Reagan, os conspiradores do caso Irã-Contras violaram a Constituição em nome da segurança nacional. Mas o primeiro presidente Bush perdoou a maioria dos malfeitores, e quando a Casa Branca finalmente mudou de mãos, o establishment político e a mídia deram a Bill Clinton o mesmo conselho que estão dando a Obama: deixe os escândalos de lado. Então o segundo governo Bush retomou exatamente de onde os conspiradores do Irã-Contras pararam - o que não causa surpresa quando você tem em mente que Bush de fato contratou alguns desses conspiradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é verdade que uma investigação séria dos abusos da era Bush tornariam Washington um local desconfortável, tanto para aqueles que abusaram do poder quanto para aqueles que lhes possibilitaram ou defenderam. E estas pessoas têm muitos amigos. Mas o preço de proteger o conforto delas seria alto: se ignorarmos os abusos dos últimos oito anos, nós garantiremos que eles acontecerão de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, a respeito de Obama: apesar de provavelmente ser de seu interesse político a curto prazo perdoar e esquecer, na próxima semana ele jurará "preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos". Este não é um juramento condicional para ser honrado apenas quando for conveniente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para proteger e defender a Constituição, um presidente deve fazer mais do que obedecer a própria Constituição; ele deve fazer com que aqueles que violam a Constituição respondam por isso. Então Obama deve reconsiderar sua aparente decisão de deixar o governo anterior escapar impune de seus crimes. Conseqüências a parte, esta não é uma decisão que ele tem o direito de tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8728138045977646724?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8728138045977646724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8728138045977646724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8728138045977646724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8728138045977646724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/01/bush-perdoar-e-esquecer.html' title='Bush: perdoar e esquecer?'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8959410934775583683</id><published>2009-01-10T11:14:00.002-02:00</published><updated>2009-01-10T11:21:23.410-02:00</updated><title type='text'>Um Paul McCartney político</title><content type='html'>Jonathan Power, na &lt;a href="http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=10568/"&gt;Prospect Magazine&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui colega de escola de Paul McCartney em Liverpool, 50 anos atrás, e, desde então, continuamos amigos, embora distantes. Eu ingressei na escola alguns meses após a maioria dos garotos da minha turma. Alan Durband, o nosso professor, pediu a Paul que fizesse com que eu me sentisse confortável na escola. E foi exatamente isso o que ele fez. Foi um ato de cordialidade do qual eu me lembraria muito tempo mais tarde. Sei muito bem como garotos podem ser desagradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, tendo sido um jornalista político durante a maior parte da minha vida, eu quis conversar com Paul sobre, entre outras coisas, os grandes acontecimentos políticos ocorridos durante as nossas vidas. O meu desejo foi manter uma conversa informal, como a de dois velhos sentados em um banco, recordando a época da escola e outras coisas que aconteceram desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta: Quando nós nos conhecemos na escola, lembro-me de ter feito um discurso acalorado na sociedade de debates, e alguém se levantou logo depois e disse: "Acabei de ver o meu primeiro jovem furioso". Quais são as suas memórias políticas daquela época?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta: As minhas memórias seriam mais musicais, tendo mais a ver com a transmissão mensagens através da música. Lembro-me do fim do ano letivo, quando trouxe o meu violão, o único dia em que tive permissão para isso - e fiquei de pé na mesa do professor de história Cliff Edge, um professor especialmente agradável, cantando "Long Tall Sally". Lembro-me ainda de que George (Harrison) também trouxe o violão. A reação de todos os garotos foi: "Uau! Que legal!". Creio que aquilo causou uma boa impressão e me fez pensar que, sim, eu deveria fazer mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Lembro-me daquele dia! Mas nós estávamos também em uma escola bastante acadêmica, e cursávamos o programa rápido para os estágios superiores, quatro anos, ao contrário dos demais. Sofríamos pressão para entrar na universidade. Quando foi que você decidiu romper com aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: É engraçado. Uma das coisas que adoro quanto à vida é o fato de ela simplesmente assumir o controle sobre nós. Você pode fazer grandes projetos, mas o destino sempre entra na história. No meu caso, gosto da forma como os erros transformam-se às vezes no oposto. Assim, recordo-me de que certa vez estava na sala de aula no horário do almoço, vendo todos os caras da minha turma fazendo uma certa tarefa. Perguntei a eles: "O que vocês estão fazendo?". Eles responderam: "Escrevendo para universidades". Eu não tinha a menor idéia de que aquilo era necessário. Ninguém me tinha dito. A minha mãe e o meu pai não sabiam. O meu pai era vendedor de algodão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: No filme "Across the Universe", de 2007, a diretora cria uma história de amor em torno da música dos Beatles e, assim como algumas outras pessoas, ela parece estar dizendo que você, de alguma forma, assimilou este sentimento da década de 1960 - afinal, você concluiu o curso em 1960 -, e o transmitiu como ninguém mais foi capaz de transmiti-lo. Você acredita que isso seja verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Talvez. Mas o legal quanto a isso é o fato de a gente não fazer tal coisa conscientemente. A gente meio que esbarra nas coisas. Por exemplo, o Vietnã. No momento em que começávamos a ser muito conhecidos, alguém me disse: "Bertrand Russel está morando perto daqui, em Chelsea. Por que você não vai visitá-lo?". Assim, eu peguei um táxi até lá e bati na porta. Havia um norte-americano que o ajudava. Ele veio até a porta e eu disse: "Eu gostaria de conhecer o senhor Russel, se for possível". Esperei um pouco e, a seguir, conheci aquele grande homem. E ele era fabuloso. Ele me falou sobre a Guerra do Vietnã - a maioria de nós não sabia nada a respeito, o assunto ainda não estava nos jornais -, e disse como aquela guerra era ruim. Passamos a investigar o tema, e colegas norte-americanos que visitavam Londres nos falavam sobre o recrutamento forçado. A seguir, fomos aos Estados Unidos, e lembro-me de que o nosso agente de publicidade - um cara gordo, que gostava de charutos - disse: "Não importa o que vocês façam, não falem sobre o Vietnã". É claro que aquele era o conselho errado para nos dar. Não se diz a jovens rebeldes que não façam determinada coisa. Assim, é claro que falamos sobre o assunto o tempo todo, e dissemos que era uma guerra péssima. Obviamente, apoiamos o movimento pela paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Você foi um megafone para uma geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: As pessoas me dizem frequentemente: "Você acha que a música modifica o mundo?". Eu acho que sim. Ela modifica o mundo em vários níveis. E um desses níveis vincula-se simplesmente ao fato de os músicos famosos serem ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Por detrás da imagem de jovens rebeldes e impetuosos havia um senso de responsabilidade crescente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Sim. Nós nos víamos simplesmente como jovens sensíveis. Não achávamos que fôssemos particularmente impetuosos. Havia milhões de pessoas, e éramos parte de um movimento. Estávamos longe de ser os piores. Éramos bastante inocentes. Talvez, em termos de responsabilidade, nós tenhamos plantado sementes para pessoas que vieram mais tarde. Pessoas como (Bob) Geldof, Bono. Indivíduos que atualmente estão com o megafone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Você contribuiu para o progresso social?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R. : De uma forma inocente, quase que involuntária, creio que fizemos uma contribuição. Acho que existe uma certa liberdade inerente à toda a história dos Beatles. Atualmente, em qualquer lugar do mundo, e especialmente nos Estados Unidos, as pessoas vêm até mim e me dizem: "Você mudou a minha vida". E eu acho que sei o que elas querem dizer. Quando fomos lá a primeira vez, os Estados Unidos dizia respeito a calções de futebol americano e cortes de cabelo curtinhos. Acredito que hoje em dia haja muito menos disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Voltando à década de 1960, devemos nos lembrar de como o clima cultural era sufocante. Eu acabei de ler um livro sobre Rudolf Nureyev, que conta como ele dançou com Margot Fonteyn no Covent Garden, e no intervalo foi ao banheiro público masculino. Nureyev encontrou um cara lá, transou com ele e estava voltando apressadamente quando a polícia o prendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Brian Epstein, o nosso agente, era gay. Ou "queer", conforme ele seria chamado na época, de forma não pejorativa. Nós sabíamos disso, porque falávamos com ele a respeito - ele era uma pessoa legal para nós. Sabíamos que se fosse pego, ele iria para a cadeia. E, mais uma vez, isto nos fez questionar: "Por que?". Se a pessoa quiser agir daquela forma, mesmo reservadamente, o que isso tem a ver com qualquer outra pessoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Se a minha memória não está me traindo, naquela época você jamais defendeu o direito à homossexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Isso nunca me ocorreu. Ninguém nunca me disse: "O que você pensa a respeito dos direitos dos gays?". Acho que se alguém tivesse me perguntado, eu teria dito que era uma boa idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: A sua geração deixará o mundo melhor do que o encontrou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Não sei nada quanto a isso. O que eu sei é que os nossos costumes e hábitos precisam de algumas restrições bastante severas para salvar o meio ambiente. A industrialização na Índia e na China está criando muitos problemas. Certa vez me encontrei com o ministro do Meio Ambiente da Índia e ele me disse: "Estamos prestes a entrar no buraco do qual vocês estão começando a sair". Mas sinto que, espiritualmente, estamos caminhando para um outro lugar. Por meio da comunicação de massa, através da Internet e outros meios, acho que a idéia de que as pessoas são as mesmas em todos os lugares está começando a tomar conta da nossa consciência e isso me torna otimista. Mas isso não garante um futuro benigno. Acredito que teremos pela frente ou um futuro "Blade Runner" no qual tudo dá horrivelmente errado, ou um futuro iluminado, no qual a Organização das Nações Unidas (ONU) tornar-se-á mais importante e as pessoas e as nações perceberão que a maioria dos seres humanos consiste de animais bastante similares, e que podemos resolver os problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabia que eu acabei de fazer um show em Israel? Me advertiram quanto a ir lá, e me aconselharam a não entrar nos territórios palestinos. Mas eu me liguei a uma organização chamada One Voice (Uma Voz), que é meio palestina, meio israelense. Eles trabalham pela paz, ainda esperando uma solução baseada em dois Estados. Eles acreditam que isso não está muito distante, que os políticos apenas sentem dificuldade em assinar um acordo. Conheci alguns deles em Tel Aviv. Não tinha percebido o quanto o Estado de Israel é intrusivo. Se alguém quiser fazer algo como importar um carro nos territórios palestinos, é necessário obter uma permissão de Israel. E um palestino que trabalha em Israel precisa entrar em uma fila às três horas da manhã para começar a trabalhar às oito. É hora de batermos de frente contra isso conforme conseguimos aparentemente fazer na Irlanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Você acredita que isso acontecerá nos próximos anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Eu fui sem dúvida inspirado pelas pessoas do One Voice. Fui visitar uma escola de música em Belém. Eu precisava ir à Palestina se quisesse lidar com Israel com a consciência limpa. Todos na banda usavam as tarjas do One Voice. Creio que os jovens dos dois lados chegarão lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: E quanto a esta enorme crise financeira? Será que os Estados Unidos foram vítimas da própria ganância?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Creio que há certa verdade nisso. É por isso que muitos de nós esperam uma mudança na política dos Estados Unidos com a eleição de Obama. Ele é o homem para a tarefa. Fiquei bastante impressionado com a decisão dele de trabalhar na zona sul de Chicago após se formar, em vez de obter um emprego lucrativo em Wall Street. Estou muito feliz por ele ter vencido. Acho que ele será um grande presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Existe uma boa possibilidade de que daqui a 500 anos a sua música seja cantada e tocada. Isso o impressiona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Sim. Me dá uma sensação incrível. Até mesmo quando acontece agora. Se estou em Nova York, conforme aconteceu recentemente, um motorista negro põe a cabeça para fora do caminhão e diz: "Ei, Paul. Let it be!". Isso me deixa extasiado. Quando éramos garotos, quem teria imaginado, na poeirenta sala de aula do professor Alan Durband, que estaríamos aqui? Que eu estaria sentado no meu próprio escritório em Londres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Como é que você poderia imaginar que teria uma vida tão rica, que eu estaria sentado aqui com o maior astro pop do mundo, o cara com quem eu joguei críquete no pátio da escola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Os norte-americanos diriam "awesome" ("extraordinário"). Deixe-me contar uma pequena história para terminar. Recentemente, em um feriado, eu estava em Long Island, onde tenho um pequeno veleiro e uma senhora muito gentil permite que eu o deixe atracado na praia dela. Eu simplesmente velejo de maneira bem silenciosa no meu próprio barco. Eu, o vento e a a vela. É um grande equilíbrio para a minha vida de alta visibilidade. Quando eu preparava o barco, havia um grupo de caras na praia, e eu os ouvi cantando. Era uma praia bem quieta; não havia ninguém, exceto eu e eles. Eu simplesmente estava curtindo o local com a minha namorada. Eu escutei, e a música era tão afinada que eu me aproximei. Ao chegar mais perto, percebi que eles cantavam a minha música "Eleanor Rigby". Fiquei simplesmente parado lá, ouvindo, até eles terminarem, e foi muito legal. Um arranjo lindo. Descobri depois que eles eram o clube de canto Princeton Glee. E, quando terminaram, eu os aplaudi e disse: "Você conseguem me imaginar como um garoto em Liverpool, e alguém me dizendo que eu me depararia com um grupo coral jovem cantando uma das minhas canções em uma praia em Long Island, nos Estados Unidos? Isso é fantástico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Lembro-me de que você me disse certa vez que "Eleanor Rigby" foi influenciada por Alan Durband.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Sim, de uma forma indireta. Foi por meio da paixão que ele injetou em nós por coisas improváveis, como Chaucer. Para um garoto de Liverpool de 16 ou 17 anos, não é fácil romper tal barreira e acessar Chaucer. E a paixão que ele injetou em nós encontrou sem dúvida um caminho rumo às minhas músicas. Creio que algo como "Eleanor Rigby" tem uma dívida para com Durband porque eu vi a estrutura, enxerguei as palavras colocadas em uma bela ordem. Ele teve aulas com F.R. Leavis, em Cambridge. Eu nunca tinha ouvido falar de Leavis, mas lembro-me de que havia uma poema de Housman que apreciávamos, mas Durband insistiu que tratava-se de "lixo velho e sentimental". Ele disse que a sua posição devia-se à influência de Leavis. Portanto, eis-me aqui falando sobre esta linhagem Leavis-Durband.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.: Você algum dia contou a ele a história do pedigree de "Eleanor Rigby"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.: Não, mas não sei se naquela época eu sabia disso. É o tipo de coisa que você só percebe quando olha para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8959410934775583683?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8959410934775583683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8959410934775583683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8959410934775583683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8959410934775583683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2009/01/um-paul-mccartney-poltico.html' title='Um Paul McCartney político'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-639122378453772648</id><published>2008-09-16T10:04:00.002-03:00</published><updated>2008-09-16T10:08:34.166-03:00</updated><title type='text'>Comunicado importante: TV mata!</title><content type='html'>Pilar Fazito, no &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/"&gt;Digestivo Cultural&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da década de 1990, quando Madonna ainda era uma bad girl, o fotógrafo Oliviero Toscani fazia a Benetton se tornar uma grife mundialmente conhecida por suas polêmicas e marcantes publicidades. Nessa época, ele era tão popular quanto a pop star e chegou a dar entrevistas tão escandalizantes quanto o seu trabalho. Numa delas, disse que não tinha TV em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O mundo ficou horrorizado e houve quem o julgasse um tirano, por não permitir que os filhos vissem o que se passava no mundo, através da telinha. Há mais de quinze anos, não ter uma TV em casa era como se o cara fizesse parte de uma seita norte-americana em que as pessoas se isolam do resto do mundo e as mulheres deixam os cabelos crescerem até os joelhos, como as unhas do Zé do Caixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a situação mudou um pouco. Sei de uma mulher que não assiste à TV e talvez seja a pessoa mais antenada que conheço. Ela sabe, de antemão, de tudo o que se passa no mundo e à sua volta. Desfez da TV, cancelou assinatura de jornais e revistas e vive plugada na internet. Isso é possível porque seu trabalho exige que ela deixe o notebook ligado o tempo todo ao seu lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre reuniões por Skype, arquivos e documentos enviados por e-mail, ela acompanha sites de notícias que ela mesma escolhe. De qualquer parte do mundo. Ou seja, não há necessidade de se sujeitar a assistir àquilo que é previamente escolhido, editado, pasteurizado e embalado pelas redes de TV e, de quebra, também não precisa sofrer com a programação dominical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, desfazer da TV é algo bizarro para uma sociedade em que o caixote eletrônico responde pelo maior número de vendas do setor eletrodoméstico no Brasil. Ainda mais agora que todo mundo quer trocar o trambolhão pelos modelitos de telas planas, cristal líqüido, LCD, digital e o escambau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro da primeira TV que meu pai comprou, no final da década de 1970. Com um orgulho tão grande quanto o tubo de transmissão do próprio aparelho, ele veio arrastando aquele móvel pesado, impressionando toda a família. Havia um disco preso ao aparelho e quando queríamos mudar de canal, nos levantávamos da poltrona, íamos até lá e girávamos aquela espécie de dial dentado, que fazia um barulho esquisito, como as antigas máquinas de escrever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As brigas infantis pelos canais eram mais raras porque não havia muita variedade na programação, mas eram mais engraçadas porque tínhamos que nos exercitar entre o sofá e a TV: era um levanta-senta, muda de canal, "perdeu lugar", fica na frente para pirraçar; e tome chinelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo ficou encantado com a TV. Já eu me encantei mesmo foi com a caixa de papelão enorme que a embalava, a ponto de querer morar dentro dela. Hoje as embalagens dos aparelhos de TV são tão finas que não cabem nem mesmo um cachorro. Não tem mais graça alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga antenada diz que TV rouba tempo da gente. Ela lê mais de cem livros por ano, freqüenta cinema uma vez por semana, trabalha de sol a sol, viaja, participa de almoços em família, faz ginástica e caminha diariamente e ainda faz faxina na casa. Se tivesse uma TV, seria dessas pessoas que vivem "sem tempo pra nada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a achar que ela está certa. Já percebi que quando chego cansada do trabalho e resolvo ver TV "pra relaxar", aí é que me sinto ainda mais cansada, o que comprova a teoria da minha amiga: "TV não relaxa, estressa". A gente fica zapeando o tempo todo em busca de algo que preste, resolve assistir a todos os telejornais, com a ilusão de que vai se tornar uma pessoa mais informada, passa por canais e programas toscos e depois não consegue dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a gente se toca de que passou a noite em claro pensando que enquanto o Gilmar Mendes faz doce porque foi grampeado, a mulher Melancia tem uma bunda maior do que os silicones da Sheyla de Almeida e que nem a mulher Melancia, nem o Gilmar Mendes se importam com o infanticício indígena ou com a invasão da Raposa do Sol. E que, se depender deles, dos 7 kg de silicone da Sheyla e da audiência televisiva da MTV, a Amazônia vai continuar virando pasto e os ursos polares vão continuar se afogando no Ártico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ursos polares... Novamente eles. Há uma semana que a extinção das bananas e dos ursos polares me rouba as noites de sono. Não que eu seja uma comedora compulsiva de bananas ou adestradora de ursos polares, mas ainda não consigo conceber o resto da minha existência sem os seres que ilustravam os recortes das minhas pesquisas escolares na infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tanto lixo desinformativo, até que a gente acha coisa instigante. A Oprah ― vejam só onde minha letargia televisiva me levou! ― entrevistou um cineasta norte-americano que resolveu fazer um "experimento social". Munido de 100 mil dólares, patrocinado por um canal de TV dos Estados Unidos, o sujeito queria ver o que aconteceria se um sem-teto encontrasse essa quantia assim, dando sopa no meio do nada. Com o que o mendigo iria gastar? Será que esse dinheiro mudaria a vida dele etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cineasta acompanhou o sem-teto antes, durante e depois da aparição da bufunfa televisivo-sociológica. Mais tarde, a cobaia também deu seu depoimento à Oprah. Resumo da ópera: o dinheiro durou pouco, bem pouco. O homem saiu distribuindo as notas para os amigos, comprou um carro para um deles e uma caminhonete cara para si mesmo, viajou em busca da família e tentou uma reconciliação com esposa e filhos. Não deu certo, então ele se casou com outra mulher, alugou uma casa e começou a ter que pagar contas e impostos pela primeira vez na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo o aborrecia, e manter os bens e o padrão de vida que passou a ter de um dia para o outro foi ficando cada vez mais complicado. Hoje o sem-teto tem uma dívida muito maior do que tinha antes de o dinheiro aparecer, a mulher deu no pé e ele voltou para as ruas. Ah, sim, também se diz mais infeliz do que antes e atribui a tristeza ao fato de ter perdido as esperanças na humanidade. Parece que os amigos sumiram depois que ele voltou à pob reza e isso o desiludiu muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então eu mudo o canal e o PSTU dá um recado "robinhoodiano" no programa eleitoral: os ricos têm que pagar as contas dos pobres. Para completar, a BBC mostra os desvalidos e esfomeados em Serra Leoa, enquanto o Luciano Huck pensa em mais alguma atração estúpida para a grade dominical. Não tem problema, depois ele dá uma casa para um pobre e fica tudo bem. Já a Rosana Jatobá diz que vai chover no nordeste, mas não diz se é água ou bebês defenestrados. Tanto faz, isso não interessa mesmo aos 50 mil micareteiros que incendeiam o Mineirão todo ano. Yurruuuu!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, digam lá: dá para dormir com uma poluição dessas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que está tudo de perna para o ar. Nesse mundinho pós-Guerra Fria, ainda tem gente que acredita em bem x mal e nos heróis construídos pelo Galvão Bueno. O que não falta é brasileiro metendo pau na corrupção dos políticos, sem enxergar a própria lambança, como mostrou o CQC dia desses num teste de honestidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este fim de crônica me faz constatar que a TV realmente provoca efeitos nocivos no ser humano. A gente se torna uma pessoa mais triste, pessimista ou fofoqueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei não. Num país como este, em que a gente acredita em tudo o que aparece na telinha, talvez fosse bom mesmo que os grampos no judiciário e no legislativo continuassem. Aliás, deveriam mesmo era divulgar na TV e fazer um grande reality show com essas escutas. Quem sabe assim a gente desiste de todo esse lodo nauseante, levanta do sofá, desliga a TV, vai ler, estudar, fazer algo que preste e, de repente, combater essa corrupção toda que assola o país, da nossa casa à mídia e à cúpula dos três poderes... Bons tempos aqueles em que as crianças ao menos podiam brincar com as embalagens de papelão dos aparelhos televisivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-639122378453772648?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/639122378453772648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=639122378453772648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/639122378453772648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/639122378453772648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/09/comunicado-importante-tv-mata.html' title='Comunicado importante: TV mata!'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-4644675977623475163</id><published>2008-09-13T21:53:00.001-03:00</published><updated>2008-09-13T21:56:36.933-03:00</updated><title type='text'>Na pista, Senna é mais que um nome famoso</title><content type='html'>Brad Spurgeon, do &lt;a href="http://www.iht.com/"&gt;International Herald Tribune&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1994, quando tinha 10 anos, Bruno Senna havia disputado apenas uma corrida de kart, mas já era um piloto de fama mundial. Sua fama não tinha nada a ver com sua vitória naquela corrida. Tinha a ver com seu tio, Ayrton Senna, o mais famoso piloto de corridas de carro da época e tricampeão do mundo de Fórmula 1, que disse: "Se vocês acham que eu sou bom, esperem para ver meu sobrinho, Bruno".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho da irmã de Ayrton, Viviane, Bruno foi mais rápido que Ayrton no kart aos 8 anos, e seu futuro parecia claro. Mas Ayrton morreu no Grande Prêmio de San Marino em Imola em 1994, e no ano seguinte o pai de Bruno morreu em um acidente de moto. Viviane proibiu seu filho de correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi só em 2004 que Bruno voltou a falar em correr, quando decidiu pilotar profissionalmente, aos 20 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ela ficou surpresa", Senna disse sobre a reação de sua mãe. "Ela achou que eu não tinha mais falado sobre isso porque não gostava mais. Pensou que era algo que vinha deles, e não de mim, mas evidentemente estava errada sobre isso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em duas corridas neste fim de semana, uma no sábado e outra no domingo, Senna deveria disputar o título de pilotos na final da série GP2, uma série anterior à Fórmula 1. Senna está em segundo; o favorito continua sendo Giorgio Pantano, que lidera por 11 pontos. Mas ainda há 20 pontos disponíveis através de vitórias, pole positions e volta mais rápida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode estar em jogo se a Fórmula 1 verá novamente um de seus mais ilustres nomes na série. Embora ele tenha dito que usar o nome de sua mãe o ajudou com patrocínio e abriu portas, Senna também disse que às vezes é uma desvantagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se alguém viesse sem nenhuma experiência e fizesse o que estou fazendo hoje, lutando pelo campeonato, todos diriam 'Oh, ele está indo muito bem, talvez possa ser bom na Fórmula 1'", ele disse. "Mas porque eu sou quem eu sou eles pensam 'Oh, ele precisa ser campeão. É a única maneira de chegar à Fórmula 1'. Infelizmente é assim, mas eu enfrento o desafio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, os resultados de Senna foram impressionantes. A maioria dos outros pilotos de Fórmula 1 correu de kart durante a infância, competindo e vencendo em provas nacionais e internacionais. Começaram a correr de carro na adolescência e subiram pelas categorias ao longo dos anos, polindo suas técnicas antes de chegar à Fórmula 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senna, em comparação, só teve aquela corrida de kart. Hoje aos 24 ele está correndo de carro há apenas quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade ele participou de apenas quatro corridas em 2004, três na Fórmula BMW britânica e uma na Fórmula Renault. Mas em sua terceira corrida ele se classificou em segundo e terminou em segundo na corrida da Fórmula Renault.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005 correu na Fórmula 3 britânica e conseguiu uma pole position e três pódios. Na temporada seguinte, com cinco vitórias e nove poles, foi terceiro na série e também ganhou três de quatro corridas na Fórmula 3 australiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado ele mudou para a GP2 e teve sua primeira vitória na Espanha, mas terminou a série em oitavo. Este ano entrou para uma equipe melhor com melhores resultados, mas pagou pela estréia tardia na carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Foi uma grande desvantagem porque eu não tinha técnica de corrida, não tinha experiência de estratégia e só pensava em andar depressa", ele disse. "Mas andar depressa não é suficiente. É muito fácil fazer isso em um teste e dar uma volta que seja boa o suficiente para ser tão rápido quanto qualquer outro. Mas é muito difícil se classificar e fazer uma volta mais rápida que todos os outros. É aí que a experiência realmente faz uma grande diferença."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma confusão no pit depois de sua primeira vitória no GP2: um Senna tinha ganhado uma corrida em um fim de semana na Fórmula 1 pela primeira vez desde que seu tio ganhou o Grande Prêmio da Austrália em novembro de 1993. Senna foi rodeado por muitos repórteres e fotógrafos que tinham coberto o esporte quando seu tio estava lá, e imperou a nostalgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Senna disse que nunca pensa em seu tio quando está correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Absolutamente", ele disse. "Eu tento aprender com sua carreira e tudo mais, mas quando estou no carro e no circuito estou totalmente concentrado em conseguir o resultado e fazer o trabalho. Não há espaço para nostalgia. Você precisa estar focado em ser você mesmo e ser o melhor que puder."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é menos reservado do que seu tio foi, menos místico, mais aberto e sempre com um sorriso, e parece estar desfrutando cada minuto de sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas até Gerhard Berger, amigo e ex-companheiro de equipe de Ayrton, que hoje é sócio da equipe Toro Rosso, disse a ele que precisa ganhar um campeonato antes de passar para a Fórmula 1. Mas Senna está em discussões com várias equipes, e é fácil compreender por quê. A morte de seu tio foi notícia de primeira página em todo o mundo e o Brasil declarou três dias de luto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruno disse que não tem idéia de qual é a reação à sua carreira em seu país. "Ainda não tenho certeza, porque ainda não fui para o Brasil", ele disse. "Mas no momento é muito fácil ser um piloto promissor e estar chegando perto da Fórmula 1. Todo mundo da imprensa o apóia quando você está ganhando."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialmente se o seu nome é Senna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-4644675977623475163?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/4644675977623475163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=4644675977623475163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4644675977623475163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4644675977623475163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/09/na-pista-senna-mais-que-um-nome-famoso.html' title='Na pista, Senna é mais que um nome famoso'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-2350406913122463086</id><published>2008-07-08T11:08:00.002-03:00</published><updated>2008-07-08T11:28:38.089-03:00</updated><title type='text'>Betancourt: 'À noite punham a corrente no meu pé'</title><content type='html'>24 horas na vida da ex-refém que passou seis anos em cativeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pilar Lozano, do &lt;a href="http://www.elpais.com/"&gt; El País&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Era uma levantada às 4 da manhã, precedida de uma insônia provavelmente desde as 3." Assim Ingrid Betancourt começou o relato sobre sua vida na selva, em uma entrevista coletiva que deu na última sexta-feira (dia 4) na embaixada da França em Bogotá, poucas horas antes de partir para Paris. Essa foi a rotina em seus quase 2.500 dias de cativeiro: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rezar o rosário e esperar as notícias; o contato com os espaços de rádio que nos davam a possibilidade de nos comunicar com nossas famílias (...) A retirada das correntes às 5 da manhã, servido o 'tinto' (café) às 5. Traziam as botas mais ou menos nesse momento. Fazer a fila para esperar a vez para 'chontear' - é um termo muito guerrilheiro: ir ao banheiro dentro de uns buracos horríveis, porque não há latrinas, não há nada, então tínhamos de esperar a vez para ir atrás dos matos fazer nossas necessidades nesses buracos." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois um desjejum com "chocolate ou algum caldo..." "Tentar encontrar o que fazer durante longas horas até as 11 e meia. No seqüestro, a partir de certo momento, ninguém mais tem o que dizer. Todo mundo fica em sua pequena barraca ou em silêncio. Alguns dormem, outros meditam, outros escutam rádio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Depois, banho geral. Então, vestir-se para o banho rapidamente e ir, em geral, a um pequeno rio. Tudo é limitado. Para mim era uma tortura lavar o cabelo, porque não me davam tempo. Eu estava com homens que não têm tantas coisas para lavar; eles ficavam prontos em 10 minutos e eu com 25 ainda estava tomando banho, e me tiravam aos gritos e era muito humilhante. Depois, ir para a barraca, vestir-se com muito cuidado para que a toalha não caísse enquanto se veste a roupa íntima, com muito cuidado para que não nos ataque um escorpião, ou qualquer bicho enquanto está se trocando. Todos fomos picados por algum bicho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todos os dias alguém diz: 'Ai! Uma 'hallanave' acaba de me picar. E então outro diz: 'Bom, e onde estão?' 'Não tenho idéia, deve estar por aí.' Uma hallanave é uma formiga muito grande e a dor que produz sua picadura é como a de um escorpião. Há outras formigas pequenas que caem das árvores, e quando roçam a pele da gente urinam em cima e produzem uma queimadura forte." "Depois chega a comida. Temos de comer o que trazem muito rápido, lavar os dentes, limpar as botas, enfiar-se na barraca ou pelo menos organizar a lona, estender a rede e rapidamente cai a noite. E é preciso já estar na rede."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As botas devem estar de um lado para que as recolham e as levem, porque têm medo de que fujamos (...) Nos colocam as correntes e então, se tivermos um guardião de mau humor, nos agarra e coloca a corrente tão apertada que não nos deixa dormir. (...) Mas é possível negociar. No final consegui negociar que pusessem a corrente no pé, porque não conseguia dormir. As correntes eram muito grossas, os cadeados eram muito grossos. Eu terminava com as clavículas peladas pelo roçar da corrente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E a gente dorme como um chumbo, tentando esquecer o pesadelo em que estamos, provavelmente tendo sonhado coisas como, por exemplo, estou com meus filhos correndo, e de repente a gente se levanta em um pesadelo, com a corrente no pescoço, com sede, com vontade de urinar. É preciso urinar na frente dos guardas. Vocês podem imaginar o que era para mim urinar na frente deles à noite, e nos colocam a lanterna porque há muita crueldade e muita maldade... bem, tudo o que não conto para vocês é porque são coisas muito minhas e é muito doloroso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa rotina era rompida quando ouviam passar um helicóptero. "Temos de sair correndo e com essas bagagens que pesam, as coisas que passei... mas, meu Deus, que coisa espantosa! E essas marchas... O pior, o pior... as marchas. Uma marcha, levantada às 4 da manhã, empacotada com todo o equipamento, sem luz... Obviamente se vai vestir a roupa e está com formigas, e a roupa que pomos na marcha está molhada, úmida, ou melhor, absolutamente molhada às 4 da manhã, esse frio do amanhecer, porque a marcha é muito longa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu relato, Betancourt reconheceu que em alguns momentos sentiu vontade de matar. "Se eu pudesse, o teria feito. A morte é a companheira mais fiel do seqüestrado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cabo William Pérez, de 36 anos, que passou dez anos e quatro meses preso, relatou como no ano passado ajudou a salvar a vida de Ingrid: "Ela teve uma depressão muito forte que não a deixava comer. Começou a sofrer de úlcera, de infecção intestinal e se desidratou. A isso é preciso somar o efeito de ter uma corrente no pescoço 24 horas", contou Pérez. "Com paciência, quase à força, como se alimenta uma criança, eu lhe dava colherada após colherada: 'uma para a mamãe, outra para cada um de seus filhos'. Ingrid atirava a comida e chegou um momento em que dizia: 'quero morrer, quero morrer'. Quando disse isso já estava há duas semanas sem comer nada. Ela não tinha forças para subir uma elevação de um metro. Eu tinha de levantá-la, hidratá-la, lhe dar remédio para úlcera e quase obrigá-la a comer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pérez, que entrou no exército colombiano porque não conseguiu realizar seu sonho de estudar medicina, tentava animá-la falando de seus dois filhos, de sua mãe, da quantidade de gente que lutava por ela. Um jornalista da revista colombiana "Semana" lhe perguntou: "O que a guerrilha fazia quando Ingrid estava tão doente que não queria comer?" E Pérez respondeu: "Diziam: 'se não comer e morrer, abrimos um buraco e a enterramos'." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Matéria publicada no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-2350406913122463086?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/2350406913122463086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=2350406913122463086' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2350406913122463086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2350406913122463086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/07/betancourt-noite-punham-corrente-no-meu.html' title='Betancourt: &apos;À noite punham a corrente no meu pé&apos;'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-5101987628628195415</id><published>2008-06-06T11:06:00.000-03:00</published><updated>2008-06-06T11:08:18.680-03:00</updated><title type='text'>Globo mantém estratégia vencedora há 30 anos</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://www.ft.com/"&gt;Financial Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dizem no Brasil louco por futebol, em time que está ganhando não se mexe. A Rede Globo, a maior rede de televisão do Brasil e a quarta do mundo, leva o ditado a sério: há trinta anos, sua programação noturna quase não mudou. Executivos de televisão no mundo todo lutam para adequarem seus horários aos gostos instáveis. A Globo mantém sua estratégia básica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das 18 às 22h, de segunda a sexta-feira, os telespectadores vêem o seguinte: novela; noticiário local; novela; noticiário nacional; e outra novela. Depois, têm futebol pelo menos uma noite por semana e um filme de Hollywood em outra. Uma mistura de séries cômicas e assuntos de interesse atuais preenche o resto. Os dias da semana e os finais de semana são dominados por outro produto básico: programas de auditório, nos quais apresentadores famosos oferecem entrevistas com celebridades, esquetes ao vivo, competições e dramas da vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um dos segredos do sucesso da rede, diz Octávio Florisbal, diretor-geral da Globo: uma programação rígida "horizontal" - diferentemente da variada "vertical", como muitas nos EUA e na Europa - mais adequada para capturar telespectadores e torná-los leais. Outro segredo é o fato da Globo produzir quase toda sua programação, usando autores, atores, jornalistas e técnicos, todos ligados à rede, e criar programas em um estilo próprio instantaneamente reconhecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que estilo. O logotipo espacial da Globo, que faz "plim, plim", diz tudo. Suas novelas trazem tipos reconhecidamente brasileiros de todo o país (com uma forte tendência para o eixo Rio-São Paulo), em ambientes reconhecidamente brasileiros, comportando-se de formas reconhecidamente brasileiras. Eles lidam com questões de preocupação diária dos telespectadores, como crime, sexo com menores e drogas - exceto que nada é bem o Brasil, porque tudo é um pouco melhorado, se não muito, e menos alarmante do que na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pobres especialmente se saem muito melhor no mundo da Globo do que no mundo real. São mais bem alimentados, mais bem vestidos, se dão melhor com seus patrões de classe média e moram em favelas - onipresentes nas cidades brasileiras - tão maquiadas que deixam a coisa real literalmente na poeira. "O povo brasileiro enfrenta suficientes dificuldades em suas vidas diárias", diz Florisbal. "Eles não querem ver mais sofrimento. Não é o que querem das novelas da Globo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se a Globo não está mudando, seus telespectadores sim. A economia está melhorando, e a renda vem aumentando há algum tempo. Nos últimos dois anos apenas, 20 milhões entraram na faixa de renda média, que atualmente compreende 46% dos quase 190 milhões de brasileiros. Isso significa que mais pessoas devem ter mais tempo e dinheiro para fazer outras coisas do que sentarem-se lealmente diante da programação horizontal da Globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bares, restaurantes e cinemas são ameaças evidentes, apesar dos brasileiros de classe média não serem ricos o suficiente ainda para esses terem muito impacto. A Internet e a televisão paga causam preocupação, apesar de seu efeito ser marginal; a televisão paga está presente em apenas 6% a 7% dos 50 milhões de lares brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A competição pelo tempo de lazer das pessoas, ao que parece, não vem primariamente dessas fontes - os fantasmas dos programadores americanos e europeus. O que a renda crescente produziu foi uma feroz competição pelo público da televisão e a propaganda que atrai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados de audiência e propaganda são difíceis de se obter. O Ibope, empresa de pesquisa de mercado, os fornece às redes, que divulgam apenas o que querem. Daniel Castro, colunista de televisão da Folha de S.Paulo, diz que a fatia da propaganda da Globo ainda está firme em cerca de 70%. Mas essa parcela está sendo ameaçada. A Globo diz que seu público médio de 7h da manhã até a meia-noite caiu, mas não revela os dados do horário nobre, que Castro diz ter declinado nos últimos três anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem está comendo a parcela da Globo? Aparentemente, não são os canais rivais tradicionais, SBT e Bandeirantes, mas uma rede relativamente recente, Record, com uma nova fórmula vencedora instalada desde 2004. A fórmula é: copiar a Globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Raposo, diretor de televisão na Record, diz que depois de muita pesquisa criou uma nova programação horizontal constituída de novelas, noticiários, futebol e programas de auditório. O seu horário nobre difere do da Globo apenas na ordem das novelas e dos noticiários. O resultado não surpreende, mas ainda assim é impressionante: as novelas da Record parecem às da Globo, até os atores, os ambientes e a programação gráfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É claro, essa é nossa estratégia", diz Raposo. "Estamos usando o condicionamento que já está presente no telespectador. E 80% de nossos profissionais são da Globo." A Record pegou tantos profissionais da Globo nos últimos dois anos que é incrível que a Globo ainda tenha pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, as novelas da Record diferem das da Globo. "Vidas Opostas", que teve 240 episódios em 2006 e 2007, era uma novela ambientada em uma favela que de fato parece uma favela completa, com traficantes e policiais corruptos. Ela recebeu uma série de prêmios e teve forte audiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Record seguiu esse sucesso com "Caminhos do Coração", na qual os personagens de classe média com vidas ordinárias são afetados por mutantes que atiram raios mortais dos olhos, uma alegoria aos males -desde o crime comum até políticos corruptos - que afligem a vida brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ultra-realismo e no surreal, a Record encontrou formas de acrescentar à fórmula vencedora da Globo. No início do ano, "Caminhos" fez para Record o que nenhuma rede brasileira conseguiu antes: teve um público no horário nobre mais do que a metade do tamanho da Globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Globo ainda não está entrando em pânico. Sua estratégia continua a mesma: nenhuma mudança. "Enquanto líder do mercado, com o público que temos, só podemos mudar muito lentamente", diz Florisbal. Enquanto isso, parece que a Globo corre o risco de ser comida por seu próprio clone. Parece uma novela da Record.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-5101987628628195415?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/5101987628628195415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=5101987628628195415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5101987628628195415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5101987628628195415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/06/globo-mantm-estratgia-vencedora-h-30.html' title='Globo mantém estratégia vencedora há 30 anos'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8321719527998240299</id><published>2008-06-02T01:33:00.005-03:00</published><updated>2008-06-02T06:50:25.169-03:00</updated><title type='text'>TRE censura banner do Gabeira</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://www.gabeira.com.br/"&gt;Gabeira.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que o TRE notificou o deputado Fernando Gabeira pelo que considerou "propaganda extemporânea" feita pelo site www.slglab.com.br/gabeira, criado à revelia do deputado, começou na blogosfera um intenso debate sobre propaganda eleitoral e a liberdade de expressão na internet. Em seu &lt;a href="http://pedrodoria.com.br/"&gt;blog&lt;/a&gt;, de onde precisou tirar um banner a favor da candidatura de Gabeira à prefeitura do Rio, depois da notificação do TRE, o jornalista Pedro Doria foi um dos primeiros a discutir o tema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobre o que é censura e o que podemos dizer&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pedro Doria&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Há uma boa discussão acontecendo no post sobre a censura ao Weblog. Acho que algumas questões valem ser trazidas à frente – para mim é uma questão de princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, polêmica, está se espalhando na Internet. É bom que discutamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns de vocês sabem que passarei um ano em Stanford, nos EUA, estudando justamente as pressões que os tempos correntes impõem às democracias. Me é uma discussão muito cara. E, dos direitos básicos das democracias, considero a liberdade de expressão o maior de todos. Se o Estado não impuser limites naquilo que a sociedade pode dizer e discutir, o resto se resolve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas das questões que vocês levantaram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; Há uma lei que diz que propaganda eleitoral não pode. Lei pode ser mudada mas lei se obedece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não é tão simples. Leis estão subordinadas à Constituição Federal que diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo 5º, parágrafo IV: É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o parágrafo IX: É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, cabe aos juízes interpretarem se uma lei é constitucional ou não. Para mim, esta evidentemente é inconstitucional. O juiz blogueiro Jorge Araújo concorda (leia &lt;a href="http://direitoetrabalho.com/2008/05/weblog-de-pedro-doria-vetado-pela-justica-eleitoral/"&gt;aqui&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que leis do tipo são polêmicas. Os EUA foram o primeiro país a determinar na Constituição este tipo de liberdade num parágrafo de uma elegância ímpar: O Congresso não fará lei que trate de religião ou proíba seu exercício; tampouco escreverá leis que tratem da liberdade de expressão ou de imprensa; ou a respeito do direito das pessoas de se reunirem e cobrarem algo do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isto: o Congresso sequer pode legislar a respeito. O direito à livre expressão é absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.&lt;/strong&gt; Mas isso não é sua opinião. É propaganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o banner possa ser encarado como propaganda, sim. Ou como um ícone que leva a uma página. Mas qual é a diferença? Propaganda é uma forma de comunicação não mais ou menos nobre do que um texto jornalístico ou um artigo de opinião. É a manifestação de uma idéia usando uma forma específica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propaganda deve estar livre de censura da mesma forma que qualquer outra forma de expressão. Afinal, quem realmente define o que é propaganda? Se abrimos uma brecha para que o Estado censure uma espécie de comunicação, logo haverá alguém disposto a chamar de propaganda o que quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns poderiam argumentar que há limites para a propaganda de cigarro. Ou de bebidas alcoólicas. É verdade. Sou contra tais limites. Sou contra quaisquer limites à liberdade de expressão. Não sou contra a intervenção com uma mensagem como ‘O Ministério da Saúde adverte’. Independentemente disso, os limites não proíbem a veiculação da propaganda. Se me obrigassem a incluir um aviso ‘Isso é só minha opinião’ e tudo mais, eu incluiria. Mas estou no momento proibido de manifestar minha opinião da forma que quero num espaço que me pertence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma ressalva importante. E se alguém pusesse um cartaz de propaganda política na janela de seu prédio bem localizado? Pessoas fazem isso. E devem ter o direito de fazê-lo. E se alguém espalhasse cartazes pela cidade ou pichasse muros? É diferente. Se o poste ou o muro não lhe pertencem, você não pode interferir ali. Sua liberdade de expressão se limita ao que é seu e você deve financiá-la. Você pode subir num banco em praça pública e se manifestar. Escrever à máquina, pagar pela xerox e distribuir seus panfletos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso dá poder demasiado para quem tem nas mãos um grande veículo de comunicação? Mas é evidente que dá. Por isso é que rádio e tevê são concessões públicas. Por isso que o exercício da crítica à imprensa é importantíssimo. E por isso que a Internet é revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; Estamos falando de blogs. Imagine se um grande portal decidisse fazer propaganda para um candidato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, não teria nada a opor. Como disse: a livre expressão é um direito absoluto. Construa um grande portal, angarie influência e se manifeste politicamente como bem entender. Na Internet, é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de que um portal poderia se manifestar a respeito de uma candidatura soa estranho, na verdade, porque não estamos habituados com a real liberdade de expressão. Nos EUA, é tradição em todos os jornais que se manifestem a favor de uma candidatura. A revista britânica The Economist costuma se manifestar a favor de candidatos na maioria dos países que cobre. E, às vezes, se manifesta contra – o italiano Silvio Berlusconi que o diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um veículo de comunicação se manifesta publicamente, ele está sendo mais transparente, não menos. E uma das lições da Internet, diariamente comprovada aqui mesmo no Weblog, é que leitores são críticos e têm opiniões próprias. Posso convidar a uma discussão, isto não quer dizer que todos concordarão comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por fim, mesmo no Brasil há pencas de histórias de jornais e revistas que fazem campanha, sim, para determinados grupos políticos ou contra eles. Às vezes, por motivos bem pouco nobres. Em geral, sem transparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Antes que alguém o diga, esta não é uma tirada contra a Veja ou a Carta Capital. Ambas são bem claras em como se posicionam politicamente.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.&lt;/strong&gt; O banner dava ao candidato uma vantagem indevida perante os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dava porque a lei não permite. Mas é um limite artificial. Nada impede que qualquer candidato se manifeste via Internet ou que qualquer blogueiro abra o espaço que desejar para manifestar seus apoios. Aliás, este é justamente o meio de comunicação em que qualquer vereador pode concorrer em pé de igualdade com os candidatos mais ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, alguns candidatos terão mais espaço do que outros porque terão mais apoio. Isso é dado pela democracia. E, como Ron Paul percebeu nos EUA, ter mais espaço na web do que seus concorrentes não quer dizer qualquer aumento de suas chances eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt; Pára com isso. Propaganda eleitoral não pode antes do período eleitoral e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia poder. Somos políticos. Fazer ‘propaganda’ é fazer ‘propagar’ idéias. Uma democracia não é completa se não podemos nos manifestar a favor de determinadas candidaturas quando bem o quisermos sem que o Estado se intrometa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6.&lt;/strong&gt; Seu novo banner é uma ‘agressão gratuita à instituição judiciária’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a única crítica que recebi e me surpreendeu. Que não fiquem dúvidas: o Tribunal me censurou. Censura é isso, é dizer que não pode publicar algo em meu espaço. Uma intromissão em minha liberdade de colocar o que quiser aqui. Uma inteferência em minha independência editorial. Esta é a informação no novo banner. E este aqui, no Brasil, ainda é um regime democrático mesmo que capenga. Um Estado de leis. O tribunal decidiu que não posso publicar, não publico. Mas digo que fui censurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso publicar poema de Camões ou receita de bolo, não deixo espaço em branco para dar a entender que fui censurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, tenho o direito de dizer ‘o que antes estava aqui não está mais porque um Tribunal disse que não pode estar’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho qualquer saudades do tempo em que não podia dizê-lo. Tenho certeza de que os juízes concordam comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7.&lt;/strong&gt; Você não tem que escrever. Tem que brigar na Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou jornalista. Escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há muitos, entre grandes órgãos de imprensa, portais e candidatos, lutando na Justiça neste exato momento contra as restrições atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu aqui foi muito simples: um tribunal decidiu que um determinado tipo de conteúdo não poderia aparecer no Weblog. Não é que tenha ofendido alguém e estou sendo processado por injúria, difamação. Porque o conteúdo não era adequado à época do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tipo de conteúdo? Conteúdo político. Há limites para o que posso manifestar politicamente. Esta é uma questão que tem a ver com nossos direitos mais básicos numa democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Atualização&lt;/strong&gt; - Não pode se manifestar a favor de crime? Não pode demonstrar racismo? Sei que há limites para a expressão da opinião no Brasil. Na verdade, o que qualquer jurista dirá é que a Constituição é contraditória no assunto e a batata quente cai na mão dos juízes. Mas reitero: considero que, para uma democracia ser plena, a liberdade de expressão deve ser absoluta. Isso nem sempre é bonito mas sempre representa o que somos e o que pensamos às claras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, a questão é a seguinte: confiaremos que cada cidadão será responsável pelo que pensa ou pelo que diz e que responderá pelas conseqüências? Ou determinaremos que o Estado deve interferir nesta liberdade? Fico com a primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humilhou alguém de outra etnia? Que seja processado, julgado, multado, preso. Um crime foi cometido por conta sua verve? Se for comprovado, que a Justiça decida o veredito. Da última vez que a idéia de incitação ao crime foi levantada foi para impedir um grupo de cidadãos que pretendia se manifestar pela mudança de uma lei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8321719527998240299?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8321719527998240299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8321719527998240299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8321719527998240299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8321719527998240299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/06/tre-censura-banner-do-gabeira.html' title='TRE censura banner do Gabeira'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6894212811519061232</id><published>2008-05-24T08:30:00.003-03:00</published><updated>2008-05-24T09:04:35.624-03:00</updated><title type='text'>Brasileiros vivem período de prosperidade</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://nytimes.com/"&gt;The New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os consumidores nos Estados Unidos estão apertando o cinto; os brasileiros estão gastando como se não existisse palavra em português para recessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os americanos de classe média estão cercados por uma crescente onda de ansiedade; a classe média brasileira está crescendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo alguns americanos que dispõe de bom crédito não conseguem encontrar uma hipoteca; os brasileiros estão contraindo empréstimos como nunca antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No passado, quando os Estados Unidos espirravam, o Brasil pegava uma pneumonia, mas este não é mais o caso", disse Marcelo Carvalho, diretor executivo de pesquisa do Morgan Stanley no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a uma recém-encontrada estabilidade econômica e vitalidade, aqui e em grande parte da região, a América Latina parece cada vez menos acorrentada à sorte dos Estados Unidos. "Há um grande descolamento ocorrendo", disse Carvalho. "A economia brasileira está crescendo rapidamente enquanto a americana já está, ao nosso ver, em recessão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil está se saindo bem graças a uma combinação de fatores. Os preços elevados das commodities, puxados pela demanda da China, provocaram a entrada de grande volume de dinheiro e criaram empregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O investimento estrangeiro dobrou no ano passado, para US$ 34,6 bilhões, grande parte no mercado de ações, que é um dos que mais crescem no mundo. A moeda está forte, atingindo uma alta de nove anos frente ao dólar na semana passada, e provavelmente valorizará ainda mais dada a decisão no mês passado da Standard &amp;amp; Poor's de elevar o Brasil ao grau de investimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inflação, que encerrou 2007 a 4,5%, está sob controle e a economia está crescendo de forma consistente, apesar de não de forma espetacular, graças à administração competente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu abrangente programa assistencial distribui dinheiro para os pobres gastarem. Os salários estão subindo e o desemprego está caindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, mais brasileiros têm mais dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula chama isso de milagre. Mas na verdade, é algo que há muito era escasso na América Latina: confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanto o governo quanto os analistas estrangeiros insistindo que a economia pode suportar os efeitos de uma desaceleração global, bancos e empresas estão confiantes o suficiente para emprestar aos consumidores a prazos mais longos do que antes. Ao mesmo tempo, uma classe média cada vez mais segura está confiante o suficiente para tomar empréstimos - a ponto, segundo os analistas, do consumo doméstico ter superado as exportações como principal motor econômico do Brasil, reduzindo o efeito do que acontece, digamos, nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido aos booms econômico e de crédito, bens caros como imóveis, carros e eletrodomésticos estão dentro do alcance de até 20 milhões de brasileiros a mais do que antes, estimou Érico Ferreira, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pessoas que não eram consumidoras agora são consumidoras", disse Ferreira. "Todos estão levando mais dinheiro para casa. Se você quiser crédito, você consegue."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma visita a qualquer shopping center ou revendedora de carros sugere que é verdade. As lojas estão lotadas de compradores ávidos em gastar. As vendas de aparelhos domésticos aumentaram 17% do ano passado, a de celulares aumentou 21% e as vendas de computadores notebook e televisores de plasma e LCD quase triplicaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para itens como carros e imóveis, onde o pagamento em dinheiro raramente é viável, os números são ainda mais reveladores. O número de imóveis comprados com financiamento subiu 72% no ano passado, atingindo seu maior número já registrado, e a quantidade de dinheiro sendo emprestada para compra de veículos saltou 45%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explosão de crédito é um fenômeno regional, segundo os economistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos países latino-americanos terem pouca tradição de crédito ao consumidor, a quantidade de dinheiro que está sendo emprestada está crescendo rapidamente, disse Gregorio Goity, um economista argentino e ex-chefe da Federação Ibero-Americana de Associações Financeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os totais gerais são baixos porque vêm de pontos de partida baixos", disse Goity.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas não consigo pensar em algum que não esteja crescendo", ele acrescentou, se referindo à América Latina. "Pessoas que não tinham uma geladeira, uma máquina de lavar, uma máquina de costura, um aquecedor para o inverno, um ar-condicionado para o verão, agora podem comprá-los e melhorar substancialmente sua qualidade de vida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova realidade é mais clara no Brasil - onde a quantidade de dinheiro lançada em cartões de crédito aumentou 20% no ano passado - e particularmente no mercado de automóveis. Um recorde de 2,46 milhões de veículos saíram dos pátios das fábricas no ano passado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos. As vendas cresceram 31% até o momento neste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo, concordam Lula e especialistas, é a mudança nos planos de pagamento. Até recentemente, as taxas de juros eram tão altas e a economia do Brasil tão imprevisível que os bancos não emprestavam por períodos prolongados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As taxas de juros estavam a 25% quando Lula assumiu o governo em 2003, mas caíram para 11,25% no ano passado, ainda entre as mais altas do mundo, mas baixa para os padrões brasileiros. E apesar do medo da inflação ter levado o Banco Central do Brasil a aumentar suas taxas em 0,5 ponto percentual no mês passado, o primeiro aumento em mais de dois anos, os pagamentos de juros da maioria dos consumidores permanece administrável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma taxa de financiamento de imóvel típica é de 12% ao ano, para automóvel é entre 14% e 15%, e para bens de consumo varia de 42% a 43%, disse Félix Cardamone, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito e Serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os financiamentos de imóveis podem ser pagos em 30 anos, os financiamentos de carros podem ser pagos em sete e de aparelhos domésticos podem ser pagos em até dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Há dois milagres básicos: primeiro, o aumento da renda das pessoas, e o segundo, o aumento do número de prestações mensais que uma pessoa pode fazer para pagar o carro", disse Lula no mês passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E o que a indústria automotiva fez? Ela aumentou o número de prestações de 36 ou 24 para 72, para 82. E o que aconteceu? O que aconteceu é que a indústria automotiva corre o risco de atingir capacidade plena de produção no próximo ano. As pessoas estão esperando na fila para comprar um carro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, o número de brasileiros que dispõem de crédito permanece relativamente baixo. O volume de crédito no Brasil em fevereiro foi de 34,9% do produto interno bruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crédito doméstico nos países da zona do euro para o setor privado era de 116% do PIB, segundo números do Banco Mundial de 2006; nos Estados Unidos era de 201% e no Japão era de 419%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferreira previu que no Brasil a proporção de dívida pessoal em relação ao PIB pode passar para entre 38% e 40% neste ano e pode aumentar 3% adicionais a cada ano até 2013. Ela poderia subir mais caso as taxas de juros venham a cair para valores de um único dígito - um cenário improvável, ele acredita - porque milhões de brasileiros atualmente se recusam a pagar o que consideram taxas elevadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Troczynski era um deles. O consultor comercial de 24 anos finalmente comprou um Fiat Punto prateado em abril e realizou seu sonho de ser proprietário de um carro zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Troczynski é típico do novo clã do crédito. Há poucos anos ele não podia arcar com as prestações exorbitantes. Hoje, entretanto, ele recebe o suficiente para dar uma entrada em seu veículo dos sonhos - e em um aparelho de televisão de 32 polegadas. Ele pagará o equivalente a US$ 455 por mês ao longo de 36 meses pelo carro e cerca de US$ 121 pelo televisor por 12 meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu só consegui fazer isso graças ao financiamento. Eu não teria outra forma de fazer isso", disse Troczynski. "Antes os bancos não tinham confiança e nem os vendedores. Está muito mais fácil obter crédito e isso facilita a compra de um carro, de uma casa, para pagar ao longo de anos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O crédito está lá, disponível", disse Divanir Gattamorta, um professor de música que estava com sua esposa em um shopping center em um domingo recente. "Mas conseguimos economizar o suficiente e compramos um carro." Gattamorta disse que eles não queriam financiar porque as taxas de juros eram abusivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os especialistas reconhecem que as taxas atuais afugentam muitas pessoas e dizem que estas queixas simplesmente confirmam o potencial de crescimento futuro - se e quando as taxas de juros caírem ainda mais. "Se as taxas de juros caírem para um único dígito, o efeito seria astronômico", disse Cardamone. "Eu não duvido que quanto mais caírem as taxas de juros, mais as pessoas estarão predispostas a tomarem empréstimos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6894212811519061232?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6894212811519061232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6894212811519061232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6894212811519061232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6894212811519061232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/05/brasileiros-vivem-perodo-de.html' title='Brasileiros vivem período de prosperidade'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-9006454421870511109</id><published>2008-05-18T21:31:00.003-03:00</published><updated>2008-05-18T21:38:02.024-03:00</updated><title type='text'>O rebelde acidental</title><content type='html'>Paul Auster, no &lt;a href="http://nytimes.com/"&gt;The New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o ano dos anos, o ano da loucura, o ano de fogo, sangue e morte. Eu acabava de completar 21 e estava tão louco quanto todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia meio milhão de soldados americanos no Vietnã, Martin Luther King tinha sido assassinado, as cidades queimavam em toda a América e o mundo parecia rumar para a derrocada apocalíptica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser louco me parecia uma reação perfeitamente saudável para a mão que me haviam dado: as mesmas cartas que todos os rapazes receberam em 1968. No instante em que me formasse na faculdade, eu seria recrutado para lutar em uma guerra que eu desprezava no mais profundo do meu ser, e como já tinha decidido me recusar a lutar naquela guerra, sabia que meu futuro só apresentava duas opções: a prisão ou o exílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não era uma pessoa violenta. Revendo hoje aqueles dias, vejo-me um jovem tranqüilo, amante de livros, lutando para aprender a ser um escritor, mergulhado em meus cursos de literatura e filosofia em Columbia. Eu havia marchado em manifestações contra a guerra, mas não era um membro ativo de qualquer organização política no campus. Simpatizava com os objetivos do SDS (um dos vários grupos de estudantes radicais, mas de modo algum o mais radical), mas nunca fui a suas reuniões nem jamais distribuí um panfleto ou folheto. Eu queria ler meus livros, escrever meus poemas e beber com meus amigos no bar West End.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 40 anos uma manifestação de protesto foi realizada no campus de Columbia. A questão não tinha nada a ver com a guerra, mas sim com um ginásio que a universidade ia construir no Morningside Park. O parque era propriedade pública, e como Columbia pretendia criar uma entrada separada para os moradores locais (na maioria negros), o projeto do edifício foi considerado injusto e racista. Eu concordava com essa avaliação, mas não fui à manifestação por causa do ginásio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui porque estava louco, louco com o veneno do Vietnã nos meus pulmões, e as centenas de estudantes que se reuniram ao redor do relógio de sol no centro do campus naquela tarde não estavam lá para protestar contra a construção do ginásio, e sim para ventilar sua loucura, para gritar contra alguma coisa, qualquer coisa, e como éramos todos alunos de Columbia, por que não atirar tijolos contra Columbia, já que ela estava envolvida em lucrativos projetos de pesquisa para empresas militares e assim contribuía para o esforço de guerra no Vietnã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discursos tempestuosos se seguiram, a multidão irada rugia em aprovação, e então alguém sugeriu que fôssemos todos para o canteiro da obra e derrubássemos o alambrado que havia sido erguido para barrar os invasores. A multidão achou que era uma idéia excelente, e lá se foi a turba de estudantes loucos aos gritos, em disparada do campus de Columbia até o Morningside Park. Para minha grande surpresa, eu estava com eles. O que havia acontecido com o menino gentil que planejava passar o resto da vida sentado sozinho em um quarto escrevendo livros? Estava ajudando a derrubar a cerca. Ele puxou, empurrou e sacudiu, juntamente com dezenas de outros e, verdade seja dita, encontrou grande satisfação nesse ato louco e destrutivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dos tumultos no parque, os prédios do campus foram invadidos, ocupados e mantidos durante uma semana. Eu acabei no pavilhão de matemática e ali fiquei durante todo o "sit-in". Os estudantes de Columbia estavam em greve. Enquanto realizávamos calmamente nossas reuniões nos edifícios, lá fora o campus fervia com disputas beligerantes aos gritos e socos, enquanto os que eram a favor ou contra a greve se enfrentavam com abandono. Na noite de 30 de abril, a administração de Columbia se irritou e a polícia foi chamada. Seguiu-se uma rebelião sangrenta. Junto com outras 700 pessoas eu fui preso - puxado pelo cabelo até a perua da polícia por um oficial, enquanto outro pisava na minha mão com sua bota. Mas sem mágoas. Fiquei orgulhoso por ter feito o meu pouquinho pela causa. Ao mesmo tempo louco e orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nós conseguimos? Não muita coisa. É verdade que o projeto do ginásio foi arquivado, mas a verdadeira questão era o Vietnã, e a guerra se arrastou por mais sete anos terríveis. Não se pode mudar a política do governo atacando uma instituição privada. Quando os estudantes franceses se insurgiram em maio daquele ano dos anos, estavam confrontando diretamente o governo nacional - porque suas universidades eram públicas, controladas pelo Ministério da Educação, e o que eles fizeram provocou mudanças na vida da França. Nós em Columbia éramos impotentes, e nossa pequena revolução não passou de um gesto simbólico. Mas gestos simbólicos não são gestos vazios, e, dada a natureza daqueles tempos, fizemos o possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu hesito em traçar comparações com o presente - e portanto não terminarei este trecho de memória com a palavra "Iraque". Hoje tenho 61 anos, mas meu pensamento não mudou muito desde aquele ano de fogo e sangue, e sentado sozinho neste quarto com uma caneta na mão percebo que continuo louco, talvez mais louco que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Paul Auster&lt;/strong&gt; é o autor de "A Trilogia de Nova York", "O Inventor da Solidão", "Timbuktu", entre outros. "Man in the Dark", seu próximo livro, será lançado em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-9006454421870511109?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/9006454421870511109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=9006454421870511109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/9006454421870511109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/9006454421870511109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/05/o-rebelde-acidental.html' title='O rebelde acidental'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7148066709584635306</id><published>2008-05-08T22:50:00.003-03:00</published><updated>2008-05-08T22:58:24.641-03:00</updated><title type='text'>Perdulário, submisso e impune</title><content type='html'>Claudio Weber Abramo, na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados aumentou a verba mensal que cada deputado tem à disposição para pagamento de "assessores" de gabinete (cabos eleitorais, na verdade). O estipêndio passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cálculo da ONG Contas Abertas estima que, com o aumento, o custo direto de cada deputado federal se elevou a R$ 114 mil mensais. Isso inclui o seu salário, a tal remuneração a cabos eleitorais, uma mesada chamada "indenizatória", despesas com viagens e outros auxílios. Ao todo, R$ 1,368 milhão por ano para cada deputado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de comparação, um membro da Casa dos Comuns britânica custa, por ano, 160 mil libras. Ao câmbio médio de abril de 2008, isso equivale a R$ 536 mil. Ou seja, o custo nominal de um deputado federal brasileiro é mais de 150% superior ao de um parlamentar britânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, tal comparação é inadequada, pois não leva em conta as diferenças de renda e de custo de vida entre os dois países. Fatorando os números pelo PIB per capita (o da Grã-Bretanha é quase quatro vezes superior ao do Brasil), resulta que o custo direto real de cada deputado federal brasileiro é dez vezes maior do que o que se observa na Grã-Bretanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as Casas legislativas do país distribuem dinheiro a seus integrantes por conta da "indenização" de despesas alegadamente incorridas no exercício do mandato. Poucas exibem os números. Naquelas que o fazem, observam-se fenômenos curiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, cada deputado estadual gaúcho tem o direito de gastar até R$ 6.100 por mês com combustíveis e manutenção de veículos. Quase todos usam o dinheiro integralmente, sem que a Casa dê a conhecer os respectivos comprovantes. Na Câmara dos Deputados, no Senado e em diversas outras Casas, é igual: "indenizam-se" os parlamentares, mas os comprovantes são mantidos em segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa verdadeira festa da uva se repete na virtual totalidade das Casas legislativas do país. Estudos divulgados no ano passado pela Transparência Brasil sobre os orçamentos (ou seja, custos globais, não apenas os custos diretos incorridos por cada parlamentar) do Congresso, de todas as Assembléias Legislativas estaduais e de todas as Câmaras Municipais de capitais revelam um quadro escandaloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cada brasileiro, e em termos do salário mínimo anual, o peso de manter o Congresso Nacional (Câmara e Senado) é dez vezes superior ao peso correspondente para um cidadão britânico ou alemão, 8,8 vezes para um espanhol, cinco vezes para um norte-americano e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das Assembléias Legislativas estaduais custa mais para o cidadão do que custam todas as Assembléias nacionais européias. Duas Câmaras Municipais (São Paulo e Rio de Janeiro) estão entre as campeãs mundiais de gastos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo em vista o peso financeiro das representações parlamentares do país, é inevitável especular sobre a respectiva relação custo/benefício. É óbvio que a generosidade financeira, aliada à falta de controle, atrai caçadores de renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dados acumulados no projeto Excelências da Transparência Brasil (www.excelencias.org.br) mostram que a Câmara dos Deputados inclui entre seus integrantes nada menos que 178 indivíduos (ou seja, 35% do total de 513 deputados) que respondem em segunda ou terceira instância a processos judiciais por delitos graves ou já foram punidos por Tribunais de Contas. No Senado, essa razão é de 38%. Na Assembléia Legislativa de Goiás, eles são 73%, na de Rondônia, 58% etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado disso, os parlamentos brasileiros se entregam vorazmente ao jogo de cooptação orquestrado pelo Executivo. Como no Brasil o presidente da República pode nomear cerca de 24 mil pessoas para ocupar cargos de confiança, como o governador de São Paulo (por exemplo) nomeia 20 mil indivíduos, e isso se repete em todos os lugares, os Executivos usam a prerrogativa para comprar o apoio dos partidos, populando a administração com exércitos de agentes políticos cuja preocupação com o interesse público pode ser aquilatada pela estatística de casos de corrupção noticiados pela imprensa - nada menos de 1.240 novos escândalos por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disso só pode resultar o descrédito com a política que se observa no Brasil, com desgaste da legitimidade da representação eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso só poderá ser revertido por alterações institucionais. Três sobressaem: reduzir de forma drástica a prerrogativa de o Poder Executivo nomear pessoas para ocupar cargos na administração; impedir que pessoas já condenadas em segunda instância em processos criminais participem da vida política; cortar a pelo menos um quinto os orçamentos dos Legislativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Claudio Weber Abramo&lt;/strong&gt;, matemático pela USP e mestre em lógica e filosofia da ciência pela Unicamp, é diretor-executivo da Transparência Brasil, organização dedicada ao combate à corrupção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7148066709584635306?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7148066709584635306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7148066709584635306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7148066709584635306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7148066709584635306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/05/perdulrio-submisso-e-impune.html' title='Perdulário, submisso e impune'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8966262753183091100</id><published>2008-05-06T12:27:00.004-03:00</published><updated>2008-05-22T01:34:05.466-03:00</updated><title type='text'>Tom Wolfe diz que romance está morrendo</title><content type='html'>Da &lt;a href="http://efe.com/"&gt;Agência EFE&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor americano Tom Wolfe assegurou este domingo (4) em Buenos Aires que "o romance está morrendo rapidamente" e considerou que, para o desenvolvimento do gênero, é necessário que os autores se dediquem à vida cotidiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos em um período no qual o romance rapidamente está morrendo, está se suicidando. Os jovens escritores dos Estados Unidos tentaram copiar (o escritor argentino) Jorge Luis Borges, mas não eram Borges", assinalou o autor, durante uma conferência em Buenos Aires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na conversa, realizada no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires, Wolfe considerou que os poetas "devem sair de seus quartos e averiguar as diferentes coisas que existem no mundo" porque assim "vão tropeçar com coisas que nunca pensavam que poderiam ver".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A não ser que saiam e as vejam, nunca as conhecerão. Os detalhes se encontram quando um se submerge na vida do outro", ressaltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nossas vidas estão cruzadas por nossas psicologias e pelo contexto social. As duas coisas são extremamente importantes", ressaltou o escritor e jornalista durante a conferência "Novo jornalismo: Uma conversa com Tom Wolfe".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor de "A fogueira das vaidades" indicou ainda que o jornalismo "não vai morrer, embora as pessoas só leiam informações pela internet, ou seja, notas mais curtas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Temos meios de comunicação elétricos há mais de 160 anos, desde o telégrafo até a internet. Mas todas as idéias importantes que mudaram os rumos surgiram da palavra impressa", destacou Wolfe durante a conversa, organizada pela Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ressaltou, no entanto, que muitos editores pensam que tudo tem que estar condensado, e advertiu que "há muitas revistas que acham que o Novo Jornalismo - que incorpora elementos da literatura - ocupa muito espaço, além de ser muito caro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Wolfe, o Novo Jornalismo contempla quatro pontos compostos pelos relatos cena por cena, o uso preciso do diálogo, a anotação dos detalhes e o ponto de vista de alguns dos personagens em cada cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É uma definição muito técnica. Permanece dentro dos limites do jornalismo, mas utiliza os elementos que tornaram muito popular a literatura", assinalou o escritor, que chegou à Argentina para participar da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, uma das mais importantes da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, o autor de "Eu Sou Charlotte Simmons" manifestou que "não há uma técnica para a crônica, mas sim uma atitude".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não se aprende a ser cronista em uma escola de jornalismo. Se os senhores têm a informação que eu necessito, mereço que me dêem. Todos temos uma compulsão pela informação. E um cronista tem que estar disposto a abordar qualquer assunto", definiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://diversao.uol.com.br/"&gt;UOL Diversão e Arte&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diversao.uol.com.br/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8966262753183091100?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8966262753183091100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8966262753183091100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8966262753183091100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8966262753183091100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/05/romance-est-morrendo-rapidamente.html' title='Tom Wolfe diz que romance está morrendo'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6827521362871771504</id><published>2008-04-30T10:24:00.001-03:00</published><updated>2008-04-30T10:29:17.524-03:00</updated><title type='text'>Para Woody Allen, a vida é trágica</title><content type='html'>Cineasta expõe sua "visão sombria e pessimista" sobre a condição humana e conta que o assassinato é um ato dramático que o "interessa muitíssimo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 72, Woody Allen lança "O Sonho de Cassandra", que estréia hoje no Brasil, reclamando de Hollywood, da velhice, da crítica e até de seus filmes... Em entrevista a Bruno Lester, da International Feature Agency, nega que seja um "intelectual": "Não me interesso por livros complicados". Allen comenta ainda o lado trágico de "Cassandra", em que Ewan McGregor e Colin Farrell vivem irmãos endividados que recebem proposta para cometer um crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Do que trata "O Sonho de Cassandra"?&lt;br /&gt;WOODY ALLEN - É simplesmente a história de alguns jovens muito simpáticos que se envolvem numa situação trágica, em função de suas fraquezas e ambições. A intenção deles é boa. Eles foram educados com decência, mas os acontecimentos e seus próprios atos os conduzem a um final trágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Como "Crimes e Pecados", é sobre morte e culpa.&lt;br /&gt;ALLEN - Sempre me interessei pelo assassinato e pelo lado sombrio do drama e da tragédia. O assassinato é uma das ferramentas que dramaturgos e cineastas vêm usando há séculos para elucidar o que querem mostrar, quer fossem tragédias gregas, Shakespeare ou, mais adiante, os suicídios nas peças de Arthur Miller. Tirar a vida é um ato muito dramático e que me interessa muitíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Fazia algum tempo que você não criava um drama.&lt;br /&gt;ALLEN - Acontece que meus pontos fortes mais evidentes sempre foram cômicos, mas eu sempre quis ser um escritor trágico - escritor de materiais trágicos. Finalmente, agora que estou ficando mais velho, estou tendo a chance de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Você disse uma vez que a vida é "uma experiência bastante trágica".&lt;br /&gt;ALLEN - Sempre senti que a vida é uma confusão muito grande. Tenho uma visão sombria e pessimista da vida e da fé do homem, da condição humana. Mas acho que há alguns oásis extremamente divertidos no meio dessa miragem. Há momentos de prazer e momentos que são divertidos, mas, basicamente, a vida é trágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Por que você deixou de fazer filmes nos EUA?&lt;br /&gt;ALLEN - É mais fácil conseguir financiamento na Europa. Me dão mais liberdade, porque se respeita o artista mais do que nos EUA. Quando estúdios de Hollywood financiam meus filmes, eles interferem muito. Na Europa, me deixam fazer o que eu quiser. Além disso, aqui eu consigo fazer filmes a um custo mais baixo, e eles não ficam parecendo filmes feitos com pequeno orçamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - "O Sonho de Cassandra" foi recebido com frieza em Veneza, em setembro do ano passado. Você lê as críticas de seus filmes?&lt;br /&gt;ALLEN - Não o faço há 30 anos. Elas não me ajudam. Também nunca assisto a documentários ou leio artigos a meu respeito, porque representam imagens de mim que não reconheço. Não fiz nada de diferente em "O Sonho de Cassandra" do que fiz em outros filmes anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Todo ano há um novo filme de Woody Allen. Como se explica você ser tão produtivo?&lt;br /&gt;ALLEN - É o que faço e tenho bastante tempo livre. Tenho metade do ano sem nada para fazer. Quando termino um filme, fico parado em meu apartamento, caminho pelas ruas, e então tenho uma idéia e penso: "Meu Deus, isso vai ser um outro "Cidadão Kane'!". Começo a escrever e, em pouco tempo, estou com um roteiro. É claro que, quando o resultado está ali, não é nenhum "Kane".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Você já recebeu 21 indicações e três Oscars (roteiro e direção de "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" e roteiro de "Hannah e Suas Irmãs"). O que está faltando? Você pensa em se aposentar algum dia?&lt;br /&gt;ALLEN - Enquanto puder continuar a fazer filmes, não vejo razão para não fazê-los. O que mais deveria fazer? Gosto de trabalhar. Sinto prazer em escrever, é meu hobby.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - E sua saúde é boa.&lt;br /&gt;ALLEN - Nunca estive no hospital; ainda sou ativo. Tenho bons genes. Minha mãe chegou aos 98 anos; meu pai, aos 100. Mas envelhecer é uma coisa terrível. Minha vista já não é o que era, perdi um pouco da audição, a comida não tem o mesmo gosto. Não ganhei sabedoria nenhuma. Não há nada de bom em envelhecer. Você simplesmente deteriora e morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - É mais fácil escrever comédias do que dramas?&lt;br /&gt;ALLEN - Sei mais sobre a comédia, então ela parece vir à tona a todo momento. É claro que quem escreve comédia pensa que a verdadeira essência do mundo está nas mãos dos escritores de dramas sérios. E não há nada que os autores de dramas sérios gostariam mais do que escrever comédias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Por que você não anda atuando tanto quanto antes?&lt;br /&gt;ALLEN - Eu atuo apenas quando acho que sou a pessoa perfeita para o papel. Não sou realmente um ator. Sou muito, muito limitado. Sou capaz de dizer falas espirituosas curtas, e isso é divertido. Consigo representar o tipo de personagem nova-iorquino neurótico que se assemelha ao que sou na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Quando passa algum tempo sem atuar, sente falta disso?&lt;br /&gt;ALLEN - Não. Não me chatearia se eu nunca mais voltasse a atuar. Não ligo. Acho difícil avaliar minha própria performance quando estou na sala de edição. Quase sempre me odeio. É tão constrangedor ver sua imagem na tela grande, agindo como uma pessoa tola. Então, minha tendência é jogar fora muitas coisas que faço, enquanto outras pessoas dizem: "Oh, não tire isso do filme, isso é engraçado". Então, o que você vê na tela - acredite se quiser - é a destilação do que eu consegui fazer de melhor. Portanto, você pode imaginar o que vai parar na máquina de picar papel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Por que você não deixa seus atores lerem o roteiro inteiro?&lt;br /&gt;ALLEN - Constatei que, se eles não sabem o que está acontecendo, não representam o resultado de suas ações. Eles não atuam sabendo para onde vai o roteiro -atuam de maneira muito espontânea, porque não têm certeza do que está acontecendo. E, de fato, os personagens não devem saber o que está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Você é conhecido por não dar muita direção.&lt;br /&gt;ALLEN - Não gosto de sobrecarregar atores com muita conversa, análise e direção. Contrato as melhores pessoas, e então saio do caminho delas. Dou liberdade enorme aos atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - "Vicky Cristina..." é estrelado por Scarlett Johansson. É o terceiro filme que fazem juntos. O que há de especial nela?&lt;br /&gt;ALLEN - Ela tem tudo: é linda, sexy, inteligente, divertida, espirituosa e boa para se trabalhar. Gosto de tudo nela. Se ela mantiver a cabeça no lugar nesse campo de trabalho maluco, o futuro será dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Como você se sente com a história de ela ser descrita como sua musa?&lt;br /&gt;ALLEN - Fico grato quando a chamam de minha musa, mas não é verdade. Com Diane Keaton, foi diferente. Fizemos oito ou nove filmes e tínhamos uma ligação especial. Mas gosto de trabalhar com Scarlett.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Você fica nervoso durante as filmagens?&lt;br /&gt;ALLEN - Nunca fico nervoso quando estou escrevendo ou dirigindo, mas o pânico se instala no momento da montagem, quando você vê tudo o que fez. É um banho de água fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Você não costuma ficar satisfeito com os resultados?&lt;br /&gt;ALLEN - Não. Quando está filmando, você sempre pensa que está fazendo história, e, quando termina, você diz: "Meu Deus, o que eu fiz?". Sempre pensei que tenho um pouco de talento e muita sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - De quais filmes seus você se orgulha mais?&lt;br /&gt;ALLEN - Tenho três dos 39 filmes que fiz: "Match Point", "A Rosa Púrpura do Cairo" e "Maridos e Esposas". Todos os outros, eu gostaria de refazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Alguma vez você já ficou tão decepcionado com um filme que não queria que estreasse?&lt;br /&gt;ALLEN - Fiquei muito decepcionado com "Manhattan". Prometi ao estúdio que, se não o lançasse, eu faria o filme seguinte de graça. Mas o estúdio se recusou, e o filme teve bom desempenho. Com "Setembro", foi o mesmo. Disse ao estúdio que queria refilmar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Você é admirado por outros cineastas. Você enxerga a sua influência no trabalho deles?&lt;br /&gt;ALLEN - Nunca senti que influenciei ninguém. Não quero que isso soe como falsa modéstia, mas sempre pude sentir a influência de meus contemporâneos -Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Robert Altman, Steven Spielberg- e nunca vi minha influência sobre ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTA - Quem o inspirou mais?&lt;br /&gt;ALLEN - Provavelmente os comediantes Groucho Marx e Bob Hope.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6827521362871771504?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6827521362871771504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6827521362871771504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6827521362871771504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6827521362871771504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/04/para-woody-allen-vida-trgica.html' title='Para Woody Allen, a vida é trágica'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7289097038247240792</id><published>2008-04-16T20:04:00.001-03:00</published><updated>2008-04-16T20:07:47.332-03:00</updated><title type='text'>A Lei Rouanet e o negócio da cultura</title><content type='html'>Sérgio de Carvalho e Marco Antônio Rodrigues na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate sobre a extinção da Lei Rouanet tem mobilizado setores importantes da sociedade brasileira. Parte da classe artística, secretários de governo e jornalistas têm assumido o ponto de vista "reformar, sim, acabar, nunca!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, a Lei Rouanet tem se mostrado uma força miraculosa em seus 17 anos de vida. Basta dizer que mudou a paisagem da avenida Paulista, em São Paulo, ao fazer surgir uma dezena de centros culturais. Curiosamente, instituições com nomes de bancos, que elogiam o espírito abnegado da instituição financeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu nascimento está ligado à caneta do presidente Collor de Mello, em 1991. Tinha, então, um nobre objetivo pré-iluminista: incentivar o mecenato. Só que a aristocracia do passado contratava diversão com recursos do próprio bolso. Já a Lei Rouanet está mais afinada com a cartilha liberal-conservadora de sua época: "O Estado deve intervir o mínimo, a sociedade deve se autogerir, mas, para isso, é preciso uma ajudazinha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o poder miraculoso da lei tem a ver com seu mecanismo simples: ela autoriza que empresas direcionem valores que seriam pagos como impostos para a produção cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia parece boa, mas contém um movimento nefasto: verbas públicas passam a ser regidas pela vontade privada das corporações, aquelas com lucro suficiente para se valer da renúncia fiscal e investir na área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, os diretores de marketing dos conglomerados adquirem mais poder de interferir na paisagem cultural do que o próprio ministro da Cultura. E exercem tal poder segundo os critérios do marketing empresarial. O estímulo aos agentes privados resulta em privatismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da grandeza do fundo social mobilizado desde 1991 (da ordem de R$ 1 bilhão só no ano de 2007), é possível compreender a gritaria das últimas semanas. Por trás da defesa da Lei Rouanet, há maciços interesses. Não só os das instituições patrocinadoras, que aprenderam a produzir seus eventos culturais, mas os da arte de índole comercial (feita para o agrado fácil), que ganha duas vezes - na produção e na circulação -, na medida em que os ingressos seguem caríssimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os maiores lucros, contudo, ficam com os intermediários. De um lado, as empresas de comunicação, cujos anúncios pagos constituem gigantesca fonte de renda, em média 30% dos orçamentos. De outro, a casta dos "captadores de recursos", gente que embolsou de 10% a 20% do bilhão do ano passado apenas por ter acesso ao cafezinho das diretorias de empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não há julgamento da relevância cultural na atribuição dos certificados que habilitam o patrocínio, a lei miraculosa abriu as portas dos nossos teatros às megaproduções internacionais, que ganham mais aqui do que em seus países de origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso do Cirque du Soleil, com seus R$ 9 milhões de dinheiro público e ingressos a R$ 200, está longe de ser exceção. Ao contrário, é a norma de um sistema em que o Estado se exime de julgar a qualidade em nome do ideal liberal de tratar os agentes desiguais como iguais e "conter o aparelhamento político da cultura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pressuposto filosófico do debate foi revelado pelo secretário da Cultura de São Paulo, João Sayad: "Antigamente, numa era religiosa, o natural era a coisa criada por Deus. Hoje, o natural é o que dá lucro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao defender o subsídio contra o mercado excludente, assume a impotência do Estado e endossa a idéia de naturalidade (portanto, imutabilidade) do império do capital sobre qualquer coisa que já se chamou "vida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma reforma da Lei Rouanet incapaz de impedir o controle privado de recursos públicos não faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado pode estimular a generosidade humanista dos empresários com renúncia fiscal, mas não pode deixar de regular a distribuição do fundo social com regras claras de concorrência pública. Não parece óbvio? Então, por que não enfrentar o debate sobre valores culturais? Por que contribuir para a universalização da lógica mercantil? O "aparelhamento político da cultura" pode ser questionado em público. O desejo unilateral de um gerente de marketing, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num passado recente, o governo Lula sacrificou seus membros para não enfrentar a tropa de elite da mídia eletrônica. Estava em questão a exigência de "contrapartida social" no patrocínio das estatais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua disposição conciliatória pode, de novo, impedir uma transformação maior, rumo a uma cultura livre, pensada como direito de todos. Mas qualquer mudança exige, no mínimo, considerar a hipótese de que a realidade e o mercado não são uma coisa só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sérgio de Carvalho&lt;/strong&gt;, 41, é diretor da Companhia do Latão e professor de dramaturgia da USP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Marco Antônio Rodrigues&lt;/strong&gt;, 52, é diretor e um dos fundadores do Folias, companhia teatral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7289097038247240792?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7289097038247240792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7289097038247240792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7289097038247240792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7289097038247240792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/04/lei-rouanet-e-o-negcio-da-cultura.html' title='A Lei Rouanet e o negócio da cultura'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-2361183694650991172</id><published>2008-04-05T17:32:00.003-03:00</published><updated>2008-05-22T01:54:13.940-03:00</updated><title type='text'>Verdades e mentiras do cinema</title><content type='html'>O cinema, para Glauber Rocha, era um duende infantil que habitava as salas escuras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carlos Heitor Cony&lt;/strong&gt;, na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a criancinha no colo da mãe disse que o rei estava nu, ninguém pensou em promover um ato público em defesa da roupa inexistente e do rei pelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discretamente, os áulicos da comitiva real devem ter feito uma barreirinha, protegendo a nudez do monarca, que logo voltou ao palácio e se colocou em trajes convencionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulo do conto do Hans Christian Andersen diretamente para a sessão de cinema aqui no Rio onde um filme de Glauber Rocha estava sendo exibido pela milésima vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz se levantou da platéia, era de Madureira, não o subúrbio, mas o humorista homônimo, que declarou que o filme (não o Glauber) era uma merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupor entre as cultas gentes! Ranger de dentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podiam ter deixado um cara daqueles, que não pertencia ao povo eleito, penetrar no sagrado pátio, no templo da arte do Terceiro Mundo que salvará a espécie humana das tiranias e do uso desenfreado da Coca-Cola e dos filmes do Rambo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro uma sessão no velho Polytheama, onde se exibia um filme de Kubrick, "2001 - Uma Odisséia no Espaço". Silêncio sepulcral na sala, dividida na platéia propriamente dita e no balcão, ambos lotados e perplexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a música de Richard Strauss quebrava o espanto de todos, antes, o acentuava, tornando-o monumental, epifania de um futuro que começaria naquele instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz vinda lá de cima, sarça ardente queimando no Monte Sinai instalado no largo do Machado, desceu como um pássaro de bronze avisando a todos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou entendendo tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se mexeu. Havia um eleito que estava entendendo aquilo tudo. Todos estavam salvos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao filme de Glauber, o desabafo de Madureira produziu o mesmo efeito. Ninguém discordou, pelo contrário, todos ficaram mais convencidos ainda da grandeza do filme. Eu próprio, que não estava lá para presenciar momento tão transcendental, folguei que afinal alguém tentasse colocar as coisas no lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glauber é um gênio, não houve outro entre nós. O diabo é que ele não encontrou um veículo apropriado, caótico como ele, universal como ele, para expressar a sua genialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve de usar o material que estava à sua disposição, um material fantástico, sim, mas impotente para movimentar as turbinas submersas que iluminariam o mundo que ele pretendia criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu tiros em várias direções, partindo sempre do eixo imóvel de suas raízes e de seu tempo - tempo que ele criava com um grão de loucura que não fazia sentido, mas fazia bonito, um bonito redundante, formado por lugares comuns gritados por seus personagens ("O cinema do Terceiro Mundo venceu o capitalismo ocidental na Guerra do Vietnã!") ou brandidos por flâmulas coloridas na ponta de fuzis descarregados - todos os filmes dele têm esse balé de bandeiras, estandartes que rodopiam enquanto uma voz em off, solene e ameaçadora, garante que o homem vencerá o dragão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há humor nem ironia em seus filmes, as mensagens são as mesmas, extensas, com um sentido que só ele entende: o fraco é o forte e o forte é um filho da puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou a Glauber ter inventado uma arte que não fosse o cinema, que transcendesse o cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia, romance, teatro, ópera, embolada sertaneja, todas as expressões populares ou eruditas de sua visão de mundo, tudo o que ele tentou na busca de uma linguagem própria, não passou de um genial delírio no qual ele acreditava, como se tivesse a um passo da descoberta definitiva e vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria o caso de perguntar: o que o cinema representava para Glauber Rocha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião, o cinema para ele era um duende infantil, que habitava salas escuras, a cada sessão se materializava, depois retornava à dimensão gasosa de uma coisa inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou um exemplo que parece não ter nada com Glauber. Toda a vez que passava em frente ao cinema América, na praça Saens Peña, Adolpho Bloch pisava de mansinho e falava baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali ele assistira em criança à "O Corcunda de Notre Dame" diversas vezes, pensava que o corcunda morava ali, se não estivesse trabalhando na tela, tocando o seu sino de bronze, ele estaria ali nos seus domínios de duende, protegido pela escuridão do salão deserto, até que um contra-regra diabólico o despertasse e o obrigasse a ser o monstro iluminado que metia medo nas criancinhas. Uma forma de ver e sentir o cinema como a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-2361183694650991172?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/2361183694650991172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=2361183694650991172' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2361183694650991172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/2361183694650991172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/04/verdades-e-mentiras-do-cinema.html' title='Verdades e mentiras do cinema'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-4622095212496824469</id><published>2008-03-30T11:11:00.004-03:00</published><updated>2008-05-22T01:55:12.377-03:00</updated><title type='text'>Prática da caminhada aumenta no mundo</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://www.lavanguardia.es/"&gt;La Vanguardia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticar o "trekking", ou caminhada, para mergulhar em culturas longínquas ou simplesmente desconectar-se de uma vida urbana demais, se transformou no tipo de férias e escapada preferido de um número cada vez maior de cidadãos. Mais de 15 milhões de europeus saem habitualmente para longas caminhadas nos fins de semana, segundo dados da European Ramblers' Association citados por seu vice-presidente, Juan Mari Feliu. Nos últimos anos foram criadas dezenas de empresas dedicadas a organizar excursões de fim de semana; as agências de viagens viram disparar a demanda por férias ligadas ao trekking; proliferaram sites na Web especializados em caminhadas, com milhares de visitas diárias, e se multiplicou o número de associados aos clubes de excursionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma necessidade urbana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As caminhadas correspondem ao desejo da sociedade de descobrir o território de maneira pausada. "Antes, no mundo rural, não sentiam a necessidade vital da natureza, mas hoje temos uma forma de vida sedentária, estamos cercados de concreto e as pessoas precisam da paisagem, percorrê-la com todos os sentidos...", reflete Eduardo Martínez de Pisón, catedrático de geografia na Universidade Autônoma de Madri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os especialistas acreditam que o trekking não pode ser entendido fora das sociedades urbanas. "As pessoas do campo não sentiam a necessidade de sair andando; é da cidade e da cultura que nasce a prática das caminhadas. O fato de poder decidir ir a pé é algo quase aristocrático, no sentido de que o tempo é um privilégio. Renuncia-se a ver muitas coisas para vê-las mais intensamente; é uma opção relacionada com a rejeição da banalidade. As pessoas fazem muitas coisas, mas são poucas as que as preenchem", considera Rafael López-Monné, geógrafo, estudioso do trekking e diretor editorial da coleção de guias De Ferradura (Arola).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão de equilíbrio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na opinião dos estudiosos do fenômeno, andar supera a dimensão do mero entretenimento; trata-se de praticar atividades que nos ajudam a compensar os desequilíbrios provocados pelos estilos de vida atuais. "Diante dos ritmos tão acelerados que praticamos, procuramos uma atividade de contraste, que nos permita entrar lentamente em contato com a natureza e o patrimônio. Além disso, exige um esforço físico que pode ser modulado de acordo com as capacidades de cada pessoa", acrescenta López-Monné.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sabíamos que o sucesso do trekking na Europa chegaria à Espanha. Ficou na moda porque é um lazer muito criativo, acessível aos diversos bolsos e com muitos benefícios para a saúde. Você vai ao médico e ele diz: pare de fumar e de beber álcool e caminhe. Podemos andar sem limite de idade, enquanto em outros esportes é preciso se aposentar com certa idade", opina Antonio Durmo, coordenador de caminhadas da Federação Espanhola de Esportes de Montanha e Escalada (Fedme). A federação indica que em cinco anos o número de licenças federativas aumentou cerca de 30%, passando de 55.127 para cerca de 76.500. mas esse último número não exemplifica a dimensão do fenômeno, pois a maioria das pessoas que sai para caminhar não é afiliada a nenhum clube, apenas vai livremente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais quilômetros de caminhos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros indicadores que corroboram esse boom são o aumento de empresas de guias e de produtos para trekking; a participação de prefeituras e outras administrações na recuperação de trilhas e na promoção turística dessa atividade; o aumento das férias voltadas para caminhadas ou as visitas aos parques nacionais espanhóis, que em cinco anos aumentaram em um milhão de pessoas, situando-se em cerca de 11 milhões em 2006. O número de quilômetros de trilhas sinalizadas e homologadas pela Fedme -percurso longo ou curto ou trilha local- aumentou, passando de 37.192 em 2003 para os atuais 49.022, aos quais se devem somar cerca de 10 mil quilômetros que estão em projeto. O último percurso longo que foi habilitado é o que acompanha o curso do rio Ebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poder de convocação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Outros dados que confirmam essa tendência é o número de inscritos em caminhadas populares ou o dos peregrinos que percorrem grandes rotas como o caminho de Santiago de Compostela. Uma das travessias míticas, a de Matagalls-Montserrat, de 83,3 km com 6 de desnível, vê a participação aumentar a cada ano; na última edição foram cerca de 3 mil inscritos, contra 1.800 em 2001, indica Francesc Sanahuja, presidente do Clube Excursionista de Grácia, a entidade organizadora. O caminho de Santiago é outro barômetro: em dez anos o número de peregrinos que receberam a Compostelana -os que completam no mínimo 100 quilômetros a pé ou 200 de bicicleta- passou de 17.934 para 93.953.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Enrique González, responsável pela área de trekking do Taranná Club de Viatges, a atração pelas caminhadas não corresponde apenas ao desejo de desfrutar do ar livre e romper o cotidiano da cidade, mas também "à necessidade de sociabilizar-se", de conhecer gente. Ele cita o exemplo da proliferação de agências em Madri que se especializaram em vender uma espécie de trekking light, isto é, excursões de baixa intensidade combinadas com uma forte oferta cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao âmbito das viagens, o Taranná multiplicou "no mínimo por cinco as vendas de pacotes de trekking". Deve-se explicar que a palavra "trekking" é associada a caminhadas mais longas, em altitude e em lugares menos acessíveis. "Tenho a sensação de que as pessoas buscam outras formas de lazer, e as férias de praia talvez já não satisfaçam tanto; as caminhadas levam a lugares fantásticos onde não se pode chegar de outra maneira que não seja andando." A Taranná, como tantas outras agências, inclui em seus programas de trekking destinos míticos como as montanhas Semien da Etiópia, as Ruwenzori de Uganda, a cordilheira Branca do Peru, a cordilheira Real da Bolívia ou os vales Zanskar e Markha do Himalaia. "Dos 140 programas que temos em nosso catálogo, cerca de 30 são de trekking. As pessoas querem mais atividades e já não basta levá-las para ver o Taj Mahal", indica Mariano Sanz, da Viajes Años Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estourar a bolha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as saídas para a montanha em grupos numerosos despertam críticas. "Defendo as caminhadas de maneira individual, que as pessoas tomem a iniciativa, recorram a sua engenhosidade, comprem um mapa, aprendam a se orientar... Quando se vai em grupo sempre há barulho, se você vai sozinho ou com pouca gente entra diretamente no cenário e tem um benefício espiritual", considera Eduardo Martínez de Pisón, para quem o interesse pela natureza deve ser acompanhado de um trabalho pedagógico para evitar impactos ambientais. "A natureza é um bem que é preciso saber administrar, não é um objeto de consumo", acrescenta, reivindicando a aculturação dessa disciplina para que não se limite a uma simples atividade esportiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado no&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-4622095212496824469?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/4622095212496824469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=4622095212496824469' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4622095212496824469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/4622095212496824469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/prtica-da-caminhada-aumenta-no-mundo.html' title='Prática da caminhada aumenta no mundo'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6163895283709032124</id><published>2008-03-28T12:43:00.002-03:00</published><updated>2008-03-28T12:47:58.061-03:00</updated><title type='text'>'Os piores presidentes não tiveram amantes'</title><content type='html'>Da &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gay Talese está resfriado. Telefona para o repórter da Folha, atendendo ao pedido deixado na secretária eletrônica, e avisa, raspando a garganta: "Me resfriei e vou viajar, não posso receber você em casa. Mas posso falar agora sobre o Spitzer, tenho poucos minutos", diz o escritor de 76 anos, um dos pais do jornalismo literário, autor de reportagens antológicas reunidas nas coletâneas "Aos Olhos da Multidão" e "Fama e Anonimato" e de obras como "O Reino e o Poder", sobre o "The New York Times", onde atuou como repórter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talese diz que a sociedade americana não está mais ou menos moralista desde que ele publicou em 1980 "A Mulher do Próximo", livro-reportagem que retrata a transformação sexual e moral dos Estados Unidos entre as décadas de 1960 e 1970. Contudo, diz, a mídia repete tanto as informações sobre escândalos sexuais que faz que as pessoas se importem com eles, como no caso do ex-governador de Nova York Eliot Spitzer, que, casado, renunciou no último dia 12 após confirmar que era cliente fiel de uma rede de prostituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - O que mudou no moralismo americano entre "A Mulher do Próximo" e o escândalo sexual do governador Eliot Spitzer? &lt;br /&gt;TALESE - O moralismo não mudou. A mídia mudou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - De que forma? &lt;br /&gt;TALESE - Quando escrevi "A Mulher do Próximo", a mídia não discutia tanto infidelidade, não transformava a vida privada das pessoas em colunas de notícias. John Kennedy foi presidente dos Estados Unidos e teve muitos casos, mas ninguém escrevia sobre sua vida sexual. Havia rumores, mas isso nunca foi conhecido, como foi com Bill Clinton, ou agora, com o governador de Nova York, ou com o senador [Larry] Craig, o homossexual [que renunciou após assediar um homem em banheiro de aeroporto, em 2007]. Na França, quando François Mitterrand foi presidente, não havia discussão sobre seu filho ilegítimo. Mas a mídia americana publica hoje sobre qualquer coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - Os eleitores levam em conta o comportamento sexual do candidato? &lt;br /&gt;TALESE - Não acho que faz diferença nenhuma desde que não se relacione com seu trabalho. John Kennedy foi um presidente muito bom e tinha amantes. Bob Kennedy, seu irmão, tinha amantes. Eram casados e tinham amantes. Lyndon Johnson tinha amantes. Eisenhower. Todos nossos bons presidentes tinham amantes. O presidente Richard Nixon não tinha amantes e foi um presidente ruim. Esse cara, George W. Bush, é um presidente ruim. E não tem amantes. Entende? Bill Clinton foi muito bom e teve. Os piores presidentes são os que não tiveram amantes. Nixon foi o pior de todos os tempos. E Bush é o segundo pior. Se Bush tivesse amantes, talvez não estaria matando tanta gente no Iraque e tendo essa politica de destruir a vida de tanta gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - O senhor quer dizer que, se a vida sexual de Bush fosse menos comportada, seu governo seria melhor? &lt;br /&gt;TALESE - Não digo que seria melhor, mas quando você olha... Os bons presidentes não eram pessoas que se "comportavam" sexualmente. Martin Luther King tinha muitas amantes. Matin Luther King! Nós temos um feriado para ele, ele é um herói nacional. E tinha muitas amantes. Muitas. Ele era um cara mau? Não, não era. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - O desrespeito da privacidade dos políticos é sempre ruim? &lt;br /&gt;TALESE - Depende. Não é bom ou ruim. O que você quer dizer com bom ou ruim? Spitzer é um hipócrita, e é bom que ele seja exposto como hipócrita. Não é que ele esteja vivendo uma vida tão diferente de muitas outras pessoas, tendo uma prostituta, uma amante. Mas a diferença é que ele preconizava uma posição de moralidade, ele quis fechar bordéis, e aí aparece que ele era cliente de bordéis. É bom que ele seja exposto. O outro cara que o substituiu [David Paterson] diz que não tem um casamento perfeito. Mas quem tem? Pelo menos ele trouxe um pouco de verdade para o governo. Spitzer é um hipócrita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - Como repórter, hoje em dia, você publicaria matérias sobre esse escândalo? &lt;br /&gt;TALESE - Não vou dizer que não publicaria, porque, se alguém mais publicar, você tem que publicar. Você não pode fingir que não viu, porque todo mundo sabe sobre isso, está na televisão, nos websites. Se você está no negócio de publicar jornais, tem que publicar o que é considerado notícia. É que hoje em dia tudo é notícia, o que não acontecia 30 anos atrás. É bom ou ruim? Eu não sei. O que acontece é que pelo menos força as pessoas a viverem em coerência com o que dizem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - O sr. avalia mesmo que nada mudou moralmente na sociedade? "A Mulher do Próximo" mostra, por exemplo, a revista "Playboy" como algo chocante e depois mais respeitada, mas hoje em dia a revista é uma instituição americana. &lt;br /&gt;TALESE - Eu mostrava como aquilo mudou naquela época. Nós tivemos mudança real nos anos 1960 e 1970, quando escrevi aquele livro. Pouca coisa mudou desde então. Exceto que a mídia fala mais sobre sexo agora porque há mais liberdade para isso. Mas você não vê pessoas tendo relação sexual com penetração na TV, não ouve certas palavras na TV. Há restrição sobre o que você pode dizer, o que você pode ver. Você não pode ver homem nu na TV mostrando o pênis, não pode. No Brasil também não pode, tenho certeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - Mas, se a mídia muda, a percepção da sociedade não muda juntamente com ela? &lt;br /&gt;TALESE - Eu acho que a mídia mantém a história viva. Quando Bill Clinton teve uma pequena vida sexual com Monica Lewinsky, isso não tinha nada a ver com o trabalho dele como presidente. Não ocupou muito tempo dele. Mas a mídia fez uma história enorme, e aí as pessoas começam a se importar. Lembra que o papa João Paulo 2º estava visitando [Fidel] Castro naquela época? Ele estava indo para Havana e toda a mídia estava lá para cobrir o papa. Quando houve o rumor de que o presidente Clinton teve esse pequeno caso sexual no Salão Oval, todo mundo deixou Havana. Toda a mídia foi embora. E o papa não tinha com quem falar. Não havia cobertura de Castro encontrando o papa. A mentalidade da mídia está toda voltada para escândalos sexuais. A mídia conduz a história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - Por quê? &lt;br /&gt;TALESE - Sexo não é complicado. Política é complicado. Na campanha, veja, as pessoas não ligam para propostas. Elas gostam de histórias simples, escandalosas, com o mais baixo, o menor denominador comum. E a mídia provê isso. A mídia é que conduz a história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - Mas por que o governador renunciou, se as pessoas não se importam tanto assim? &lt;br /&gt;TALESE - A mídia faz as pessoas se importarem, porque repete, repete, repete e repete a história. Fica batendo até a morte. A mídia quer manter a história. Acho que é bom que Spitizer tenha sido exposto como hipócrita, porque é. Já Bush não é um hipócrita sexual, mas é hipócrita em várias outras formas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA - Em que formas? &lt;br /&gt;TALESE - Ele diz que estamos tentando levar democracia para o mundo. E não estamos. Estamos invadindo o mundo, forçando eles [outros países] a se ajustarem a nossa política. A administração de Bush critica os chineses em direitos humanos, e nós invadimos os países de outras pessoas e levamos atrocidades para esses países. Não estamos em uma posição em que podemos dizer que somos melhores que os outros. Somos piores, de certo modo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6163895283709032124?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6163895283709032124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6163895283709032124' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6163895283709032124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6163895283709032124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/os-piores-presidentes-no-tiveram.html' title='&apos;Os piores presidentes não tiveram amantes&apos;'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8115539506588478005</id><published>2008-03-20T19:22:00.002-03:00</published><updated>2008-03-20T19:36:31.954-03:00</updated><title type='text'>Filósofo defende o direito de ficar bêbado</title><content type='html'>Meu nome é Javier Esteban, tenho 42 anos, nasci e vivo em Madri. Licenciado em Filosofia e Direito, dirijo a revista universitária "Geração XXI". Sou casado e tenho duas filhas, Alma (10) e Sol (8). Sou um excêntrico de centro. Sou sufi: caminho para onde caminha o amor. O poder combate a embriaguez. A embriaguez é um direito humano fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista ao &lt;a href="http://www.lavanguardia.es/"&gt;La Vanguardia&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Vanguardia - O que é a embriaguez?&lt;br /&gt;Javier Esteban - Uma expansão da consciência que descortina os véus que ocultam a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Desde quando ela existe?&lt;br /&gt;Esteban - Desde sempre. Até os animais se drogam com substâncias naturais, com frutos fermentados... Formigas, cabras, pássaros, macacos... Todos se extasiam e brincam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Então nós somos como os animais?&lt;br /&gt;Esteban - Não, eles agem por um determinismo instintivo, mas nós temos liberdade! Liberdade para a embriaguez. Liberdade para experimentar com a nossa consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Liberdade para nos drogarmos?&lt;br /&gt;Esteban - É o uso dessa liberdade que nos torna humanos! O direito à embriaguez, portanto, é um direito humano fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Quem é que coíbe o direito humano à embriaguez, em sua opinião?&lt;br /&gt;Esteban - A Igreja católica e o Estado (igreja laica), que querem fiscalizar a nossa consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Castigando os motoristas bêbados?&lt;br /&gt;Esteban - Não, eu não me oponho a sancionar as condutas que são perigosas para terceiros. Mas critico o fato de que estão boicotando o autocontrole que temos de nossa consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Desde quando isso acontece?&lt;br /&gt;Esteban - Começou com a destruição do templo grego de Eleusis, no século 4 d.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Agora você foi longe!&lt;br /&gt;Esteban - Desde o ano de 1.500 a.C., no contexto dos mistérios eleusinos, acontecia um ritual de embriaguez que cada grego vivia uma vez na vida, e isso lhes abria as portas da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Em que consistiam esses mistérios?&lt;br /&gt;Esteban - Eram rituais que aconteciam à noite. Em comunhão coletiva, eles ingeriam um enteógeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - O que é um enteógeno?&lt;br /&gt;Esteban - A palavra significa "deus existe dentro de mim". É uma substância psicoativa capaz de induzir a uma experiência extática de unidade com o cosmos. Uma vivência da divindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Que substância era ingerida em Eleusis?&lt;br /&gt;Esteban - Uma sopa de cereal chamada "kikeon", que continha cornelho de centeio, um fungo com uma substância psicoativa idêntica ao LSD, o enteógeno mais poderoso conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - O que acontecia então?&lt;br /&gt;Esteban - Cada um vivia a sua própria experiência de consciência expandida. Símbolos eram mostrados e cenas eram representadas para guiar o indivíduo ao autoconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Era uma embriaguez ritualizada?&lt;br /&gt;Esteban - Sim, fazia parte do sistema, em benefício da livre consciência de cada indivíduo. Isso foi varrido, destruído. Hoje sentimos falta disso, e nossos jovens, ignorantes, acabam causando danos a si mesmos em suas irrefreáveis tentativas de embriaguez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Quem destruiu esse ritual?&lt;br /&gt;Esteban - Os bárbaros e os monges cristãos nestorianos, no século 4 d.C. A cultura ocidental ficou sem referência de embriaguez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Temos o vinho, o álcool...&lt;br /&gt;Esteban - Não são enteógenos, são muletas úteis para nossas vidas insatisfatórias, escravizadas pelo rendimento econômico. E, em vez de expandir a consciência, a deixam turva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Um pouco de álcool pode cair muito bem.&lt;br /&gt;Esteban - A verdade é que o veneno está na dose, como diziam os gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Que personagens ilustres sabiam disso?&lt;br /&gt;Esteban - Toda a obra de Platão é uma crônica de embriaguez! Aqueles filósofos, assim como os xamãs, chegavam ao êxtase, assim também como os druidas e depois as bruxas, ou até mesmo os místicos, ébrios sem substâncias, que tanto inquietaram a Igreja. O poder estabelecido sempre combateu essas pessoas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Por que motivo?&lt;br /&gt;Esteban - Não há nada mais dissolvente que o livre acesso à própria consciência! Por isso Nixon arremeteu contra os profetas do LSD (Hoffman, Junger, Michaux, Wason, Huxley, Kesey, Leary...), cujas experiências alimentaram o feminismo, a militância ecológica, o pacifismo, os direitos civis... Nixon declarou guerra à consciência: quando começou a guerra contra a droga, começou a grande catástrofe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Que catástrofe?&lt;br /&gt;Esteban - Milhões de presos, dezenas de milhares de mortos, narcoditaduras, a terceira maior fonte de renda do mercado negro no mundo, camponeses com fome, multiplicação de politoxicomanias... A proibição da droga foi o maior erro do século 20!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Você propõe eliminar a proibição?&lt;br /&gt;Esteban - Por acaso a proibição evitou que nossas crianças estejam se metendo com drogas aos 13 anos de idade? Não! Pelo contrário: a proibição presenteia as máfias com um poder imenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Um político colombiano já me disse isso...&lt;br /&gt;Esteban - Muitos governantes já reconhecem o fracasso da praga proibicionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LV - Você faz a apologia das drogas?&lt;br /&gt;Esteban - Das drogas não, mas da embriaguez. Qualquer pessoa maior de idade deveria poder consumir qualquer substância (com o limite único da liberdade de terceiros). E, veja só, Silicon Valley nasceu da embriaguez de pessoas como Bill Gates. Que, por sinal, já admitiu que fumou alguns baseados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Javier Esteban é autor do livro "O Direito à Embriaguez" ('El derecho a la ebriedad', Editora Amargord), um panfleto em defesa do direito que as legislações feitas durante o século 20 consideram um perigo. Esteban insiste: "Não defendo as drogas, mas sim o arroubo, o êxtase, a embriaguez a que toda consciência tem direito". Esse estado ao que o místico chega sem precisar de nenhuma droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt; e editado pelo RA.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8115539506588478005?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8115539506588478005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8115539506588478005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8115539506588478005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8115539506588478005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/filsofo-defende-o-direito-de-ficar.html' title='Filósofo defende o direito de ficar bêbado'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-653677349523360802</id><published>2008-03-16T10:40:00.001-03:00</published><updated>2008-03-16T10:43:18.298-03:00</updated><title type='text'>EUA deportam mais brasileiros</title><content type='html'>Matéria do &lt;a href="http://www.estadao.com.br/"&gt;Estadão&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O departamento de imigração americano está fechando o cerco contra os imigrantes ilegais brasileiros. Segundo informação do Consulado-Geral do Brasil em Boston, o número de brasileiros presos no Estado de Massachusetts esperando para ser deportados cresceu 25% nos últimos 12 meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o cônsul-geral, Mário Saad, no começo do ano passado havia uma média de 150 brasileiros presos esperando deportação. No início deste ano, a média subiu para 200. Do segundo semestre para cá, o número médio de brasileiros deportados por mês passou de 37 para 45 no Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Massachusetts fica a maior concentração de imigrantes brasileiros em um Estado americano: 230 mil. Não há dados sobre as outras regiões que abrigam muitos "brazucas", como Flórida, Nova York, New Jersey, Carolina do Sul e Geórgia. Mas líderes da comunidade afirmam que Massachusetts é uma amostra confiável do que acontece nos EUA - e que a perseguição se intensificou em todos o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tem muita gente vindo da Carolina do Sul e Geórgia, onde a imigração está pegando", diz Erika Abreu, assistente administrativa no centro Bom Samaritano, em Framingham. O centro ajuda imigrantes brasileiros a encontrar trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande aperto na fiscalização recomeçou em junho, quando o projeto de reforma das leis de imigração não passou no Congresso. A lei previa um caminho para legalização dos mais de 12 milhões de ilegais - cerca de 1,2 milhão de brasileiros. Depois que a lei foi rejeitada, a polícia de imigração começou a fazer grandes batidas em vários Estados, com a prisão de centenas de imigrantes em fábricas, frigoríficos e locais de construção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A comunidade brasileira está assustada por causa da falta de um horizonte para a legislação de imigração e por causa da deterioração das condições econômicas daqui", diz o embaixador Mário Saad. A maioria está ganhando menos e ainda perde na taxa de câmbio, diz Saad. "Diante da pressão, muitos estão se questionando se vale a pena ficar aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É o fator medo. Eles começam a ver muita gente deportada e resolvem ir embora antes que algo aconteça", diz Ted Welte, presidente da Câmara de Comércio Metrowest, que cuida dos estabelecimentos da região de Framingham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Temos 12 milhões de imigrantes ilegais, alguns poucos são criminosos e precisam ir para a cadeia, mas nós precisamos dos outros, que são trabalhadores", afirma Welte. Para Fausto da Rocha, diretor-executivo do Centro do Imigrante Brasileiro (CIB), toda vez que há crise econômica, os imigrantes são perseguidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tramitam no Congresso vários projetos de endurecimento na perseguição aos ilegais, entre eles o projeto que vai exigir de 6 milhões de empregadores a verificação dos documentos de 130 milhões de empregados. Enquanto a legislação não passa no Congresso, muitos Estados estão baixando leis próprias, punindo empregadores que não demitirem ilegais e impedindo que ilegais tirem carteira de motorista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-653677349523360802?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/653677349523360802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=653677349523360802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/653677349523360802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/653677349523360802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/eua-deportam-mais-brasileiros.html' title='EUA deportam mais brasileiros'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-5226348342486398859</id><published>2008-03-16T10:14:00.002-03:00</published><updated>2008-03-16T10:20:53.923-03:00</updated><title type='text'>Aprenda a meditar caminhando</title><content type='html'>Por Emilce Shrividya Starling, do &lt;a href="http://www1.uol.com.br/vyaestelar/"&gt;Vya Estelar&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos grandes ensinamentos do Yoga que pode transformar sua vida é meditar na ação. É aprender a estar presente no momento presente. Com a prática da concentração podemos meditar em nossas ações cotidianas enquanto caminhamos, tomamos banho, comemos. Aprendemos a tornar consciente o que fazíamos de maneira automática e podemos assim desfrutar de cada momento de nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto requer treinamento. Não basta pensar e dizer: "Agora vou estar presente, com uma mente concentrada e calma". Isto é um aprendizado que você vai conquistando com paciência e persistência. Contemple agora por alguns instantes como está sua mente, como está sua atenção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém falou com você, até coisas importantes, e você não ouviu e, ao perceber que estava longe, perguntou: "O que foi mesmo que você disse?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você come apressadamente, conversando, sem sentir o paladar, sem saborear e come mais do que o necessário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes você está lendo algo e percebe que está distraído e precisa retornar e ler de novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você fica irritado e impaciente no trânsito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ir dormir, você ficou querendo resolver problemas, remoendo coisas desagradáveis ou se lembrando de coisas agradáveis e perdeu o sono?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas e quantas vezes, ao longo do seu dia, sua atenção se dispersa no passado ou no futuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta mente inquieta que divaga a todo instante é a causadora de muito sofrimento. Muitos de nossos problemas são criados pela mente instável e não adianta se preocupar e tentar resolvê-los porque eles não existem. Eles existem apenas em nossa imaginação e mente negativa. A solução está em aquietar a mente e aprender a estar presente na ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprenda a esvaziar e silenciar a mente. Viva um momento de cada vez com uma mente alerta e ao mesmo tempo tranqüila. Pare de pensar tanto. Isto é essencial para a paz interior, porque com a mente repleta de preocupações, cheia de turbulência com mil expectativas pelo futuro ou lembranças do passado não se pode ser feliz ou sentir serenidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas têm insônia, doenças psicossomáticas, depressão, estresse, medos e não entendem que isto é apenas o reflexo de como vivem na vida diária. A causa está em suas mentes que divagam a todo instante, levando-as ora para o passado, ora para o futuro. Ficam como joguetes da mente sem controle que as escraviza tirando a paz mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para desenvolver estar mais presente na ação procure se concentrar no que está fazendo e quando você perceber que se distraiu, pacientemente, volte a sua atenção para o que está fazendo quantas vezes for necessário. Quando você começar a perceber que está distraído, disperso, é sinal que está ficando presente. Assim, sem cobranças, simplesmente volte a se concentrar no que está fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A base deste treinamento é concentração sem esforço e relaxamento ao mesmo tempo. Firmeza e leveza de espírito. Mente alerta e relaxada. Enquanto que durante o dia, a mente se dirige para fora, esgota-se através de tanta atividade e inquietação; quando dormimos nosso cansaço desaparece e acordamos renovados e descansados. Essa experiência diária de dormir e de se revitalizar através do sono nos mostra que, em estado de sono profundo, a mente descansa no Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta maneira podemos compreender o valor da prática da meditação diária, do relaxamento, da hatha yoga, da concentração para a tranqüilidade da mente. Com estas práticas, vamos aquietando a mente, sentindo o apaziguamento e permitindo que ele permeie todo nosso dia. Aprendemos a observar a mente, a lidar com ela, a estar mais presentes e levamos isto para nossas ações cotidianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu treinamento de hatha yoga, praticando as posturas com a consciência do movimento, com a mente concentrada e relaxada ao mesmo tempo, tem me auxiliado muito a entender a importância de estar presente, consciente da respiração, sentindo minha presença, observando meus pensamentos e ações no meu dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro viver um momento de cada vez, desfrutando plenamente do presente. Isto me tornou uma pessoa mais alegre, mais jovem, mais saudável e feliz. Valorizo cada instante da minha vida com um coração agradecido e aceitação. Com a consciência do momento presente entendemos o valor inestimável de cada momento. Aprendemos a encontrar a felicidade em nossa realidade presente e nossas tarefas cotidianas não são mais um fardo e nem nos aborrece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendemos que tudo depende de nossa atitude. Se mudarmos a nossa atitude em relação a um lugar, ele se torna excelente. Se mudarmos nossa atitude em relação às pessoas, descobrimos qualidades nelas. Se mudarmos nossa atitude perante os acontecimentos, desenvolvendo aceitação, aprendemos com a vida e somos mais livres e felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não estamos presentes não sentimos alegria, não sentimos paz e não podemos compartilhar esses sentimentos com nossos familiares, amigos, em nosso ambiente de trabalho, com o mundo ao nosso redor. Ao conseguirmos desfrutar do momento presente, com uma mente amável, contente e serena, usufruímos a vida verdadeiramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se você não está presente, você olha e não vê, escuta, mas não ouve, come, mas não saboreia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplique isto em sua vida. Quando comer uma fruta, não coma conversando, em pé, às pressas. Coma sentado e esteja presente, sentindo o paladar, saboreando o momento, absorvendo o néctar da fruta. Além de o alimento lhe satisfazer plenamente, você se acalma e estes momentos alimentam também sua alma que se torna mais tranqüila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cultive cada vez mais a mente positiva, o sorriso, a paciência, o bom humor, o hábito da felicidade e alegria. Compreenda que a sua habilidade de viver o momento presente determina sua paz mental. O ontem não existe mais, o amanhã ainda não existe e o presente é o único momento que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medite caminhando&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro, "Meditação Andando", o Mestre zen budista Thich Nhat Hanh explica como conseguir a paz interior, ao fazer caminhadas. Com o corpo e mente relaxados, ao inspirar, diga para si mesmo "inspirando" e ao expirar, diga "expirando". Faço isto muitas vezes durante minhas caminhadas diárias. E, imediatamente, observo melhor a paisagem ao meu redor, fico mais presente e calma, com mais entusiasmo e disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto muito também de andar e fazer muitas atividades, fazendo a repetição mental do mantra, pois além de ficar mais focada no momento presente, esta prática esvazia a mente de pensamentos inúteis e negativos. Tenho praticado isto ao longo dos anos e é uma prática poderosa e transformadora. Repito Om Namah Shivaya mentalmente, muitas e muitas vezes ao dia, e assim, em vez de me preocupar sem necessidade, vou purificando a mente com a repetição do mantra que acalma as ondas mentais e cerebrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimente estas técnicas andando e também em outros afazeres seus e perceba como elas funcionam e tranqüilizam você. Pode também repetir mentalmente uma frase mantrica como: "Eu sou a presença de Deus em ação". Com a prática, você vai perceber como vivia antes cheio de aflições, pensando no passado ou no futuro, e não vivia o momento presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto vai à padaria, enquanto vai a um supermercado, ou na fila de um banco repita mentalmente um mantra ou uma frase mantrica. Perceba como você vai ficando mais consciente, mais presente e confiante. No trânsito, aproveite para ouvir um Cd de mantras ou uma música new age bem suave. Lembre-se de relaxar e respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro 'Para Viver em Paz', Thich Nhat Hanh diz: "Segundo o Sutra da Mente Desperta", enquanto se lava a louça, deve-se somente lavar a louça, o que quer dizer: enquanto se está lavando louça deve-se estar totalmente cônscio do fato de que está lavando louça ".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer tolice dar tanta importância a uma coisa tão simples, mas é justamente nas tarefas mais simples e cotidianas que aprendemos a meditar na ação, a estar totalmente presentes e conscientes de nossa própria presença, respiração, pensamentos, palavras e ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descubra você também, na simplicidade de suas atividades cotidianas, a felicidade de estar presente no único momento que existe, o momento presente. Desfrute do presente, este "presente precioso", e sinta como sua vida passa a ter mais entusiasmo, mais prazer e tranqüilidade. Participe conscientemente do fluxo natural da vida e seja mais feliz. Fique em paz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-5226348342486398859?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/5226348342486398859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=5226348342486398859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5226348342486398859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5226348342486398859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/aprenda-meditar-caminhando.html' title='Aprenda a meditar caminhando'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8262310188178948662</id><published>2008-03-16T09:40:00.002-03:00</published><updated>2008-03-16T09:44:34.161-03:00</updated><title type='text'>Frei Betto critica assistencialismo do Bolsa-Família</title><content type='html'>Do &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/"&gt;UOL Notícias&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, foi um dos líderes do Fome Zero, principal programa social do primeiro mandato do presidente Lula. Durante dois anos, foi assessor especial da presidência e coordenador de mobilização social para o Fome Zero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teólogo e escritor ligado à esquerda - foi preso durante a ditadura militar e acusado de apoiar guerrilheiros como Carlos Marighella -, Frei Betto deixou o governo no final de 2004 incomodado com os rumos da política econômica e criticando a burocracia que emperrava o andamento dos programa sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longe, viu o Fome Zero perder o posto de "carro-chefe" para o Bolsa-Família, que completou quatro anos nesta semana com direito a comemoração em Brasília. Em entrevista ao UOL, Frei Betto lamenta a substituição de um programa "emancipatório" por um "assistencialista" e pede reformas estruturais para que o Brasil alcance a "democracia econômica". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - O governo federal tem motivos para comemorar esse aniversário de quatro anos do Bolsa-Família?&lt;br /&gt;Frei Betto - Por que o governo federal não comemora cinco anos do Fome Zero e sim quatro do Bolsa Família? É uma pena que um programa muito mais amplo, e de perfil emancipatório, formatado pelo próprio governo Lula, e tido como prioritário, tenha sido substituído pelo Bolsa Família, que tem caráter mais assistencialista. É claro que o governo tem motivos para comemorar, afinal, depois da Previdência Social, o Bolsa Família é o maior programa de distribuição de renda existente no Brasil. E também a maior usina de votos favoráveis ao governo. Espero, entretanto, que o resgate de uma importante medida do Fome Zero - estabelecer prazo para as famílias se emanciparem do programa - venha a imprimir ao Bolsa Família um caráter mais educativo, de promoção cidadã. É preciso que os beneficiários produzam sua própria renda, sem depender do poder público nem correr o risco de retornar à miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - Quando o senhor deixou o governo, fez críticas à burocracia, que atrapalhava o andamento do Fome Zero. De lá para cá, mudou alguma coisa? Houve melhoras na execução dos programas sociais? &lt;br /&gt;FB - Quanto ao Bolsa Família, houve evidente melhora, sem dúvida, graças ao empenho do ministro Patrus Ananias. Porém, me pergunto pelos outros programas que faziam parte da cesta emancipatória do Fome Zero: onde estão os cursos profissionalizantes? A formação de cooperativas? Os restaurantes populares? Os bancos de alimentos? Os comitês gestores? Por que conceder facilidades de acesso ao crédito se já existia, no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, iniciativas, como o Banco Popular (que fim levou?) nesse sentido? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - Que balanço o senhor faz hoje dos programas de combate à fome e do Bolsa-Família?&lt;br /&gt;FB - Em geral, positivos, mas provisórios enquanto as medidas assistencialistas não forem respaldadas por reformas de estrutura. De que adianta distribuir renda a quem aspira que se distribua terra? Como é possível ter êxito no combate à fome sem reforma agrária? Como se explica as famílias pobres terem mais acesso à renda e ao consumo e, ao mesmo tempo, sofrerem a ameaça de dengue e febre amarela? O governo combate, de fato, a miséria, mas não a desigualdade social, pois teme mexer nas estruturas arcaicas do país e desagradar os que se enriquecem graças à injustiça estrutural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - Que avaliação o senhor faz das medidas anunciadas nesta semana? Qual impacto elas terão sobre a vida dos beneficiários? &lt;br /&gt;FB - É muito cedo para avaliá-las. Quanto ao impacto, é claro: o governo já iniciou sua campanha pelas eleições municipais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - O senhor vê uso eleitoral do Bolsa-Família? Acha isso inevitável em ano de eleição? &lt;br /&gt;FB - Em política tudo tem uso eleitoral, do contrário o poder não seria motivo de tanta cobiça. Ainda que haja motivação eleitoreira, importa-me saber se os mais pobres são beneficiados. E isso tem ocorrido, embora sem o caráter emancipatório a que me referi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - O senhor acredita que o pagamento de renda pelo governo a essas famílias possa causar algum tipo de dependência?&lt;br /&gt;FB - A dependência é clara, pois onde há dinheiro, há dependência. O próprio governo é consciente disso, tanto que agora retomou um critério do Fome Zero: estabelecer prazo de permanência no programa. A questão é saber se, após os dois anos como beneficiária, a família encontrará de fato sua porta de saída, conquistando autonomia para produzir sua própria renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - Esse tipo de programa vira um caminho sem volta? Como fazer com que essas pessoas "caminhem com as próprias pernas"?&lt;br /&gt;FB - Só se pode "caminhar com as próprias pernas" quando se vive num país cujas estruturas sócio-econômicas não produzem tanta desigualdade e, portanto, oferecem à maioria acesso razoavelmente igualitário aos direitos de cidadania. O povo brasileiro, em sua maioria, jamais "caminhará com as próprias pernas", sem ter que apelar ao poder público, às instituições filantrópicas, ao trabalho informal, à contravenção como o narcotráfico, enquanto não houver aqui reforma agrária e leis que, de um lado, impeçam que se criem as condições de miséria e, de outro, o enriquecimento abusivo. Não temos ainda democracia econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UOL - Por fim, o senhor considera o programa vulnerável a fraudes?&lt;br /&gt;FB - Lamento que o programa seja monitorado pelas prefeituras, onde há freqüentes indícios de corrupção, e não pelos comitês gestores, formados por representantes da sociedade civil, como se propôs na fase inicial do Fome Zero. Sem a sociedade civil fiscalizar, pressionar e cobrar, o poder público costuma cair em tentação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8262310188178948662?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8262310188178948662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8262310188178948662' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8262310188178948662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8262310188178948662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/frei-betto-critica-assistencialismo-do.html' title='Frei Betto critica assistencialismo do Bolsa-Família'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-1990801742705571290</id><published>2008-03-11T09:57:00.001-03:00</published><updated>2008-03-11T09:57:43.678-03:00</updated><title type='text'>Brasileiros sofrem para entrar na Espanha há anos</title><content type='html'>Da &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tempo que os brasileiros sofrem para entrar na Espanha, de acordo com a jornalista Dalva Aleixo Dias, que conclui uma tese de doutorado pela Universidade de La Laguna, na Espanha, sobre a imagem dos brasileiros na imprensa espanhola. "Quantas pessoas foram maltratadas antes que essas histórias mais recentes fossem publicadas? Isso só veio à tona porque, agora, há universidades por trás."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, dois mestrandos foram barrados ao passar por Madri (Espanha) com destino a Lisboa (Portugal). O caso detonou um mal-estar entre Brasil e Espanha no que diz respeito à imigração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Dias, no período em que ela morou na Espanha, entre 1996 e 1999, a imprensa espanhola publicou casos de uma brasileira estuprada pelos policiais da imigração e de um brasileiro que não agüentou a pressão da investigação para entrar no país - que já durava dois ou três dias - e se enforcou, no aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo período, Dias afirma que teve a sua permanência no país ameaçada após um bate-boca com um funcionário do setor de imigração - ele mandou que ela voltasse "de vez" para o Brasil - e teve a filha de 5 anos empurrada escada abaixo por um grupo de colegas de escola que, havia alguns dias, a chamavam de "porca americana".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela conta que os espanhóis mantêm um estereótipo de que os brasileiros ou são do mundo do espetáculo (profissionais de capoeira ou samba) ou da prostituição. "Depois de um tempo, convencidos de que eu era diferente, arrumaram uma maneira de me 'espanholar'. Eu passei a ser 'Dalba' e não 'Dalva'; 'Alexio' e não 'Aleixo'; 'Diaz' e não 'Dias'. E se você é branco e tem ascendência européia, não é considerado brasileiro. É um europeu que, por acaso, nasceu no Brasil. Daí, vale a lei do sangue."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Dias, o preconceito contra os brasileiros é conseqüência da péssima imagem do país no exterior. "Para eles, nós sempre fomos um destino exótico no qual nós éramos os selvagens e eles, os evoluídos. De repente, na década de 80, eles se tornaram o destino, entraram numa crise financeira e se sentiram invadidos. O imigrante, fragilizado, virou bode expiatório para justificar o que eles não conseguem resolver."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a pesquisadora, na análise da imprensa espanhola, ela concluiu que, lá, a vida dos brasileiros "não vale nada". "Se uma brasileira é morta, ela seduziu alguém e foi um crime passional. Se um brasileiro é morto, ou ele era homossexual e seduziu alguém - e foi crime passional - ou ele era traficante e foi queima de arquivo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias afirma que a má imagem é fruto, principalmente, de uma propaganda institucional ruim; das histórias de violência que a imprensa brasileira passa à européia; e da vantagem que os espanhóis levam no mercado turístico, quando depreciam o Brasil. "Nas ilhas Canárias, eles patentearam a marca Carnaval e contrataram brasileiros para ensinar a sambar, costurar fantasias e compor sambas-enredo. Eles, agora, dizem que têm o segundo maior Carnaval do mundo, com a vantagem da segurança."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tratado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dez anos, a situação melhorou, na opinião da pesquisadora. Ela afirma que, cada vez mais, os imigrantes deixam de ser vistos como "ladrões de empregos" para serem vistos como fator de impulso para a economia. "Com a entrada do capital espanhol no Brasil, nós viramos parceiros. E o Brasil tem crescido em questões políticas, diplomáticas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro passo para a solução do problema, para a pesquisadora, seria a criação de um tratado de tratamento de imigrantes. "No Brasil, nós fazemos um esforço absurdo para falar no idioma deles, para que eles nos entendam, para que se sintam em casa. Não somos cordiais, somos quase servis. Quando chegamos lá, se você não conhece bem o idioma ou os costumes do país, eles simplesmente nos viram as costas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Dias, os brasileiros não podem continuar sem proteção. "O governo precisa estar mais atento para defender os cidadãos, onde quer que eles estejam."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-1990801742705571290?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/1990801742705571290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=1990801742705571290' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/1990801742705571290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/1990801742705571290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/brasileiros-sofrem-para-entrar-na.html' title='Brasileiros sofrem para entrar na Espanha há anos'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7598373109863523354</id><published>2008-03-08T09:45:00.001-03:00</published><updated>2008-03-08T09:48:27.478-03:00</updated><title type='text'>"Muito obrigado, Napoleão", dizem os brasileiros</title><content type='html'>Jean-Pierre Langellier, do &lt;a href="http://www.lemonde.fr/"&gt;Le Monde&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os brasileiros poderão confirmar: o seu país existe graças a... Napoleão. O Brasil moderno é a conseqüência feliz de um excesso de orgulho imperial. Ele nasceu como nação porque Bonaparte havia obrigado a família real portuguesa a fugir para o outro lado do oceano, rumo à sua imensa colônia. Cem dias mais tarde, a dinastia dos Bragança desembarcava no Rio. Este fato aconteceu dois séculos atrás, em 8 de março de 1808.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1806, o Imperador francês, no auge do seu poder, decreta o bloqueio continental contra a Inglaterra. Intimada a interromper todo comércio com ela, a Europa cumpre a ordem. Apenas Portugal reluta, não se conforma em trair a Grã-Bretanha, sua antiga protetora. Ele ganha tempo, lança mão de um jogo duplo, finge que irá ceder, mas, por trás da cortina de fumaça, assina um acordo secreto com Londres. Napoleão perde a paciência diante deste pequeno país insolente e lhe lança um ultimato. Ele terá de obedecer, caso contrário perderá o seu trono e a sua frota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lisboa reina um príncipe regente, Dom João, futuro D. João 6º, o Clemente. A sua mãe era a rainha Maria 1ª, também chamada de "A Louca" por ter afundado na demência depois da morte do seu filho primogênito. Ela havia se recusado, por motivos religiosos, a vacinar este último contra a varíola. Dom João tem 40 anos. É um homem obeso, tímido, indeciso. Ainda assim, diante da imposição autoritária dos franceses, ele irá tomar a decisão certa: exilar-se além dos mares. O tempo está acabando, pois Napoleão deu ordem ao general Junot para invadir Portugal. Eis que o oficial avança rumo a Lisboa, à frente de um exército de cerca de 25.000 homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O êxodo rumo à América constitui um projeto antigo, que é relembrado toda vez que o reino enfrenta um grande perigo. Desta vez, ele precisa ser posto em prática às pressas. Os víveres são amontoados, os arquivos são coletados, as jóias da Coroa - obras de arte, lingotes de ouro, diamantes do Brasil - são recolhidas. O conteúdo de 700 charretes acaba sendo reunido nos porões de 36 navios prontos para zarpar. No meio da confusão da partida, os 60.000 volumes da Biblioteca real e toda a prataria das igrejas permanecerão esquecidos no cais do porto. Tomada por um lampejo de lucidez, a "rainha louca" grita para o cocheiro que a está conduzindo para o porto: "Não corram tanto! As pessoas vão pensar que estamos fugindo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã de 29 de novembro, a chuva parou de cair, o sol está brilhando, o vento começa a ficar mais forte. É dada a ordem para partir. A frota desloca-se lentamente pelo rio Tejo e vai se afastando sob a proteção de uma esquadra inglesa. Já não era sem tempo. A vanguarda do general Junot alcança as docas uma hora depois do último navio da frota real ter desatracado. Aliás, a empreitada do general vai dar com os burros n'água. Milhares de insurretos tomarão as armas contra os seus regimentos, que retornarão para a França em agosto de 1808. A respeito de Dom João, Napoleão escreverá: "Ele é o único homem que conseguiu me pregar uma peça".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A elite portuguesa inteira está fugindo entre céu e mar. Quantos estão nesta situação? Entre 5.000 e 15.000, segundo os historiadores. Nobres, oficiais, juízes, comerciante, bispos, médicos, pajens e camareiras acompanham a família real, da qual todos os membros estão presentes. O seu périplo é um pesadelo. Esses cortesões assustados e descontentes não serão poupados de nenhuma desgraça: as tempestades, as náuseas coletivas, o escorbuto, a falta de água. Uma invasão de piolhos obriga as mulheres a rasparem a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma travessia que durou 52 dias, Dom João desembarca em Salvador na Bahia. Pela primeira vez, um soberano da Europa pisa o solo da América. A festa dura uma semana, durante a qual milhares de súditos comparecem para beijar a mão do príncipe. Esta escala é uma jogada política. Dom João aproveita para reafirmar a sua autoridade sobre a população das províncias do Norte, em volta de uma cidade, Salvador, que foi a primeira capital do Brasil e se mostra nostálgica por ter perdido esta condição. Nela, o regente toma uma decisão crucial, a de abrir os portos para o comércio mundial. O fim do monopólio colonial é o preço a ser pago pelo seu apoio à Inglaterra, que dele será a principal beneficiária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cem dias depois de ter deixado Lisboa, a frota atraca na baía do Rio. No dia seguinte, a família real desembarca em meio a um ambiente de alegria. Ouvem-se estrondos de canhões, os sinos tocam seus carrilhões, muitos se borrifam com água benta, respirando os vapores de incenso. Predomina um contraste impressionante entre esta cidade "africana", povoada numa proporção de dois terços por negros e mestiços, entregue aos aventureiros e aos mercadores de escravos, e esses cortesões pálidos que trajam roupas pesadas, um pouco ridículos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três séculos depois da sua descoberta por Pedro Álvares Cabral, em 22 de abril de 1500, o Brasil continua sendo uma terra inexplorada. É um país de fronteiras imprecisas, desprovido de um verdadeiro poder central, que ainda não possui nem um comércio interno, nem uma moeda. Os seus 3 milhões de habitantes ainda não se consideram verdadeiramente como "brasileiros". A chegada do príncipe irá transformar a colônia numa metrópole. Por meio das suas iniciativas, o Rio cresce em tamanho, se embeleza e se refina. A cidade se abre para as mercadorias e as idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom João implanta um Estado estável e organizado. Ele confere ao Brasil a sua unidade territorial, política, econômica e lingüística. No momento em que a América espanhola está sendo tomada por levantes, guerras e dilaceramentos, o Brasil emancipa-se suavemente da tutela portuguesa. Em 16 de dezembro de 1815, o regente proclama "o reino unido de Portugal, do Brasil e de Algarves", tornando a cidade do Rio de Janeiro com o mesmo status de Lisboa. Ele torna-se o rei João 6º. Um ano depois do seu retorno ao país natal, o seu filho Dom Pedro proclama a Independência (em 7 de setembro de 1822) e se torna o primeiro imperador do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, o Brasil está celebrando com orgulho o bicentenário da chegada de Dom João. Ele organiza exposições, emite selos e cunha moedas comemorativas. Por ocasião do mais recente carnaval, várias escolas de samba fizeram deste evento histórico o tema do seu desfile. Um dos refrões, que era entoado em coro pela multidão, concluía-se com um alegre: "Até logo, Napoleão!" Até logo e obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduzido e publicado no &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7598373109863523354?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7598373109863523354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7598373109863523354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7598373109863523354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7598373109863523354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/muito-obrigado-napoleo-dizem-os.html' title='&quot;Muito obrigado, Napoleão&quot;, dizem os brasileiros'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-8836723414998596778</id><published>2008-03-08T09:36:00.002-03:00</published><updated>2008-03-08T09:45:26.140-03:00</updated><title type='text'>Somos todos mouros</title><content type='html'>Sebastião Nery, na &lt;a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/coluna.asp?coluna=nery"&gt;Tribuna da Imprensa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao trem, em Madri, em 70, eu e minha mulher, a caminho de Marrocos, por Gibraltar, perguntei ao encarregado do carro qual a nossa cabine. Ele nos levou muito solícito. Lá estavam sentados dois marroquinos. Cada cabine, de primeira ou de segunda classe, era sempre para seis pessoas sentadas. O espanhol fechou a cara, rosnou algumas palavras incompreensíveis, arrastou-nos e nos levou a outra cabine:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiquem aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas nossos números são da cabine de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vão viajar com mouros? São imundos e mal educados. Raça inferior. Vão roubar vocês. Árabe aqui na Espanha não é gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nada adiantaram nossa reação e nossos argumentos. O espanhol era um racista tarado. A viagem toda fiquei espreitando o seu comportamento. Empilhou os árabes em outras cabines, defendendo a santa pureza de seu vagão ariano. De repente, ouço uma briga no corredor do trem. São soldados agredindo violentamente alguns árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo um dos fardados, de divisas no braço, e lhe pergunto o que há:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é nada não. São esses mouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, o que é que eles estão fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não têm que vir para a terra da gente. Uns imundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada a confusão, puxo conversa com ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que patente é esta sua? É do exército espanhol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Sou da Legião Estrangeira. Vou para a África. Vamos brigar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Contra quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na Legião a gente só sabe contra quem vai brigar na véspera. Quem sabe o inimigo são os homens e os governos que nos pagam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem são esses homens e esses governos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei e não quero saber. Quem quer saber muito as coisas não entra para a Legião Estrangeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saiu mascando o seu chiclete. Sórdido como todos os mercenários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Inglaterra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase quarenta anos depois, a "Folha" contou que "a mestranda de Física pela USP, Patrícia Camargo Magalhães, 23 anos, que tinha reservas em hotel em Lisboa, dinheiro e cartões de credito, passou três dias detida no aeroporto de Madri, onde fazia uma conexão, confinada em uma sala blindada de 9m2, com mais 30 brasileiros, e foi deportada, de volta ao Brasil, por autoridades espanholas, quando iria apresentar um trabalho em um congresso em Lisboa. Em 2007, pelo menos 3 mil brasileiros tiveram recusado seu ingresso no país (uma média diária de 8,2)". Domingo, de Londres, Rafael Cariello, da "Folha", contou coisa pior:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os brasileiros representam a maior fatia de pessoas, entre todas as nacionalidades, que têm a entrada negada no Reino Unido (Inglaterra) e são mandadas de volta ao país de origem. Os números mostram que, em 2005 e 2006, o total de brasileiros, cuja entrada foi negada no país, representou mais que o dobro da segunda nacionalidade (Nigéria), com maior numero de 'denegações' (vetos). Em 2005, 5.195 brasileiros tiveram a entrada recusada na Inglaterra e foram enviados de volta, contra 2.135 nigerianos, em segundo lugar. No ano seguinte, foram 4.985 negativas a brasileiros. Paquistaneses, 2.035 casos. Nigerianos, com 1.960, vêm em seguida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A "basura"&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma novidade. O guarda do trem, o jovem capitão da Legião Estrangeira, o governo espanhol e o inglês continuam pensando exatamente a mesma coisa: só entra lá quem for fazer os serviços "baixos", a "basura" (lixo), que espanhóis, ingleses, europeus se negam a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só uma questão de cor e classe social. Quase todos os brasileiros que eles imaginam que querem ficar lá são brancos, classe média, têm algum nível e vão disputar empregos que eles podem querer e ter. Por isso são mais vetados do que os negros nigerianos, os marrons paquistaneses, que, como outros africanos e asiáticos, se submetem a qualquer serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa violência, que até o sempre obsequioso Itamaraty considera "inaceitável", é uma bofetada. Durante séculos, sobretudo depois das duas guerras mundiais, o Brasil foi o "berço esplêndido" que acolheu milhões de portugueses, espanhóis, ingleses, italianos, judeus, europeus de todo tipo, que não tinham o que comer e onde trabalhar. Hoje, para eles somos mouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A invasão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vindo da Espanha, essa afronta é um escárnio. A Espanha está literalmente invadindo o Brasil, ganhando o País de presente. O Banco Santander recebeu de Fernando Henrique o Banespa, o segundo maior banco do País, sem pagar um tostão, e vai montando aqui seu império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa maior telefônica é a espanhola Telefônica de São Paulo, associada ao Santander. Estão comprando as outras. Mais de 70% dos livros didáticos quem fornece ao governo é a Santillana, espanhola, aliada ao Santander.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A editora Planeta, que também já absorveu várias, é espanhola. Empresas de água e esgoto, luz, estradas, postos, está tudo nas mãos dos espanhóis. Pena que não tenhamos um governo, mas uma bandalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não se imaginar um preconceito contra a Espanha, cito o exemplo italiano. O livro "La presenza italiana nella historia del Brasil", da Fondazione Agnelli, conta que "só no Estado de São Paulo, de 1886 a 1934, entraram 2 milhões e 300 mil italianos como imigrantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-8836723414998596778?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/8836723414998596778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=8836723414998596778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8836723414998596778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/8836723414998596778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/somos-todos-mouros.html' title='Somos todos mouros'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-6372921664537434441</id><published>2008-03-01T09:37:00.000-03:00</published><updated>2008-03-01T09:38:29.665-03:00</updated><title type='text'>O menino que vende livros</title><content type='html'>Na revista &lt;a href="http://www.revistaepoca.globo.com/"&gt;Época&lt;/a&gt; desta semana, uma matéria com Markus Zusak, autor do best-seller "A menina que roubava livros", que só no Brasil já vendeu 270 mil exemplares. Ainda não li o livro - para ser sincero, muito provavelmente não o lerei, tão ocupado estou com o grande Bukowski -, mas a matéria é interessante, como é toda aquela que fala do duro ofício de escrever. Nesta, quem faz as perguntas da (longa) entrevista são os leitores, todos identificados pelo nome e local de origem. Achei legal. Espero que vocês também achem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de que momento em sua vida o senhor teve interesse em escrever livros? (João Felipe Cândido da Silva, Salto, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Markus Zusak – Eu quis ser um escritor quando tinha 16 anos e li os livros certos para mim. Foi por causa daquele sentimento de ir virando páginas sem sequer perceber, tão imerso eu ficava no mundo de cada livro. Foi nessa época que tirei os olhos das páginas e pensei: "É isso que eu quero fazer da minha vida". Decidi que seria um escritor e nada iria me impedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a maior virtude de um escritor e quais os maiores problemas para escrever um livro? (Magno Dias, São Paulo, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – A mais importante virtude para um escritor é que ele não deve ter medo de falhar. Eu falho todos os dias. Falhei milhares de vezes escrevendo A Menina Que Roubava Livros, e esse livro agora significa tudo para mim. Claro, também tive muitas dúvidas e medos sobre o livro. Mas as melhores idéias nele vieram para mim quando estava trabalhando já por algum tempo sem, aparentemente, nenhum resultado. Falhas têm sido meus melhores amigos como escritor. Elas o testam para que você descubra se tem o que é preciso para ver além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde vem tamanha criatividade? O senhor lia muito quando era criança, ouvia muitas histórias? (Carolina Sperandio de Almeida, Tatuí, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Meus pais não falavam inglês quando vieram para a Austrália e, por isso, foi muito importante para eles que seus filhos tivessem bom domínio da língua. Nós sempre estávamos cercados por livros, sempre lendo. Também acho que meu amor por escrever e por histórias vem das que eles contavam sobre a própria infância na Alemanha e na Áustria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a melhor maneira de relacionar os pontos mais importantes de uma história? Também escrevo e acho difícil a construção de começo, meio e fim, pois tudo precisa estar muito bem relacionado. (Josie Lima, Nova Iguaçu, RJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Para mim, é como construir uma parede de tijolos. Escrevo do começo do livro para o final. Isso pode soar óbvio, mas o que quero dizer é que nunca escrevo fora da seqüência. E a razão simplesmente é que, quando escrevo o próximo momento importante, preciso sentir como se eu tivesse feito tudo junto com os personagens até chegar àquele ponto. Dessa forma, posso sentir exatamente o que eles sentiram. Quando você escreve uma história ou o primeiro capítulo, você esquece alguns tijolos em certos lugares e muitos tijolos em outros. Para conectar a maioria das partes do livro, você tem de ter certeza de que tudo está no lugar certo até aquele ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a história de "A menina que roubava livros" é contada do ponto de vista da morte? (Maria da Glória Jucá, Fortaleza, CE)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Porque fez sentido para mim. Há um velho ditado que fala que a guerra e a morte são as melhores amigas. Então, pensei: "Quem pode ser um narrador melhor para um livro que se passa na Alemanha nazista?". A morte estava em todo lugar naquele tempo. O verdadeiro avanço, porém, foi quando percebi que a morte deveria ser mais vulnerável, e não macabra e todo-poderosa. Pensei: "E se a morte tivesse medo dos humanos?". Isso pareceu inesperado, mas também pensei que fazia sentido. Afinal, a morte está na iminência de ver todos os nossos maiores desastres e todas as terríveis coisas de que os humanos são capazes. Minha idéia era que a morte contaria essa história, na tentativa de provar a ela mesma que os homens podem ser belos e altruístas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como conseguiu transformar a morte em algo tão sublime? (Janete Saraiva, Fortaleza, CE)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Tive a idéia de que a morte poderia distrair a si própria de nossa feiúra pela observação de nossa beleza – e da beleza do mundo a nosso redor. Também me senti livre para usar a linguagem de um jeito delicadamente diferente. Por exemplo: a morte se refere ao céu, às árvores e à terra como pessoas, e não como coisas. Quando ela diz “o céu, que era vasto e azul e magnífico”, vê o céu como um colega. Gosto da idéia de que tudo é parte de outro, e que a morte não é diferente disso. É somente outra parte de tudo que nós vivenciamos naturalmente. Quis que esse livro se aproximasse de encontrar a beleza imersa em um tempo tão terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina que roubava livros" é muitas vezes relacionada a "O diário de Anne Frank". Como o senhor vê essa comparação? Anne Frank foi uma inspiração ou uma fonte de compreensão da época nazista? (Gabriel Almeida Ferreira, Barra Mansa, RJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – O fato de ser mencionado na mesma sentença que Anne Frank é uma honra. A personagem Liesel, de meu livro, é uma jovem garota que vive no mesmo período, o que explica essas comparações entre as duas. De alguma forma, vejo Liesel estranhamente como o outro lado de Anne Frank. Ela é uma personagem de uma história de ficção. É alemã e está escondendo um jovem judeu em seu porão. Fazendo justiça: o poder da história de Anne Frank quase não pode ser mensurado. É algo inesquecível e se sustenta sozinho e acima de qualquer outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que seu livro fez tanto sucesso no Brasil? (Betina Weber, Varginha, MG)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – O sucesso desse livro foi um enorme choque para mim. Francamente, pensei que ninguém fosse lê-lo. Imaginei as pessoas descrevendo-o aos amigos assim: "Bem, se passa na Alemanha nazista, é narrado pela morte, quase todo mundo morre e tem 550 páginas". Foi justamente o que me libertou para escrevê-lo exatamente do jeito que eu quis. Alguém disse que os brasileiros são muito emotivos e que meu livro é muito emotivo. Talvez por isso o Brasil seja o país em que fez mais sucesso. Seja o que for, para mim foi uma grande recompensa fazer sucesso no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu livro deverá virar filme. O senhor vai escrever o roteiro? (Gilmara Figueiredo, Linhares, ES)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Felizmente, não. Levei 16 anos treinando para escrever esse livro. Não acho que poderia me transformar em um escritor de roteiros em um ano ou algo assim. Deixo isso para os especialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com um leve crescimento, o déficit de leitura ainda assombra os países de terceiro mundo, mesmo os emergentes, incluindo o Brasil. Para o senhor, esse baixo consumo literário está relacionado mais com a educação ou com a economia? (Silvio Belarmino Tristão, Franca, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Isso é algo que não posso comentar, principalmente porque não vivo no Brasil. Posso fazer uma comparação com a Austrália e com a cultura de leitura daqui. Aqui nós temos boas vendas de livros, mas é geralmente uma pequena porcentagem das pessoas que está comprando boa parte desses livros. Parece que a educação e a economia seguem lado a lado. Sem dinheiro para amparar crianças e aumentar o nível educacional, pode ser mais difícil. No meu caso, foram meus pais que nos - a mim e a minha irmã - na leitura. Então, encorajar os pais talvez seja tão importante quanto as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho 21 anos e estou escrevendo um livro. Ainda não sei a quem procurar e o que fazer para publicar. Jovens escritores parecem não ter muito espaço no mercado editorial. O que você indica a eles? (Alessandro de Souza, Varginha, MG)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Particularmente tento não me preocupar com isso. A melhor maneira de criar visibilidade é escrever algo que se destaque. Escrevi quatro livros antes de "A menina que roubava livros" e, mesmo que eu veja todas as falhas daquele livro, ainda percebo que trabalhei de forma muito mais dura e por muito mais tempo naquele livro do que nos demais - e compensou. Sei que não há um livro exatamente como ele em nenhum lugar, e acho que é no próprio trabalho em si que está a resposta. Assisti a muitos amigos divulgarem livros após livros enquanto eu estava escrevendo "A menina que roubava livros", mas pensei: "Não, não corra". Seja verdadeiro com o que você está fazendo. Escreva algo que é ambicioso e se esforce para ser algo muito diferente - você pode falhar, mas ao menos você está dando o seu melhor tiro. Ninguém pode acusá-lo de ter sido ordinário. Para ser publicado, você tem de ter algo sobre o qual os editores possam dizer: "Isso é diferente de qualquer outra coisa publicada neste ano, no ano passado e do que vou publicar no próximo ano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a minha pergunta tenha um caráter conservador e, como estou no início da leitura, temo ser mal interpretado. Mesmo assim, gostaria de saber se o título da sua obra não representa um estímulo à prática do furto em livrarias. No meu entender, o título faz uma apologia a esse tipo de prática - que considero salutar, principalmente se o praticante o faz por uma questão de necessidade e dela tira todo o proveito. (Raimundo da Silva Sousa, Salvador, BA)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Tem havido pessoas que vieram até mim e disseram "Eu roubei este livro" quando me pediram para autografá-lo. Mas, de uma maneira geral, não acho que seja um grande encorajamento para as pessoas roubarem livros de bibliotecas ou livrarias. Sei que quando nós amamos os livros ou seus personagens, freqüentemente imaginamos que somos um deles. A maioria das pessoas é assim. Não acho que o roubo de livros aumentará consideravelmente desde que meu livro saiu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o limite entre fatos da vida real e invenções numa obra de ficção? (Decio Mori, Mairiporã, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – De uma maneira geral, o livro "A menina que roubava livros" é possivelmente 10% ou 15% realidade e 85% ficção. "Eu sou o mensageiro" (outro grande sucesso do autor) seria 2% real e 98% ficção. O estranho é que os momentos que são reais são freqüentemente os mais difíceis de acreditar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos grandes deflagadores de conflitos e guerras tem sido, ao longo da História, a intolerância quanto às diferenças raciais. No Brasil convivemos com pessoas de muitas origens diferentes e há miscigenação. Como você vê isso? Conhece outro lugar no mundo onde acontece isso sem causar conflitos? (Graziela Fracalanza Lippel, Caraguatatuba, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Estive no Brasil por somente pouco mais de uma semana - provavelmente não o suficiente para avaliar o nível de compreensão racial. Encontrei pessoas de um vasto espectro de repertórios e amei isso no Brasil. Pelo que vi ao redor do mundo, percebi que as pessoas vão sempre encontrar algo de diferente e de igual uns sobre os outros - de raça à religião, até qual time de futebol eles torcem. Tenho de ser honesto: isso é algo que não observei para analisar. Tudo o que sei é que sempre achei os lugares com um leque diverso de culturas mais excitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sou nascido em outro país, a Grécia, mas moro no Brasil há bastante tempo. Fiz daqui minha pátria mãe. Assim sendo, gostaria de saber qual a diferença que você sente entre o seu país e o Brasil. Existe similaridades na pobreza, insegurança, falta de escolas? (Patrick Dimon, São Paulo, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Na Austrália há uma vasta porcentagem de assalariados médios - quase a ponto de os australianos tentarem dizer que somos uma sociedade sem classes -, o que não é a absoluta verdade. A questão é que a maioria das pessoas se encontra em algum lugar no meio do nível de abundância, e não em uma das pontas. Algo que me surpreendeu no Brasil foi haver uma área claramente muito rica bem ao lado de uma área muito pobre, em vez de essas divisões geográficas acontecerem gradualmente. Às vezes eu me sentia extremamente seguro no Brasil, às vezes não... Mas em toda cidade há lugares onde é inseguro ir sozinho. O nível de insegurança depende somente de quantos desses lugares existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritores australianos renomados na cena internacional são pouco conhecidos. Já os americanos são sucesso de vendagens em qualquer canto do mundo. A que você atribui isto? A qualidade dos livros americanos é realmente superior? Faltam bons escritores na Austrália ou as chances estão cada vez menores? (Felipe Alves, São José, SC)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Há somente 20 milhões de pessoas na Austrália, enquanto nos Estados Unidos há 300 milhões. Por essa razão eles têm uma indústria da escrita muito maior e mais produtiva - e mais escritores. Essa é a principal razão. Eles têm os meios para investir mais em seus escritores - para colocá-los em viagens, fazer uma boa publicidade deles e ter certeza de que eles têm bastante exposição. Os australianos comumente precisam ser bem-sucedidos tanto na América quanto na Inglaterra antes de começarem a serem bem-sucedidos em outros países. Em alguns casos, como foi o meu, até mesmo no seu próprio país de origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo "Eu sou o mensageiro" pude observar que você ainda tem fé, sobretudo, nas pessoas. Como foi intercalar essa fé nos humanos com a merecida falta de esperança e assombro demonstrado pela Morte, narradora de "A menina que roubava livros"? Os mensageiros da atualidade podem mudar a visão da existência humana formada pela Morte? (Gabriel Almeida Ferreira, Barra Mansa, RJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Eu devo ser um eterno otimista… Eu não posso dizer o que as pessoas comuns podem fazer, mas eu acredito que essas coisas são pessoais. Eu estou mais interessado no que a pessoa pode fazer um dia, de uma forma maior algumas vezes, mas mais freqüentemente de formas pequenas. Deve haver dúzias de pequenas decisões que fazemos a cada dia. Eu sempre tento dizer a mim mesmo: "Tome boas decisões". Às vezes eu faço e às vezes não... mas, como todo mundo, eu acho que eu estou tentando tomar mais boas do que más.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que os livros no Brasil são tão caros? Qual a fórmula para barateá-los em versões mais populares? (Samuel Pedro, Rio de Janeiro, RJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Eu não sei exatamente. Na Austrália os livros são muito caros também. Eu sei que há lugares, como os Estados Unidos e a Inglaterra, nos quais os livros de brochura são muito baratos. Eles freqüentemente publicam uma edição cara, de boa qualidade e capa dura, e uma mais barata, feita de brochura. Aqui nós temos algo intermediário: uma edição muito bem feita de brochura... mas que também é muito cara. Eu não tenho a solução para tornar os livros mais baratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum crítico já escreveu algo "desagradável" sobre algum livro seu? Como você reage diante de críticas negativas? E diante das construtivas, ou dos elogios? Algum comentário crítico - bom ou ruim - já influenciou algum trabalho seu? Se sim, qual? (Letícia Leal, São Gonçalo, RJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Sempre haverá coisas negativas sendo ditas sobre um livro. Você simplesmente não pode agradar a todos. Às vezes eu penso sobre isso dessa forma. Geralmente quando termino um livro eu fico acordado a noite toda. Você pode escrever a última sentença às cinco da manhã. O sol pode estar quase saindo. Essa é uma das maiores sensações de todas - e você sabe que é suficiente. Isso é o que realmente importa. E você também sabe outra coisa... Neste mesmo momento, todas as críticas negativas estão dormindo na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tento não ouvir o que dizem sobre minha escrita. Para ser um escritor eu penso que eu preciso gostar de estar só. Então vem um tempo em que você esquece de tudo e isso se transforma em história. O livro é tudo, e o que as pessoas disserem sobre é inútil nessa hora. O melhor é pensar que ninguém vai lê-la. É sempre quando um livro realmente começa a engrenar para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que os brasileiros não têm como hábito a leitura de livros? Será que é porque eles são caros? Ou não temos essa cultura de ler um bom livro? (Luiz Vicente, São Paulo, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Essa é uma questão que não me sinto qualificado para responder. É justamente o que acontece também na Austrália, mas numa extensão menor. Eu acho que as artes em geral merecem muito mais atenção da mídia, assim como é feito em alguns países europeus. Seria um ótimo começo, eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Markus, como é para um escritor tão jovem como você saber que sua obra foi tão bem recebida e alcançou o coração de tantas pessoas, em várias partes do mundo? (Graciane A. de Paula, Belo Horizonte, MG)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Isso me surpreendeu, mas eu realmente não penso muito sobre isso. Eu não saio da cama pensando "sou um escritor muito conhecido". Eu geralmente saio da cama pensando "Ah, não, como eu vou melhorar esse livro que estou escrevendo? Eu não consigo nem escrever a primeira página de trabalho!" O desafio está sempre em escrever e é no que eu quero me concentrar. Tão importante quanto ser bem conhecido, não me entenda mal. Eu não a considero como garantia. E ainda algo para ser aproveitado, e eu sou grato pelas pessoas fantásticas que publicaram meus livros e pelas que os lêem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritores costumam, com alguma freqüência, incluir-se em suas histórias, ou pelo menos incluir algum conceito tirado de si mesmos, emprestando vozes para os personagens. No seu caso, há algum personagem que melhor o reflita? E Liesel, foi inspirada em alguém em particular? (Leonardo Lamha, Macaé, RJ)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zusak – Sim, definitivamente há parte de mim em tudo o que escrevo. Todos os personagens têm partes de mim neles. Ed Kennedy (de "Eu sou o mensageiro") é provavelmente um pouco de como eu me sentia quando tinha dezenove anos, embora não fosse exatamente daquele jeito. Você só põe pedaços de você mesmo nos personagens. Até mesmo a morte tem elementos do meu caráter nela. É inevitável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-6372921664537434441?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/6372921664537434441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=6372921664537434441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6372921664537434441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/6372921664537434441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/03/o-menino-que-vende-livros.html' title='O menino que vende livros'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-5205977617106688103</id><published>2008-02-18T12:03:00.003-03:00</published><updated>2008-02-18T18:54:30.913-03:00</updated><title type='text'>'Bush é horrível demais para ser esquecido'</title><content type='html'>O escritor americano Philip Roth falou à &lt;a href="http://www.spiegel.de/"&gt;Spiegel Online&lt;/a&gt; sobre envelhecimento, sobre por que George W. Bush é o pior presidente americano da história, e revelou por que nunca dá o seu número de celular a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip Roth, que vai completar 75 anos em março, é um dos autores norte-americanos vivos mais aclamados pela crítica. Seu livro "O Complexo de Portnoy", de 1969, levou-o à fama, e ele deu continuidade ao sucesso, ganhando o prêmio Pulitzer com o livro "Pastoral Americana", de 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos de seus livros têm o alter-ego ficcional de Roth, Nathan Zuckerman, como personagem principal. Zuckerman aparece novamente no último trabalho de Roth, "Exit Ghost", em que o personagem volta a Nova York depois de muitos anos de exílio no interior da Nova Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Spiegel conversou com Roth sobre "Exit Ghost", as eleições americanas e os prazeres da vida no campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Senhor Roth, quantas vezes você tentou matar Nathan Zuckerman, o herói e narrador de muitos de seus livros?&lt;br /&gt;Philip Roth - (risos) Eu não sei - você sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Três vezes. Uma em "Deception"...&lt;br /&gt;Roth - Ah, é verdade, eu tinha me esquecido dessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - E depois novamente em "The Counterlife", quando ele tinha 44 anos. Agora, em seu novo livro "Exit Ghost", ele aparece bem vivo, aos 71 anos de idade, mas você o mata novamente.&lt;br /&gt;Roth - Não o matei. Só mandei ele para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - "Foi embora para sempre", foi o que o senhor escreveu. Faz alguma diferença?&lt;br /&gt;Roth - Com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Nathan Zuckerman é um escritor que costumava viver sozinho no interior - um pouco parecido com o escritor Philip Roth - mas depois volta para Nova York. Ele está tentando escapar da idade avançada, tentando se tornar forte novamente?&lt;br /&gt;Roth - Ah, talvez ele tente, mas acho que este último livro é de fato sobre a vida que o está deixando. Ele não tem mais o espírito de luta dentro de si. Por alguns momentos, há uma explosão de luta e virilidade, mas ele acaba fugindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Será que esse vai ser o fim de Zuckerman?&lt;br /&gt;Roth - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Por que o senhor quis eliminar o seu personagem mais famoso?&lt;br /&gt;Roth - Nem eu mesmo percebi que tinha o desejo de chegar a um final. Se me lembro bem, isso simplesmente aconteceu. Quando comecei o livro, não sei se pensei que seria o último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você não tinha um plano quando começou o livro?&lt;br /&gt;Roth - Acho que não. A história simplesmente levou àquele final. E, da forma que ela se desenrolou, acabou trazendo um acabamento e uma conclusão. Mas, no começo... tudo o que havia era a idéia da sua volta. Você conhece a história de Rip Van Winkle? Rip Van Winkle ficou adormecido por 20 anos, e então acordou. Isso foi o que aconteceu com Zuckerman ao voltar para a cidade. Eu tive de descobrir o que ele iria descobrir - o que ele iria ver, como as pessoas seriam, principalmente os jovens. Foi uma história de descobertas, como é a maioria dos meus livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - E o que ele descobriu foram telefones celulares.&lt;br /&gt;Roth - Ele ainda vive na era da máquina de escrever. E então ele vê as pessoas falando sozinhas na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - O pano de fundo do livro são as eleições de 2004. Por que isso foi importante para você?&lt;br /&gt;Roth - A decepção foi muito grande, principalmente entre os jovens. Pareceu para mim um momento histórico forte. Imaginei que fosse trazer um colorido forte, um bom pano de fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Em outras palavras, você escolheu o pano de fundo por motivos puramente técnicos?&lt;br /&gt;Roth - Sempre tento fazer com que haja algo acontecendo no livro além da história principal. E senti que isso me daria uma boa oportunidade para fazer com que todos se comportassem e agissem de forma a mostrar suas emoções por causa da eleição. Permitiu que eu trouxesse o jovem casal à vida e também salientou a diferença entre eles e Zuckerman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Ele é cínico e o casal é furioso.&lt;br /&gt;Roth - É isso, apesar de que eu não diria que ele é cínico, mas sim que está acabado. Aquilo tudo acabou para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você ainda se importa com política? Está acompanhando as eleições de 2008?&lt;br /&gt;Roth - Infelizmente sim. Eu parei de acompanhar até uns dois anos atrás - até lá, a política não era real. Então assisti os primeiros debates de New Hampshire, e os republicanos foram tão inacreditavelmente impossíveis. Assisti o debate dos democratas e me interessei por Obama. Acho que vou votar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - O que fez com que você se interessasse por Obama?&lt;br /&gt;Roth - Primeiro o fato de ele ser negro. Sinto que a questão da raça nesse país é mais importante do que a questão feminista. Acho que a importância para os negros será enorme. Ele é um homem atraente, inteligente, e bastante articulado. Sua posição no Partido Democrata é mais ou menos OK para mim. E acho que vai ser importante para os negros americanos que ele seja presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Poderia mudar a sociedade, não é verdade?&lt;br /&gt;Roth - Sim, poderia. Isso iria dizer algo sobre esse país, e seria algo maravilhoso. Não sei se vai acontecer. Eu raramente voto em alguém que vença. Pode ser o beijo da morte se você escrever na sua revista que eu vou votar em Obama. Ele estará acabado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - A discussão sobre Obama nos fez lembrar de seu personagem Coleman Silk, o herói de "A Marca Humana", que é um negro com a pele muito clara, e que inventa uma biografia judia. O ponto a que queremos chegar é a questão da identificação, sobre o comportamento certo e o errado. Será que Obama é negro o suficiente?&lt;br /&gt;Roth - Sei que essa discussão pode ir adiante, mas acho que ela vai desaparecer se ele for nomeado. A realidade dessa corrida vai deixar isso de lado. De qualquer forma, qualquer um que seja metade branco, metade negro, é considerado negro. Basta uma gota de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Que os brancos o considerem negro, tudo bem. Mas a questão é se os negros o consideram negro.&lt;br /&gt;Roth - Eles irão considerá-lo à medida que as eleições seguirem em frente. Se ele conseguir a nomeação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você de fato acredita que Obama poderia mudar Washington ou mudar a política?&lt;br /&gt;Roth - Tenho interesse simplesmente em ver como seria a presença dele no governo. Você sabe quem ele é, de onde vem, essa é a mudança. Também é assim com Hillary Clinton, mas a grande diferença está em quem é ela. E a respeito de toda a retórica sobre mudança, mudança, mudança - é pura semântica, não significa nada. Eles irão responder às situações conforme elas aparecerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você se interessa pelos Clinton como um casal? Eles são figuras literárias?&lt;br /&gt;Roth - Ah, esse é o lado telenovela. Eles são tremendamente agressivos, acho que eles são capazes de falar ou fazer qualquer coisa, mas não, eles não me interessam como um casal. Bill Clinton era interessante como presidente - eu não sei o que ele é agora. Acho que eles podem estar exagerando ao tentar o jogo novamente, sendo agressivos, e as pessoas vão se irritar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - O que vai ficar do presidente atual, George W. Bush? Será que ele vai ser esquecido depois de sair do governo?&lt;br /&gt;Roth - Não, ele foi horrível demais para ser esquecido. Haverá muita coisa escrita sobre isso. E há muito a ser escrito sobre a guerra. Há muito para ser escrito sobre o que ele fez com o reaganismo, uma vez que ele foi muito mais longe que Reagan. Então ele não será esquecido. Já disseram que ele foi o pior presidente que os Estados Unidos já tiveram. Na minha opinião, isso é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Por quê?&lt;br /&gt;Roth - Bem, principalmente por causa da guerra, da decepção com a entrada na guerra. O cinismo absoluto que envolveu a decepção. O custo da guerra, o Tesouro e as vidas dos americanos. Foi hediondo. Não há nada parecido com isso. Em segundo lugar, por causa de sua atitude em relação ao aquecimento global, que é uma crise mundial; e eles foram extremamente indiferentes, até mesmo hostis, em relação a qualquer tentativa de enfrentar o problema. E mais isso, mais aquilo, mais isso, mais aquilo... Ou seja, ele fez um grande estrago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Já que o seu livro se passa na semana das eleições de 2004, você saberia explicar por que os americanos votaram em Bush pela segunda vez?&lt;br /&gt;Roth - Acho que foi pelo fato de estar em guerra e não querer mudar, além de estupidez política. Por que alguém elege uma determinada pessoa? Pensei bastante sobre John Kerry quando ele começou a campanha, mas ele não conseguia competir com Bush. Os democratas não são brutos, o que é muito ruim, porque os republicanos são brutos. E os brutos vencem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - "Exit Ghost" é uma indicação de cena encontrada nas peças de Shakespeare.&lt;br /&gt;Roth - Ela aparece em três peças. Encontrei-a em "Macbeth". Fui assistir uma produção de Macbeth, então resolvi reler a peça. Li a indicação de cena, e ela simplesmente saltou aos meus olhos. Ela também aparece em Hamlet. E também quando Júlio César aparece para Brutus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Uma das histórias do livro é a do jovem escritor Richard Kliman, que tenta escrever uma biografia do romancista já falecido E.I. Lonoff. Zuckerman, que idolatrava Lonoff, detesta a idéia. Você também tem medo de uma biografia?&lt;br /&gt;Roth - Eu tenho um biógrafo. Ele já fez umas dez entrevistas comigo. Mas ainda não me mostrou nada. Eu não quero ver. Não quero me envolver com isso, na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você tem medo de ver a biografia?&lt;br /&gt;Roth - Bem, tenho medo de duas coisas. Do que ele pode ter entendido mal, e do que ele pode ter entendido bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você tem medo do constrangimento? Thomas Mann teve medo de destruir sua reputação por ter se apaixonado por uma pessoa mais jovem, seu herói Nathan Zuckerman, que sofre tanto de impotência quanto de incontinência, está sempre com medo de ficar constrangido.&lt;br /&gt;Roth - Não acho que as regras que existiam no mundo de Mann ainda sejam válidas hoje em dia. Na prática não há nada capaz de destruir a reputação hoje. Você é obrigado alguma bestialidade na vitrine da Bloomingdale's para deixar alguma marca em sua reputação. Ainda assim, a jovem Jamie é inacessível para Zuckerman não somente por causa da diferença de idade, mas por causa dos problemas físicos dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Ela sabe disso?&lt;br /&gt;Roth - Ele sabe. E ele também sabe que seu desejo é todo baseado na impossibilidade. Mas o pathos de Zuckerman é que mesmo assim ele se detém, não consegue suprimir seu desejo. Isso faz com que a paixão seja ainda mais patética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Ele é capaz de esquecer o desejo por uma hora que seja, ou mesmo por um dia?&lt;br /&gt;Roth - Ele conseguiu esquecer durante anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Até que conheceu Jamie.&lt;br /&gt;Roth - E foi então que voltou para Nova York. Contanto que não dirigisse e não se mexesse, ficaria bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você tem vivido isolado em sua casa em Connecticut há anos. Com que freqüência você vem a Nova York?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roth - Agora mais freqüentemente. Eu costumava viver no interior dois terços do tempo, e agora acho que ficarei por aqui dois terços do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - E por que isso?&lt;br /&gt;Roth - Bem, eu fiquei por lá desde 1972 até agora. É um lugar bastante remoto, e muito bonito. Tem um silêncio mortal. Não se vê ninguém. E o clima é muito severo, os invernos são rigorosos. Eu gostava do jeito que conseguia escrever por lá. Não tinha nenhuma distração. Nem mesmo a distração da companhia. Isso significa que eu escrevia o dia todo, e fazia alguma outra coisa à noite. Normalmente eu não saía de casa. Eu lia alguma coisa ou assistia uma partida de beisebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - O que você lia?&lt;br /&gt;Roth - Os velhos mestres. Eu reli Conrad e Turgenev e Hemingway e Faulkner - o que é muito prazeroso. Eu raramente leio ficção contemporânea, mas leio livros de não-ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - E, assim como Zuckerman, você não tem Internet lá?&lt;br /&gt;Roth - Não tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você também não tem Internet aqui em Nova York?&lt;br /&gt;Roth - Agora eu tenho. Há alguns bons sites de livros usados. Eu compro toneladas de livros pela Internet. Mas não conte a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você tem e-mail mas não usa?&lt;br /&gt;Roth - Eu uso o e-mail para me comunicar só com uma pessoa, porque não quero... não quero ser incomodado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Posso perguntar quem é essa pessoa?&lt;br /&gt;Roth - É uma pessoa. Eu também preciso me divertir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Voltando a falar sobre a vida no campo...&lt;br /&gt;Roth - ... a melhor coisa lá é que quando estou trabalhando em um livro, ele não me abandona, porque mesmo que eu leia outra coisa à noite, a leitura não me distrai do que eu estava pensando. Não é como quando a gente sai para outro lugar, o que necessariamente quebra a conexão. E se você trabalhar diariamente dessa forma, suas páginas vão se empilhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você não achava que estava ficando de fora da vida? Você vivia apenas para os livros lá.&lt;br /&gt;Roth - É, isso é uma realidade, você acaba sacrificando alguma coisa quando vive daquele jeito. Mas, sabe, há mais ou menos três anos eu saí de casa para ir para o meu escritório, que fica a uns 50 metros de distância. E quando vi, havia um pequeno animal parado ali na neve, uma criatura horrível, um gambá. Eles são muito feios, com rabos que parecem de rato. Eu avancei na direção dele, que se escondeu em um buraco na neve. Eu me agachei e olhei no buraco, e vi que lá dentro tinha cinco ou seis gravetos. Pensei, então é assim que você vive. É tudo o que realmente precisa. Percebi que eu podia tirar uma lição daquilo. Eu tinha muitas coisas - você não precisa de televisão, geladeira, facas e garfos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você está nos contando uma parábola.&lt;br /&gt;Roth - Com certeza. Acho que isso me disse algo sobre a forma que eu estava vivendo lá. Quando saí do escritório à noite, lá estava o gambá novamente comendo neve, e eu disse a ele: "Como vai o livro?". Isso é uma piada. Um amigo meu colocou o animal lá em cima para me mostrar com quem eu me parecia, ou seja, uma figura desprezível vivendo com sete gravetos, então decidi que eu não ia viver dessa forma. Então vim para Nova York, encontrei um lugar para morar no Upper West Side, e agora só volto para lá quando o tempo está bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - E a cidade mudou o seu jeito de escrever? Você se distrai?&lt;br /&gt;Roth - Não, deixei meus livros em Connecticut, e continuo com meu ritmo, tenho até mesmo a mesma parafernália, a mesma escrivaninha, a mesma cadeira, o mesmo aparador, eu trabalho de pé em uma escrivaninha. Tenho a mesmíssima configuração, comprei um conjunto novo. E é um apartamento silencioso. Posso desligar o telefone e pegar os recados no fim do dia. Há mais distrações, mas eu estou no clima delas. Aqui eu vou ao cinema, vejo gente. Vez ou outra encontro gente à noite. Ando pelas ruas. E aqui existem pessoas nas ruas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Com telefones celulares.&lt;br /&gt;Roth - Com celulares. Eu mesmo tenho um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Tem?&lt;br /&gt;Roth - Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Mas ninguém tem o número.&lt;br /&gt;Roth - Ninguém precisa saber meu telefone celular. Quero manter meu mito vivo, o mito de Rip Van Winkle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Será que tudo isso mostra que, chegando em uma certa idade, você se permite mais liberdade?&lt;br /&gt;Roth - É um pouco mais relaxado. Eu trabalho a maior parte do dia. Em um determinado eu paro para me exercitar, vou a uma piscina no Clube Atlético de Nova York. Quatro vezes por semana. É maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Isso significa que talvez o ato de escrever tenha se tornado mais fácil depois de tantos livros?&lt;br /&gt;Roth - É mais ou menos a mesma coisa. Não ficou mais fácil, isso é certo - nunca ficou mais fácil. Mas também não sei se ficou mais difícil. Sempre foi uma tarefa, e continua sendo. Sempre tenho medo de que, ao terminar um livro, não serei capaz de escrever outro. Sempre foi assim desde o começo, e continua sendo. O que é que eu escrevo afinal? O que há para ser escrito? E até hoje tenho essa sensação. Agora tenho um livro saindo em outubro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel -... Já está terminado?&lt;br /&gt;Roth - Sim, está terminado. Não é sobre idade, mas sobre estudantes durante a época da Guerra da Coréia, o título será "Indignation". E então agora preciso começar outro livro. É interminável. Só há uma saída para isso, você sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Mas algumas coisas devem certamente ser diferentes. Você poderia se sentir pressionado para escrever um livro que finalmente o levasse a um mais do que merecido Prêmio Nobel. Ou poderia ganhar mais e mais confiança.&lt;br /&gt;Roth - Bem, não acho que seja assim. Eu era confiante no começo da minha carreira, mas toda vez que você começa um projeto - falo por mim mesmo - começa como um amador, porque então você deixa de ser o profissional que já escreveu 25, 26 ou 27 livros. É alguém que nunca escreveu o livro que está prestes a escrever. Então você é praticamente um amador em relação àquele livro. E você sente toda a insegurança de um amador, e a primeira versão, esses seis ou oito primeiros meses, são dolorosamente difíceis. Algumas vezes pode ficar difícil depois também, mas o começo é necessariamente difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Nenhum livro é escrito sem esforço?&lt;br /&gt;Roth - É muito raro - vez ou outra você ganha um presente com um livro, é inexplicável. Talvez eu tenha escrito dois ou três assim na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Quais são?&lt;br /&gt;Roth - Bem, esse que eu acabei de terminar foi uma espécie de presente. Eu tive uma idéia, comecei a escrever, e ela começou a se desenrolar. "Sabbath's Theater" também foi assim. Mas isso raramente acontece. Normalmente é mais bagunçado, mais sangrento e mais desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você consegue sentir prazer ao escrever?&lt;br /&gt;Roth - Sim, consigo gostar quando estou mais próximo do fim - uma vez que fica claro para mim o que estou fazendo, uma vez que tenho uma primeira ou segunda versões, então há um prazer real. Então você tem um chão sob os seus pés e sabe o que está fazendo, então sua habilidade se faz perceber. Você nota a sua habilidade, como qualquer escritor, quando está fazendo a terceira ou quarta versões. Então você consegue fazer o que é capaz de fazer. Mas a primeira versão é a pior, você se sente tão ruim quanto crê o seu pior crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você estabelece um número mínimo de páginas por dia?&lt;br /&gt;Roth - Gosto de escrever pelo menos uma página por dia, me sinto horrível quando não tenho uma página. Posso às vezes produzir oito, dez páginas por dia e outras vezes mal escrever um parágrafo. Mas é boa a sensação de escrever uma página, porque daí você sabe que uma página por dia soma 365 páginas em um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - E no final, há uma sensação de preenchimento, de orgulho talvez?&lt;br /&gt;Roth - Tudo muda durante o processo. Enquanto escrevo, há apenas alguns momentos em que tudo parece OK e promissor. Acho que o humor se torna muito volátil enquanto se está escrevendo. Você vai do alto para baixo e de baixo para o alto, uma hora tem esperança, na outra o texto é horrível e não presta e assim por diante. Mas, é claro, há prazer. Não continuaria escrevendo se não gostasse. O prazer está em completar o trabalho, porque quando você chega à terceira ou quarta versões, assim como no começo você não consegue fazer nada de certo, no final não há nada que você possa fazer de errado. E isso é maravilhoso, você se sente muito poderoso e forte, você perde a dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você continua usando máquina de escrever?&lt;br /&gt;Roth - Agora eu uso computador. Sou uma completa farsa. De fato, sou o cara mais high-tech que você conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você é o único escritor americano vivo com uma edição de seu trabalho na Biblioteca da América. O que acha disso?&lt;br /&gt;Roth - Tenho muito orgulho disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - O que resta para almejar?&lt;br /&gt;Roth - Saúde, talvez. Felicidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - O Prêmio Nobel?&lt;br /&gt;Roth - (sorri) Ah, o Prêmio Nobel, eu não penso sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Durante todos esses anos com seu herói Nathan Zuckerman, você parece ter gostado de falar consigo mesmo, brincando com um alter-ego, com o sonho e a realidade, com livros dentro de livros. Daí veio o tema da idade...&lt;br /&gt;Roth - ... é, e eu não sabia nada sobre isso, porque você não sabe nada até chegar lá, e até que seus amigos também cheguem. Você começa a ver a devastação do tempo, as perdas e o sofrimento. Então isso se tornou uma temática, é o tema desse livro, de "Dying Animal", e tema de "Everyman".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Você vai sentir falta de Nathan Zuckerman?&lt;br /&gt;Roth - Acho que não. Mas nunca se sabe. Posso entrar em desespero. Mas agora ele está no Céu de Zuckerman, o que na verdade soa como título de um livro. Ou então "Zuckerman no Inferno"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Ele não é um homem muito bom - é egocêntrico, até mesmo narcisista. Você gosta dele?&lt;br /&gt;Roth - Você não vai gostar de ouvir isso, mas não sou amigo dos personagens dos meus livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Então os leitores podem amar ou odiar o personagem e para você é tudo frio e técnico?&lt;br /&gt;Roth - É uma relação funcional. Tudo se resume a: será que eu consigo fazer com que esse personagem seja interessante o suficiente para carregar o livro em suas costas? Será que ele consegue salvar o livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiegel - Senhor Roth, muito obrigado pela entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;a href="http://www.uol.com.br/midiaglobal"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-5205977617106688103?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/5205977617106688103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=5205977617106688103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5205977617106688103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/5205977617106688103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2008/02/bush-horrvel-demais-para-ser-esquecido.html' title='&apos;Bush é horrível demais para ser esquecido&apos;'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7689494465816212915</id><published>2007-08-05T20:44:00.000-03:00</published><updated>2007-08-05T20:56:08.938-03:00</updated><title type='text'>Uma amizade tão grande que sufoca</title><content type='html'>Jessie Sholl*, no &lt;a href="http://www.nyt.com/"&gt;New York Times&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou como muitos outros romances: uma apresentação numa festa. Ela e eu escorregamos rapidamente para um papo gostoso, passando da mesa de comidas para o bar e para o sofá, sorrindo e gargalhando, as faíscas entre nós quase visíveis. Qualquer um podia perceber que estávamos nos apaixonando. Só havia um detalhe: nenhuma de nós era lésbica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre fiquei fascinada pelas pessoas que me fazem rir. Desta vez, porém, não era tanto o fato de ela ser muito engraçada. Tinha algo a ver com nós duas juntas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma química - uma química que criou um ninho apertado à nossa volta e deixou todos os outros de fora. No final da noite, tínhamos incomodado quase todos os outros presentes. Foi o início de nosso caso de amor platônico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas na faixa dos 20 anos e relativamente novas em San Francisco, ela e eu logo entramos na fase do "nós". Telefonávamos para perguntar: "O que vamos fazer neste fim de semana?", e nunca: "O que você vai fazer?" Ela se tornou meu par permanente em festas e baladas, minha parceira substituta, e eu a dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Natal, quando as duas estávamos sem dinheiro para pegar um avião e visitar nossas famílias, comemoramos juntas, bebendo champanhe barata e comendo frango com curry que ela me ensinou a fazer. Ela me deu vestidos de brechó embrulhados em papel que ela mesma havia pintado, e eu lhe dei material de pintura para os intricados desenhos pontilistas que estava fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso caso de amor superou até minha mudança para Nova York para fazer faculdade, três anos depois de nos conhecermos. Nos visitávamos sempre que possível e nos telefonávamos constantemente; num Dia de Ação de Graças conversamos durante três ou quatro horas, as duas comendo sanduíches de peru. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos de homens, estávamos sempre procurando, mas na verdade não estávamos atrás de namorados. Procurávamos anedotas para trazer de volta ao ninho e oferecer uma à outra, como alimento: ele beija como um gatinho lambendo leite; a estante dele está cheia de novelas românticas; ele se recusa a tirar o chapéu de caubói até para transar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, é chocante que alguém quisesse sair conosco quando estávamos tão claramente envolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mais próximas que irmãs", costumávamos dizer. Durante cinco anos ela e eu estivemos como que apaixonadas, mais que melhores amigas. E então, de repente, acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi convidada para uma turnê com uma banda de rock na Europa e me perguntou se eu queria encontrá-la em Praga, cidade que tínhamos combinado de conhecer juntas anos antes, ao ver fotos da viagem de uma amiga. É claro que eu disse sim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti a todas as apresentações, aplaudindo orgulhosamente minha amiga. Então, na terceira e última noite (eu partiria na manhã seguinte para Paris, onde tinha planos, e ela seguiria para a próxima etapa da turnê), sentei-me por acaso ao lado de um americano, e no intervalo começamos a conversar. Acontece que David morava em San Francisco, perto da rua onde eu tinha morado, e estava passando o verão em Praga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei se conhecia algum clube para dançar, e ele passou cinco minutos desenhando num guardanapo um mapa dos melhores lugares. Depois do show, minha amiga saiu dos camarins e eu convidei David para nos acompanhar, pensando que pelo menos assim não nos perderíamos na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, nenhum clube estava aberto, então David nos levou ao Chapeau Rouge, um bar agitado, cheio de estrangeiros. Não havia pista de dança. Mas ela e eu abrimos espaço no meio do bar, usando toda a nossa capacidade de chocar, fazendo caras-e-bocas de modelos e sacudindo exageradamente o corpo, como nos clipes dos anos 80 que gostávamos de imitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David, surpreendentemente, não pareceu envergonhado. Ele sorriu, riu e até ergueu o copo, nos brindando em checo: "Na zdravi".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, quando ela saiu para tomar um ar, David me perguntou há quanto tempo nós duas estávamos juntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quase engasguei com a cerveja. "Oh, não, somos apenas amigas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Espero não ter ofendido", ele disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, imagine", eu respondi, e nesse exato momento comecei a notar que David era bem bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E charmoso. Enquanto ela ficou lá fora conversando, David me falou sobre Praga. Conversamos sobre literatura e sobre os filmes de humor negro de que nós dois gostávamos; ele me fez rir. Nossas banquetas no bar lentamente se inclinaram uma para a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga, exausta com a apresentação, disse que queria voltar para o hotel. Quando saímos do bar, eu disfarçadamente coloquei minha mão na de David e disse a ela que achava que ia ficar mais um pouco na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois, quando David e eu voltamos ao hotel para pegar minha mala - ele ia me acompanhar até a estação -, pensei que não queria contar a ela sobre nosso primeiro beijo; não queria reduzi-lo a mais uma fofoca engraçada. Pela primeira vez eu voltava de um encontro para nosso ninho de mãos vazias. O que ela iria pensar? Mas eu não precisava ter-me preocupado; ela mal acordou para se despedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando meus planos em Paris não deram certo, voltei alegremente para Praga, onde David e eu passamos três dias escondidos em salões de chá onde se precisava puxar uma corda de seda para poder entrar, vagando pelo enorme castelo medieval e nos fartando de "goulash", com alguns goles de absinto como sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tomamos uma decisão: como eu tinha terminado a escola e estava louca por uma mudança, voltaria para San Francisco, pelo menos até ele terminar a faculdade, quando faríamos novos planos. Seria perfeito. Eu ia morar na mesma cidade que meu novo namorado e minha melhor amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora pecebo como isso foi ingênuo. Mas acho que em certo nível eu já sabia na época, pois alguns dias depois de minha volta a San Francisco ela e eu chegamos a um entendimento mudo: era melhor eu não mencionar David. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas algumas semanas depois, enquanto tomávamos café, deixei escapar: "Estou com saudades de David".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me olhou como se eu estivesse louca: "Mas você não esteve com ele hoje de manhã?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, mas...", eu comecei, então mudei de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou para que David e eu fôssemos morar juntos. Certa noite, quando eu sabia que ele ia trabalhar até mais tarde, convidei minha amiga para jantar. Ela parecia abatida. Sugeri que fizesse mais testes, talvez uma nova fita demo com a voz mais trabalhada. Disse que podia lhe emprestar dinheiro para novas fotos. O macarrão que eu tinha preparado esfriou enquanto eu planejava a vida dela, ou o que eu achava que deveria ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de David, ela não teria se incomodado com meus conselhos; afinal, era o tipo de conversa animadora que sempre tínhamos. Mas é claro que dessa vez tudo havia mudado, e em vez de parecer uma grande amiga simpática e prestativa eu soava mandona e agressiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chega", ela disse finalmente. "Já entendi." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo encontro que tivemos foi em nosso restaurante de sushi preferido, e ela mencionou uma amiga que tinha começado a namorar um cara e desaparecera; muitas vezes tínhamos falado que detestávamos as mulheres que fazem isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ela disse: "Foi o que você fez. Desapareceu". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em tudo o que eu tinha feito para impedir que isso acontecesse, mas não havia como negar que uma parte de mim tinha desaparecido, a parte que estava apaixonada por David, que eu escondera porque sentia que ela não queria ouvir falar no assunto. Eu quisera muito compartilhar tudo isso com minha melhor amiga, mas sabia que não podia, então guardei para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente não agüentei mais: "Você tem idéia da pressão que está fazendo contra mim?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fez uma pausa, revirando o sushi, e disse: "Não. Que pressão?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu nem posso mencionar o nome dele perto de você!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riu. "Está brincando? Você só fala nele!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa conversa seguiu vacilante depois disso - a certa altura eu disse que gostaria que ela ficasse feliz por mim, e ela recebeu como uma ofensa, mas não sabia explicar por quê. Foi assim: depois de anos encantadas com nossa amizade única, depois de anos usando nossa intimidade para manter os outros afastados, não podíamos nem falar com franqueza sobre o que realmente sentíamos. Não sabíamos como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao nos despedirmos lá fora, ela disse que foi bom termos aliviado a tensão. Eu concordei entusiasticamente, mas nossas palavras pareceram ocas, falsas, como algo que diríamos para um cara antes de correr para o apartamento da outra com uma nova anedota muito divertida na ponta da língua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte e quatro horas depois, ela rompeu comigo. Sua voz estava trêmula no telefone quando me disse que não queria mais ser minha amiga. Embora eu devesse ter adivinhado, fiquei tão surpresa que não consegui sentir tristeza, nem raiva. Mal consegui perguntar por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você espera demais de mim", ela disse como explicação. "Como se eu fosse da sua família." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A implosão de um amor platônico não é menos devastadora do que a de um amor verdadeiro. Eu chorei, emagreci, não conseguia dormir. Meu coração, ou pelo menos uma área vizinha, doía. Eu sabia que aquilo sobre eu tratá-la como alguém da família era apenas uma desculpa. Afinal, não era isso o que sempre havíamos dito, que éramos mais próximas que irmãs?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, foi proximidade demais. Tínhamos criado um ninho tão apertado, tão sufocante, que não havia espaço para mais ninguém; mal havia espaço para cada uma de nós respirar. É claro que um amor platônico não precisa ser assim, e com muitas amizades próximas não é. Mas no nosso caso foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa eu aprendi dos nossos tempos de colecionadoras de anedotas, e ela também: é melhor ir embora do que ser deixada para trás. Acho que foi por isso que ela agiu assim naquele momento. Porque sabia a simples verdade, mesmo que eu não soubesse, ou talvez ainda não conseguisse admitir para mim mesma: eu precisava fazer uma escolha. E já tinha feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Jessie Sholl é escritora e vive em Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no &lt;a href="http://www.uol.com.br/"&gt;UOL Mídia Globa&lt;/a&gt;l.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7689494465816212915?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7689494465816212915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7689494465816212915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7689494465816212915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7689494465816212915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2007/08/uma-amizade-to-grande-que-sufoca.html' title='Uma amizade tão grande que sufoca'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-921780860470029960</id><published>2007-05-21T07:55:00.000-03:00</published><updated>2007-05-21T08:01:39.118-03:00</updated><title type='text'>Um novo cinema novo</title><content type='html'>Artur Xexéo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois meses, o jornal britânico "The Guardian" perguntou a seus leitores qual o melhor filme estrangeiro de todos os tempos. O resultado foi publicado na semana passada. Por estrangeiro entenda-se filme falado em língua não-inglesa. É por isso que, na lista dos leitores do "Guardian", não apareceu nenhum Coppola, nem ao menos um Scorsese, filme americano algum. Tecnicamente, filmes americanos são estrangeiros na Grã-Bretanha. Mas eles não valiam para a enquete do "Guardian". Para horror dos críticos do jornal, deu "Cinema Paradiso" na cabeça. Eles não se conformaram de o filme de Giuseppe Tornatore ser considerado melhor do que "M, o vampiro de Dusseldorf", de Fritz Lang, ou do que "As regras do jogo", de Jean Renoir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma relação de amor e ódio com o filme de Tornatore. A primeira vez que em que o vi, não me falou ao coração. Achei um melodrama banal. Mas, anos depois, tive a chance de assistir à sua versão completa, a versão que foi vista pela platéia da estréia em Roma, quando ele foi rejeitado pela crítica e recebido com indiferença pelo público. A partir daí, é História: o cineasta remontou o filme, levou-o ao Festival de Cannes com quase uma hora a menos, e "Cinema Paradiso" virou o queridinho do planeta, ali pelo fim dos anos 1980. Pois a versão original é arrebatadora. Tenho uma cópia em DVD que volta e meia me chama para vê-la mais uma vez. Eu a incluiria sem culpa na minha lista lista de filmes perfeitos, entre "O bebê de Rosemary" e "Era uma vez na América". Os críticos do "Guardian" que se danem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de 2.500 pessoas dispuseram-se a responder à pergunta, votando em três filmes cada uma. No total, foram votados mais de 500 filmes diferentes. Mas a boa notícia é que, entre os 40 filmes mais votados na enquete, aparece "Cidade de Deus" de Fernando Meirelles, num mais do que honroso quarto lugar (perde só para "O fabuloso destino de Amélie Poulain", de Jean-Pierre Jeunet, e "Os sete samurais", de Kurosawa, além do "Paradiso", é claro). Outro brasileiro aparece em 30º lugar: "Central do Brasil", de Walter Salles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí vem a pergunta que não quer calar: que fim levaram Glauber Rocha, Joaquim Pedro e outros cineastas dos anos 1960 que, até então, eram os grandes nomes do cinema brasileiro no exterior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se sempre argumentar que uma lista encabeçada por "Cinema Paradiso" e com "Amélie Poulan" com vice-campeão dá impressão de ter sido feita por cinéfilos que acreditam que o cinema foi inventado há menos de 30 anos. Mas não é bem assim. O terceiro lugar de "Os sete samurais", um filme de 1954, não é uma exceção. Estão entre os 40 mais cineastas como Pontecorvo !"A batalha de Argel"; de 1966); Godard ("Acossado", de 1960), De Sica ("Ladrão de bicicletas", de 1948), Truffaut ("Jules e Jim", de 1962) e Fellini ("A doce vida", de 1960). Bergman aparece duas vezes, com "Morangos silvestres" e "O sétimo selo", ambos de 1957. Nada de "Antonio das Mortes" ou "Vidas secas". Pelo jeito, há um novo cinema novo brasileiro com mais força do que outros para atingir corações e mentes do resto do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na &lt;a href="http://www.oglobo.globo.com/"&gt;Revista O Globo&lt;/a&gt;, em 20 de maio de 2007.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-921780860470029960?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/921780860470029960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=921780860470029960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/921780860470029960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/921780860470029960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2007/05/um-novo-cinema-novo.html' title='Um novo cinema novo'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-7346148620390038174</id><published>2007-03-07T10:14:00.000-03:00</published><updated>2007-03-07T10:18:29.674-03:00</updated><title type='text'>O deus de Macondo</title><content type='html'>O prêmio Nobel Gabriel García Márquez, autor de "Cem Anos de Solidão", completou 80 anos ontem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do &lt;a href="http://www.elpais.com/"&gt;El País&lt;/a&gt;, publicado no &lt;a href="http://www.uol.com.br/"&gt;UOL Mídia Global&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria chamar-se Olegário. Acabavam de tocar os sinos da missa das 9h quando os gritos da tia Francisca abriram espaço entre o ruído do aguaceiro enquanto corria pelo corredor: "É homem! É homem! Corram que se afoga!" E novos gritos envolveram a casa. Uma vez libertado do cordão umbilical enrolado no pescoço, as mulheres correram para batizar o menino com água benta. A primeira coisa que lhes veio à cabeça foi chamá-lo Gabriel, pelo pai, e José, por ser o patrono de Aracataca. Ninguém se lembrou do santo do dia. Do contrário, teria se chamado Olegário García Márquez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele domingo, 6 de março de 1927, Aracataca celebrou a chegada do primogênito de Luisa Santiaga e Gabriel Eligio. Mas na realidade para os "cataqueiros" tinha nascido o neto de Tranquilina Iguarán Cotes e do coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía - os avós maternos, com quem ele se criou até os 8 anos, em uma terra coberta de bananeiras sob o sol impiedoso do Caribe colombiano. Foi um menino num casarão de mulheres, amordaçado pelas crenças de além-túmulo da avó e as lembranças de guerras do avô - os anos das vivências que o tornaram universal em 1967, quando publica "Cem Anos de Solidão". Apesar de ele acreditar que a história que não embotará seu nome no esquecimento é a de seus pais, recriada em "O Amor nos Tempos do Cólera".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a história real onde tudo começa. A dos felizes amores contrariados que há 80 anos transformaram Gabriel José García Márquez no primeiro de sete homens e quatro mulheres, e que daria vida a tantas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM ESCRITOR: Foi sua avó quem lhe permitiu descobrir que ia ser escritor? "Não, foi Kafka, que, em alemão, contava as coisas da mesma maneira que minha avó. Aos 17 anos, quando li 'A Metamorfose', descobri que ia ser escritor. Ao ver que Gregorio Samsa podia despertar certa manhã transformado num gigantesco inseto, disse a mim mesmo: 'Eu não sabia que era possível fazer isso. Mas se é assim, escrever me interessa", contou o autor a Plinio Apuleyo Mendoza, em "El Olor de la Guayaba".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM JORNALISTA: Começou no diário "El Universal" de Cartagena de Índias em 1948, continuou no "El Heraldo" de Barranquilla e depois no "El Espectador", de Bogotá. Ryszard Kapuscinski disse: "Embora tenha uma enorme admiração por suas novelas, considero que a grandeza de García Márquez se baseia em suas reportagens. Suas novelas provêm de seus textos jornalísticos. É um clássico da reportagem com dimensões panorâmicas, que tenta mostrar e descrever os grandes campos da vida ou dos acontecimentos. Seu grande mérito consiste em demonstrar que a grande reportagem também é grande literatura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM MUNDO: "Essa vontade unificadora é a de edificar uma realidade fechada, um mundo autônomo cujas constantes procedem essencialmente do mundo da infância de García Márquez. Sua infância, sua família, Aracataca constituem o núcleo de experiências mais decisivo para sua vocação: esses demônios foram sua fonte primordial", escreveu Mario Vargas Llosa em "Historia de un Deicidio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UMA LINGUAGEM: "É como se a linguagem fosse feita para contar histórias, para mudar o mundo aterrorizante, para mergulhar o homem, sem que o perceba, nos vales confortáveis do sonho. Como se fosse um grande caleidoscópio que mostrasse a realidade dos cacos coloridos, mas organizados em encaixes vistosos, mágicos, cambiantes, multiplicados pelos espelhos enganosos", explicou Ricardo Escavy Zamora, da Universidade de Murcia, no congresso Quinhentos Anos de Solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM ESTILO: Carlos Monsiváis considera que "em seus livros clássicos se extrema uma certeza: graças à beleza do idioma - a perfeição de seu som, a sucessão de frases 'imelhoráveis' -, os fatos adquirem outro relevo, são relatos que, se não se dão com essas palavras, se transformam em algo diferente. Para García Márquez, escrever bem não é uma exibição de dons estilísticos; é acrescentar a noção épica do idioma às épicas existentes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MACONDO: O território literário onde transcorre grande parte de sua criação é citado pela primeira vez em 1955, em "Monólogo de Isabel Fazendo Chover em Macondo". Mas sua fama chega em "Cem Anos de Solidão": "Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS BUENDÍA: É a estirpe protagonista de sua obra mais famosa. "Nenhum deles é vulgar. Levam pregada nos rostos a irremovível máscara da singularidade. E, talvez por causa de seu desempenho cênico, têm cravada no peito a lança da solidão. Ávidos e legendários, amam-se entre si quando a luxúria do vizinho não sacia seu desejo. São eles o princípio da lenda. ... Na bagagem de cada um, desde Úrsula até o último dos Buendía, concentram-se maravilhas, prodígios, milagres", disse Nélida Piñon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"CEM ANOS DE SOLIDÃO": Depois de um ano e meio de escrita, sua primeira edição aparece em 30 de maio de 1967 pela editora argentina Sudamericana. "Sua situação é paradoxal quanto à história de Macondo, que dura cem anos: atravessa todas as idades da Terra, desde o pré-histórico até o Apocalipse. História e mito se entrelaçam e o paradoxal se carrega de valor paradigmático", esclareceu Marta L. Canfiel, da Universidade de Nápoles, no congresso Quinhentos Anos de Solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INOVADOR: A conquista de novos territórios literários é resumida por Carlos Fuentes: "Não só reunia em um feixe as grandes tradições da literatura hispano-americana - mito de fundação, épica de destruição, história de recriação - como, magistralmente, generosamente, demonstrava a compatibilidade dos gêneros de uma época de seca literária determinada pela ditadura do 'nouveau roman' francês, empenhado em transformar a literatura em deserto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UNIVERSALIZAÇÃO DO BOOM: "A novela hispano-americana não saiu realmente para o mundo até depois da segunda metade da década de 60, a partir do triunfo escandalosamente sem precedentes de 'Cem Anos de Solidão'", lembra José Donoso em "História Pessoal do Boom".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REALISMO MÁGICO: Apesar de terem lhe chamado de pai do realismo mágico, a verdade é esclarecida por Piedad Bonnett: "O que acabava de fazer - valer-se do mítico e mágico para conseguir uma visão popular dos fatos - equivalia a levar às últimas conseqüências o postulado de Carpentier, que no prólogo de sua novela 'O Reino deste Mundo' (1949) havia perguntado, de forma retórica: 'Mas o que é a história da América toda, senão uma crônica do real maravilhoso?'"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRIAÇÃO: Vendeu cerca de 40 milhões de exemplares em mais de 30 idiomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Novelas: "La Hojarasca" - 1955; "Ninguém Escreve ao Coronel" - 1957; "A Má Hora" -1961; "Cem Anos de Solidão" - 1967; "O Outono do Patriarca" - 1975; "Crônica de uma Morte Anunciada" - 1981; "O Amor nos Tempos do Cólera" - 1985; "O General em seu Labirinto" - 1989; "Do Amor e outros Demônios" - 1994; "Memórias de Minhas Putas Tristes" - 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Grandes reportagens: "Relato de um Náufrago" - 1970; "Notícia de um Seqüestro" - 1996; "Obra Jornalística Completa" - 1999. Primeiro tomo de suas memórias: "Viver para Contar" - 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Contos: "Olhos de Cão Azul" - 1955; "Os Funerais da Mamãe Grande" - 1962; "A Irresistível e Triste História de Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada" - 1972; "Doze Contos Peregrinos" - 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QUE GOSTARIA DE TER SIDO: Gabriel García Márquez, o soube há muitos anos em Zurique, quando uma tempestade de neve o levou a um bar, segundo conta Eligio García Márquez em uma reportagem. "Tudo estava na penumbra, um homem tocava piano na sombra e os poucos clientes que havia eram casais de namorados. Nessa tarde soube que se não fosse escritor gostaria de ser o homem que tocava o piano sem que ninguém visse seu rosto, só para que os namorados se quisessem mais."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-7346148620390038174?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/7346148620390038174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=7346148620390038174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7346148620390038174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/7346148620390038174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2007/03/o-deus-de-macondo.html' title='O deus de Macondo'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-117055101525467322</id><published>2007-02-03T22:58:00.000-02:00</published><updated>2007-02-03T23:03:35.276-02:00</updated><title type='text'>O doce reencontro de Collor com o PT</title><content type='html'>Artigo de Ruy Fabiano para o &lt;a href='http://oglobo.globo.com/pais/noblat/'&gt;Blog do Noblat&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma foto vale por mil palavras, diz o axioma jornalístico. Nada o confirma mais que o emblemático (quase afetuoso) encontro entre os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Fernando Collor (PTB-AL), quinta-feira, 1º, no plenário do Senado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto, publicada em todos os jornais, vale (parafraseando Lula) por um tratado sociológico da política brasileira das duas últimas décadas. Collor, há 14 anos, perdeu o mandato de presidente da República por decisão do Senado. Suplicy não apenas estava entre os que o condenaram, como, bem mais que isso, funcionou como uma espécie de promotor e investigador ao longo do processo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém o excedeu na implacabilidade acusatória. Chegou a denunciar o parlamentar que mais defendia Collor, o ex-deputado Roberto Jefferson (sempre ele), de ter recebido quantia milionária para fazê-lo. Não tinha provas, mas o acusou – e, na ocasião, a palavra do PT tinha fé pública e equivalia a uma prova material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia histórica é que o mesmo PT que no passado o condenou – e que continua tendo em Suplicy um de seus luminares - é hoje, ainda que involuntariamente, o fator mais convincente de sua absolvição. E não exatamente pelo sorriso amarelo de Suplicy, captado pelas lentes dos fotógrafos, mas pelo espetáculo escatológico protagonizado no exercício do Poder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada poderia tornar Collor mais palatável aos olhos do eleitor que o governo Lula, que o excedeu quilometricamente na escala e abrangência das práticas anti-republicanas. Collor, vê-se agora, era um ingênuo artesão, diante do PT governista. As práticas que o condenaram há 14 anos reproduziram-se, na gestão petista, em escala macroindustrial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PC Farias, seu tesoureiro, era um amador diante da máquina petista produtora de dinheiro, pilotada, entre outros, por especialistas como Delúbio Soares, Sílvio Pereira, José Genoíno e José Dirceu. Os critérios que o PT empregou para julgar Collor levariam o governo Lula ao impeachment já no caso Waldomiro Diniz, que precedeu em 16 meses as denúncias de Roberto Jefferson. Diniz, que era subchefe da Casa Civil e articulador palaciano no Congresso, foi flagrado pedindo a um bicheiro dinheiro para a campanha eleitoral do PT e um percentual para si próprio, que ninguém é de ferro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demitiu-se, mas não foi responsabilizado criminalmente. Nem gerou qualquer conseqüência política a seus superiores imediatos – José Dirceu e Lula. No ano seguinte, Jefferson traz à tona o Mensalão, com o vasto cortejo de denúncias que todos conhecem. Imagine-se o que ocorreria se os critérios invocados contra Collor tivessem sido aplicados contra Lula ao longo daquele processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O raciocínio também pode ser invertido. Se a (digamos assim) flexibilidade dialética adotada na avaliação do caso Lula houvesse sido proporcionada a Collor, ele não teria sido apeado da Presidência. No máximo, ouviria de críticos e correligionários (como agora) que tudo, afinal, teria sido fruto de um sistema pervertido, para o qual tornava-se imperativa uma reforma política. E essa reforma, depois de clamada e proclamada pelos seus articuladores políticos, seria posta de lado, para novamente ser acionada na próxima crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PC Faria, por sua vez, não teria sido preso ou perseguido. No máximo, a exemplo de seus congêneres petistas, seria submetido a um silêncio obsequioso, em local afastado da ribalta política. Collor, porém, governou numa época em que o exercício da oposição, em que o PT pontificava, era efetivo - e os fundamentos éticos ainda &lt;br /&gt;não estavam submetidos ao relativismo atual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorte do país, azar o dele – equação que presentemente se inverte em relação a Lula, beneficiário da teoria da relatividade aplicada ao campo da moral. O mesmo PT que ontem pedia prisão e cassação de Jader Barbalho por desvio de dinheiro público hoje o tem como um de seus mais importantes interlocutores no PMDB, partido com o qual dará sustentação política ao segundo governo Lula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém não esquecer: o PT, hoje tão compreensivo com as mazelas humanas, é o mesmo que, na oposição, chegou ao requinte de implacabilidade de comandar a cassação e lichamento público de um senador, o paraibano Humberto Lucena, pelo horroroso delito de ter mandado imprimir um calendário na gráfica do Senado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cassação consumou-se no Judiciário, mais precisamente no TSE, mas a campanha ganhou ressonância na mídia graças à retórica implacável do PT – e José Dirceu, vejam só, era um de seus mais eloqüentes incentivadores. O sorriso amarelo do senador Suplicy, na mencionada foto, vale, sim, por um tratado – e não apenas sociológico, mas também moral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-117055101525467322?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/117055101525467322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=117055101525467322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/117055101525467322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/117055101525467322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2007/02/o-doce-reencontro-de-collor-com-o-pt.html' title='O doce reencontro de Collor com o PT'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-116524810937724060</id><published>2006-12-04T13:53:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T14:47:15.720-02:00</updated><title type='text'>Verdade incontestável do presidencialismo</title><content type='html'>Helio Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confederação, avanço, Federação, retrocesso. Agora a todo momento e por qualquer motivo falam nos "ideais republicanos", pretendem mudanças "estruturais", dizem que é preciso modificar o "pacto federativo". O PMDB até mesmo para aderir ao governo e se livrar do constrangimento garante: "Estamos nessa coalizão para modificar a Federação". Mudar a Federação com o "disque Quércia para a corrupção", Sarney, Renan, Temer, Jader, Newton Cardoso e outros só não é de morrer de rir porque está mais para tragédia grega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1776, as 9 províncias (não tinham nome, não eram nem colônias) dominadas pela Inglaterra se rebelaram. Lutaram 5 anos, derrotaram a maior potência da época. Ficaram livres em 1781. Mas a guerra mais difícil foi a dos 5 anos seguintes, de 1781 a 1786, entre ESTADUALISTAS e FEDERALISTAS. Precisavam estabelecer os alicerces do país que se chamaria CONFEDERAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a divisão era total e praticamente sem superioridade de qualquer lado. Depois de batalhas com muito sangue, surgia a luta sem sangue mas com enorme convicção. Os ESTADUALISTAS defendiam a independência dos estados, que então já eram 13. Os FEDERALISTAS acreditavam que, com excessiva liberdade, o país não resistiria, viria o caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabiamente ficaram no meio termo, nem supremacia do ESTADUALISMO nem do FEDERALISMO. Concordaram em redigir e aprovar uma Constituição Federal simples mas importante. Os estados se obrigavam a cumprir, seguir e respeitar o que estivesse ali, e mais nada. Todo o resto, incluindo economia, administração, finanças, impostos, arrecadação, direitos e deveres, da competência exclusiva dos estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi o fator mais notável do equilíbrio do país, inveja para nós, pois Brasil e EUA são os dois mais importantes presidencialismos do mundo ocidental. E esse equilíbrio se refletiu em todos os setores, sem qualquer exceção. Até mesmo na terrível Guerra da Secessão, de 1860 a 1864 (começando antes da posse de Lincoln e terminando exatamente quando acabava seu primeiro mandato), a Constituição Federal ficou intocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio mais notável ocorreu em plena guerra civil, em 1862. Fervoroso defensor dos direitos individuais e coletivos, mas pressionado pelo pavor do "separatismo", Lincoln foi obrigado a suspender o habeas-corpus. A Suprema Corte Federal não aceitou a decisão presidencial, manteve o habeas-corpus. Tomando conhecimento do que decidira a Suprema Corte, na Casa Branca, Lincoln se ajoelhou, e disse emocionado: "Obrigado, meu Deus". Exemplo memorável do funcionamento dos Poderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exemplos são sem conta, alguns precisam ser citados para mostrar as vantagens da Confederação. Por causa dessa Confederação, os EUA têm apenas uma Constituição com 230 anos. E 36 emendas que são citadas de cor e salteado pelo mundo inteiro. Em 1920, foi aprovada a emenda número 19, criando a "lei seca". 13 anos depois, foi sancionada, já pelo estadista Franklin Delano Roosevelt, a emenda número 20, que acabava com essa "lei seca". Em 13 anos, nenhuma outra emenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desse mesmo Roosevelt ser eleito em 1932, 1936, 1940 e 1944, os Partidos Republicano e Democrata decidiram acabar com as reeleições ilimitadas. Aprovaram a emenda número 26, que permitia e permite só uma eleição e uma reeleição. Mas o próprio Congresso reconheceu que não tinha Poderes para legislar para os estados, que ficaram com o direito de fixar o mandato dos governadores. (Bill Clinton foi governador do Arkansas 6 vezes, com mandatos de 2 anos cada. Mas na presidência da República só pôde cumprir 2 mandatos de 4 anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pena de morte é outra opção estadual. Ela já existiu em 34 estados, hoje existe em apenas 11. A Suprema Corte Federal pode rever decisões das Supremas Cortes Estaduais, mas o governador, na última instância, está acima dos juízes federais. O governador pode modificar o decidido pelo mais alto tribunal do país, aceitar a pena de morte ou transformá-la em prisão perpétua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS - Se fosse examinar mais a fundo, não poderia parar. Amanhã veremos a fragilidade da Federação, a partir de 1891, e das dúvidas de Rui Barbosa, que redigiu o anteprojeto da Constituição e foi seu relator na constituinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na &lt;a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/"&gt;Tribuna da Imprensa&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14288645-116524810937724060?l=guardaletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guardaletras.blogspot.com/feeds/116524810937724060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14288645&amp;postID=116524810937724060' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/116524810937724060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14288645/posts/default/116524810937724060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guardaletras.blogspot.com/2006/12/verdade-incontestvel-do.html' title='Verdade incontestável do presidencialismo'/><author><name>Otacílio Rodrigues</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wk9jhIuVcig/TDNJPXYo20I/AAAAAAAAOJ8/cOSe9yCjICI/S220/carica4.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14288645.post-116266292169462068</id><published>2006-11-04T14:46:00.000-03:00</published><updated>2006-11-04T14:59:49.403-03:00</updated><title type='text'>Coisas impossíveis antes do café</title><content type='html'>Fernando Gabeira, na &lt;a href="http://www.folhaonline.com.br/"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Aqui de Ipanema, a única mensagem das ruas é esta: é melhor ser alegr
